segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BLOG "O CATEQUISTA"

(Clique na imagem para ampliá-la)
Blog O CATEQUISTA : entrevista com Alexandre Varela

A internet hoje é realmente “um mundo a parte”. E quando navegamos por esse mundo, não raras vezes, nos deparamos com experiências surpreendentes. E foi assim que me deparei com o blog O Catequista (ocatequista.com.br), que aliás, tem também A Catequista e outros mais, assinando os posts.
Que grata surpresa! Interessante, irreverente, jovial, dinâmico. Com informações, formações, imagens... Tudo numa linguagem muito despojada e, algumas vezes, hilária. Isso tudo, sem perder a seriedade que a catequese católica, merece. Até achei lá as respostas a uma questão que minha filha levantou sobre a existência ou não de uma “papisa” na Igreja Católica. Então procurei os “donos” para saber como é esse trabalho maravilhoso. E num contato, também pela internet, o Alexandre Varela, um dos mentores da idéia, conversou comigo e partilha aqui conosco suas idéias numa entrevista que repasso aos nossos leitores.

Ângela RochaAlexandre, conta aqui pra gente de onde vocês são e onde vocês fazem seu trabalho pastoral.

Alexandre - Muitíssimo obrigado por toda a rasgação de seda! Ficamos muito felizes! Mais felizes ainda de sermos citados no blog de Catequese da CNBB e ainda por cima, sermos entrevistados!  Olha só que importante!  Depois você não quer que fiquemos metidos... rsrs. Então vamos lá.  Nós estamos na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente em Copacabana.  O blog não é atrelado a nenhuma paróquia ou pastoral, mas eu e a Viviane somos catequistas de Crisma da Paróquia N. Sra. de Copacabana, já tem mais de 10 anos.

Ângela Rocha – E como surgiu a idéia de ter um blog?

Alexandre - A idéia nasceu durante os encontros de Crisma.  Nós católicos conhecemos muito pouco toda a riqueza da nossa tradição e acabamos por engolir todas as lendas que circulam por aí, até por meio da imprensa.  Por conta disso, reservo boa parte do tempo da formação para estas questões.  É, literalmente, pegar os crismandos e remover todas as certezas erradas antes de mostrar-lhes Cristo e a Igreja. Resolvi que queria atingir mais pessoas e achei que um blog era uma boa maneira de fazer isso. Conversei com a Viviane, que é minha esposa, e ela topou na hora.  Então começamos a bolar o conceito.

Ângela Rocha – O jeito irreverente do blog é também seu jeito de catequizar?

Alexandre – Rsrs... As turmas aqui em Copacabana são enormes.  Teve um ano que chegamos a 156 crismandos.  Nesse ambiente de muita gente, transmitir conceitos muito profundos e às vezes complexos é uma tarefa complicada.  E tudo piora por conta da baixa média de idade.  Então a solução é ser o mais informal possível, beirando o teatral.  Preciso chamar atenção deles, senão simplesmente se dispersam.  Pois bem, quisemos aproveitar também na internet, esse jeito diferente de fazer os encontros.  Esse é o espírito do blog! Sou muito rebelde para os modelos tradicionais.  Gosto de inventar e, se não der certo, eu volto atrás.  Tinha um professor meu, da época da minha pós na FGV, que dizia: "É melhor pedir desculpas do que pedir licença". Nem sempre isso é verdade, mas em um ambiente tão travado isso acaba sendo mesmo uma boa estratégia.  Ainda tem o seguinte: estamos em Copacabana! Então, temos todos os tipos de crismandos que você imaginar, de todos os lugares do Brasil e até do mundo! Já tivemos diversos crismandos angolanos, por exemplo, e é emocionante ver que temos muitos acessos no blog, que vêm de lá!  É muito legal.

Ângela Rocha – Como é a catequese de crisma na sua paróquia?Como ela é organizada?

Alexandre - Aqui na nossa Crisma já fomos praticamente um “colégio”, com oito turmas! Com o tempo isso diminuiu, mas normalmente são no mínimo 80 crismandos em três turmas (domingo, segunda e quarta).  A de domingo em geral não tem menos de 30.  A experiência é maravilhosa, mas claro, não dá pra fazer como se fossem 15.  Eu gosto de ser teatral, quase histérico, pra despertar atenção e fazer rir. Isso ajuda um bocado a fixar as imagens que irão nortear o comportamento cotidiano das pessoas.  A idade mínima por aqui são 15 anos, mas metade da turma tem mais de 30.  E eu, contrariando todos os paradigmas consagrados, misturo todo esse pessoal e, acredite, é maravilhoso!

Ângela Rocha – Vocês usam algum material escrito?Algum manual?

Alexandre - Temos uma apostila feita por nós com um método próprio que serve de esteio para o encontro, mas não de freio! Em geral não uso muito a apostila pra não ficar chato, mas ela é essencial para que os crismandos tenham uma referência. Praticamente não uso apresentações em PowerPoint porque acho muito frio e maçante.  Só uso se tenho que mostrar imagens de objeto relevantes, paramentos e objetos litúrgicos, por exemplo. Gosto do contato pessoal e aprendi a projetar a voz para não ter que usar microfone, algo que inibe muito as pessoas.

Ângela Rocha – A idéia de vocês no blog é então “desvendar” os mistérios da nossa religião? Converter e evangelizar?

Alexandre – Rsrs... Sabemos que é muito difícil "pescar homens" na internet. Dificilmente um ateu se converteria lendo um blog, por exemplo. Mas temos certeza de que podemos “reforçar” o conhecimento dos católicos e ajudá-los a pescar.  Um católico que saiba dar as razões da sua fé tem um poder enorme. E é isso que queremos ajudar a construir.  Queremos ajudar os católicos a descobrir o seu povo e suas tradições. Como dizemos no nosso primeiro post, queremos provocar uma “Onda Católica” que chegue a todos os cantos do Brasil.  Não só na internet!  Queremos que as pessoas leiam o blog e dêem testemunho com as suas vidas.

Ângela Rocha – Bom Alexandre, vamos terminar por onde deveríamos ter começado. Quem mais, além de você e da Viviane, colaboram com o blog? Também observei que tem umas charges bem legais lá...

Alexandre - Deus sempre ajuda os que se colocam á sua disposição. Dois crismandos do ano passado embarcaram na idéia e completaram a nossa equipe atual. Um deles é o Paulo Ricardo, 35 anos, historiador responsável pelos posts de conteúdo mais histórico.  É um historiador daqueles bem enérgicos, do jeito que o povo gosta! E contamos também com o Ricardo, 53 anos (eu jurava que era 40), designer talentosíssimo, meu afilhado querido e portador da careca mais brilhante do povo de Deus. Ele, foi responsável por toda programação visual do site. E eu sou Alexandre Varela, tenho 33 anos, idade pra ser crucificado, nerd, formado em Matemática/Informática, trabalho como Gerente de Projetos, sou Catequista de Crisma há 11 anos.  Viviane Varela é minha linda esposa, tem 30 anos, trabalha com comunicação e educação corporativa. Ahá! Alguém tinha que consertar os textos que o matemático escreve! E temos três filhos.  Pra você sentir o drama, a mais velha tem três anos e temos um casal de gêmeos com um ano e meio. Bem, é isso... Deus está sendo muito bom conosco, porque jamais imaginávamos ter 10.000 visitas e tanta repercussão em apenas dois meses de blog. Ah, as charges não são nossa criação, pegamos as imagens na internet e ajustamos àquilo que queremos transmitir.

Ângela Rocha – E como você vê, Alexandre, o futuro da catequese na nossa Igreja?

Alexandre – Você perguntou sobre o futuro, mas nossa necessidade é para AGORA!  A Catequese hoje deve ter um papel central na vida da comunidade, pois não é só uma questão de transmitir o conhecimento aos jovens, como era antigamente. A nossa preocupação deve ser mais abrangente, pois a maioria esmagadora das pessoas que frequentam as nossas paróquias não entendem nada do que estão fazendo na Santa Missa! E pior: têm muita dificuldade em praticar no dia a dia toda a teoria que aprendem na Igreja.
O Rito de Iniciação Cristã de Adultos é um belo ponto de partida, mas precisa ser devidamente adaptado às condições pastorais de cada lugar.  Precisamos olhar para a nossa comunidade e descobrir como fazer uma comunicação mais eficiente.  Infelizmente, ainda estamos engatinhando nesse assunto.  Somos muito presos aos modelos tradicionais, que claramente não funcionam para uma geração que consome cada vez mais informação, com cada vez mais superficialidade. Temos o enorme desafio de fazer jovens mergulharem em tradições de mais de 2000 anos. Ao mesmo tempo, precisamos transmitir aos mais velhos os conceitos que lhes faltam por não terem aprofundado a sua fé.
E agora?  Como equacionar a comunicação para estes dois públicos?  Não queremos ser chatos, queremos ser ágeis e, ao mesmo tempo, precisamos dar profundidade para que seja possível hoje fazer a mesma experiência dos Apóstolos. Para nós, estas devem ser as questões a serem enfrentadas e resolvidas hoje.  E nosso blog quer ser uma contribuição para esse novo momento da Catequese.  Queremos “perverter” os formatos tradicionais.  Queremos passar a fantástica Doutrina Católica de mais de 2000 anos com a agilidade e informalidade dos jovens de 15.  Mas com a seriedade exigida por aqueles que já percorreram um caminho e precisam saber mais.
Não sabemos ainda se temos a fórmula definitiva.  Mas já topamos o desafio. Quem quer vir conosco nessa Onda Católica?

Ângela Rocha – Eu já estou indo! Rsrsrs... Obrigado Alexandre e parabéns de novo pelo blog. E quem quiser fazer uma visita e, de preferência, comentar e dizer que esteve lá, o endereço é: www.ocatequista.com.br . Passa lá! Você vai adorar essa turma!


2 comentários:

  1. Parabéns pela entrevista,e o site é muito interessante,fique com Deus.

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  2. Parabéns pelo blog e pela entrevista.Estamos juntos nessa caminhada de evangelização.
    Acessem:http://catequesejovem.blogspot.com/

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