terça-feira, 18 de outubro de 2011

A VOCAÇÃO E A MISSÃO DOS DISCIPULOS DE JESUS

 Gilson Luiz Maia, RCJ*
 
Na Bíblia toda vocação é para a missão e esta pressupõe um chamado: a vocação. Do contrário, a vocação seria algo estéril, fechada em si mesma sem comunhão e consequências em prol do Reino e de sua justiça. Também não podemos reduzir a missão a uma tarefa posterior ao chamado ou a uma simples dimensão da vocação. A missão não é um acréscimo ou extensão da vocação, mas um componente essencial quer seja ela leiga, religiosa ou sacerdotal. A missão faz parte do DNA de toda e qualquer vocação.

A vocação tem origem divina: Deus é quem toma a iniciativa e nos chama desde a sua gratuidade. O chamado é graça e o envio também. Tanto a vocação quanto a missão nunca visam o bem pessoal do vocacionado, mas de todo o povo de Deus. A verdadeira vocação e missão não são graças apenas para as pessoas escolhidas, mas para muitos conforme dizia Jesus referindo-se a sua própria vocação e missão: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate por muitos”(Mt 20, 28).

Vocação e missão: dois lados da mesma moeda

O papa Bento XVI cita a metáfora dos "dois lados da moeda" ao referir-se ao discipulado e a missão por ocasião do discurso inaugural da V Conferência.

Um autêntico serviço de animação vocacional é antes de tudo uma ação evangelizadora e genuinamente missionária. Nos evangelhos, aquele que chama é o mesmo que envia. Tal realidade confirma que vocação e missão são partes de um binômio inseparável e complementar. Ou como diz a expressão popular: são dois lados de uma mesma moeda. Lados distintos, cada um com suas características próprias, mas partes de uma realidade inseparável onde uma pressupõe a outra.

Na prática, a distinção entre a vocação e a missão é mais de caráter pedagógico que real. Isto significa que precisamos ficar atentos para evitar certas expressões como aquelas que escutamos ao falar da “dimensão missionária do serviço de animação vocacional”. Pois, a missão não é uma simples “dimensão”, mas elemento constitutivo da identidade de toda vocação e parte integrante do serviço de animação vocacional.

A identidade missionária da Igreja

A comunidade dos discípulos de Jesus é essencialmente missionária. A missão faz parte da própria natureza e identidade da Igreja. O Concílio Vaticano II insistiu na natureza e na identidade missionária da Igreja (Decreto Ad Gentes, n.2). O documento afirma também que a Igreja tem como única tarefa a evangelização, porém o modo de exercê-la se diferencia segundo as situações concretas dos grupos humanos (AG, n. 6). 


 É impossível pensar numa Igreja não missionária ou indiferente à missão. A comunidade dos seguidores de Jesus existe para a missão e dela procede. Por isso, podemos afirmar com segurança que todas as vocações e ministérios também são de natureza missionária e se fundamentam na missão de Jesus Cristo e do Espírito Santo.

De acordo a uma antiga tradição, o termo “Igreja” encontra sua raiz no livro do Deuteronômio para indicar a comunidade de Javé  (Dt 23,2ss = “assembleia de Iahweh”). Segundo o evangelho de Mateus a Igreja é a comunidade dos chamados e enviados para dar testemunho do Reino e da sua justiça. Mateus é o único evangelista a adotar o termo “Igreja” ao se referir a comunidade dos seguidores de Jesus Cristo (Mt 16,18; 18,17). Por isto ele é conhecido entre os estudiosos como o “evangelho eclesiástico” onde a comunidade dos discípulos missionários é chamada e enviada por Jesus ressuscitado: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

A Igreja é a comunidade dos chamados e enviados para dar testemunho e servir o Reino. Os próprios evangelhos que ela proclama são escritos missionários que apresentam a pessoa e o projeto de Jesus Cristo, o Reino e a sua justiça. Se de uma parte a Igreja é enviada, de outra ela está sempre enviando os seus discípulos missionários para o serviço da evangelização.


* Gilson Luiz Maia, sacerdote Rogacionista, licenciou-se em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). É pároco da Igreja de Nossa Senhora das Graças em Bauru -SP.

Fontes:
Documento de Aparecida, Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, Paulus, São Paulo, 2007, p.274.
BORILE, Eros - CABBIA, Luciano - MAGNO, Vito - RUBIO, Luis, Diccionario de Pastoral Vocacional, Ediciones Sigueme, Salamanca, 2005, pp. 706-707 (misión y vocación).

Leia o texto de Pe. Gilson Maia na íntegra:

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