domingo, 23 de outubro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO


Pe. Roberto Nentwig

30º Domingo do Tempo Comum – A

Qual é o maior dos mandamentos? Certamente, os fariseus gostariam que Jesus escolhesse um dos 613 mandamentos da tradição judaica. Mandamentos estes repletos de normativas rituais: “não toque nisso”, “purifique aquilo”, “não se torne impuro”, “não ande tantos passos”, “não coma isso”, faça sua oferta”... Jesus não estava preocupado com tais práticas, pois para Ele o fundamental é a lei do amor.

O amor é mais do que um conceito. Nós não vemos o amor em si, não o tocamos, apenas podemos ver as ações concretas de amor. Percebemos o amor nos casais apaixonados, na criança que pede colo para a sua mãe, em atitudes de grande despojamento em prol do ser humano, na solidariedade.

A Escritura diz que “Deus é amor” (1 Jo 4,8.16). A plenitude do amor ultrapassa a abstração da ideia, e se concretiza e se manifesta em Jesus Cristo. Suas atitudes de compaixão, misericórdia e doação traduzem fielmente o que é amar. O amor divino é ao mesmo tempo amor humano, e amor humanamente pleno.

O primeiro dos mandamentos da lei na ordem da promulgação é o amor a Deus. Porém, na ordem da execução está o amor ao próximo. Simplesmente, não é possível amar a Deus se não amamos o próximo. Aqui está o termômetro para identificar a verdadeira religião: medimos nossa religiosidade em nossa capacidade de amar, de doar, de curar os corações, de oportunizar caminhos de crescimento para aqueles que de nós se aproximam.

Na ordem da execução, mas o primeiro promulgado é o amor a Deus. Jesus nos pede que este amor seja realizado de todo o coração, de toda a alma, com todo o entendimento:
De todo o coração: o coração é símbolo da intimidade, da consciência, do mais profundo do ser. Portanto, é no interior de cada um de nós que nasce o amor;
De toda a alma: poderíamos dizer, com toda a força, com toda a vontade – o amor exige o empenho;
De todo o entendimento: com a inteligência. É preciso conhecer este Deus, usar o saber humano para se dirigir a Ele.

O amor a Deus e ao próximo pode ser camuflado. É possível ter atitude interpretadas como amor a Deus e aos outros, que, na verdade, não é amor, mas  egoísmo. Amar a Deus não pode ser uma desculpa para que se permita a manipulação da religião em benefício próprio. No que diz respeito ao amor ao próximo, este pode ser pervertido em projeção do nosso eu no outro. Certos protecionismos, sobretudo dos pais, são atitudes egoístas de pessoas que se satisfazem nos outros, além de criar dependência, falta de liberdade, aprisionamento do outro. Também o exagero de certas pessoas que se dizem amantes (aqui se inclui o ciúme exagerado) deve ser avaliado, pois o verdadeiro amor deixa espaço para que o outro se responsabilize e sinta-se livre para também amar.

Irmãos, sabeis de que maneira procedemos entre vós, para vosso bem. E vós nos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a palavra com alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações” (1 Ts 1, 5-6). A comunidade dos tessalonicenses nos dá o testemunho de boa vontade. Segundo São Paulo, foram abertos para acolher a Palavra de Deus; com pouco tempo de pregação, tornaram-se ardorosos e testemunhas para outras comunidades. Esta comunidade nos anima a se abrir para o amor, mesmo diante dos desafios. Quando há abertura de coração, as dificuldades e “a falta de aplicação” não se tornam desculpas ou fugas. A abertura transforma o amor em atitude, superando as adversidades. Amar é responsabilizar-se, sobretudo em acolher as oportunidades que Deus nos concede.

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

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