sábado, 24 de setembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO



26º. Domingo do Tempo Comum – A

O que significa, de fato, fazer a vontade de Deus. Jesus nos conta que um pai tinha dois filhos. Um deles disse que iria trabalhar na vinha, mas não foi; o outro respondeu negativamente, mas foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?

O Evangelho deste domingo está nos indagando sobre o verdadeiro sentido da obediência. Obedecer significa estar sob a escuta atenta da Palavra do Senhor, ou seja, entrar de fato no âmago das exigências da Palavra, sem se limitar às convenções que obscurecem o verdadeiro sentido da vontade divina.

Os sumos sacerdotes e os anciãos tinham a religião do falar, porém muitos deles não tinham a sua vida amoldada à Palavra de Deus. Há neles a tendência de se colocar sob a obrigação da lei que leva ao cumprimento dos preceitos como garantia de uma salvação, esquecendo de que a verdadeira salvação nos faz humanos, livres, felizes. A verdadeira fidelidade que o Senhor deseja não passa por palavras ou gestos externos, mas pelo amor. O cristianismo não pode ser instrumentalizado, não pode ser uma espécie de desculpa para criar grupinhos de pessoas aparentemente honestas e de boa índole, nem tampouco ser um amontoado de declarações teóricas que não conduzem à verdadeira vida. O cristianismo genuíno conduz cada pessoa a ser ela mesma, a ser pessoa humana, a ser feliz. Felicidade esta que não depende de rótulos, nem de exterioridades, mas do modo como cada um responde ao convite amoroso do Senhor.

Seguir o Cristo é mais do que uma adesão de palavras, é mais do que uma frequência ao culto... Quando Aparecida convida a Igreja a ser missionária, não está interessada apenas em aumentar a quantidade de pessoas nos templos, mas encantar mais e mais pessoas a viverem transformadas pela força renovadora do Evangelho. Queremos pessoas éticas, que vivem uma coerência de vida, pela radicalidade do Evangelho e não pela radicalidade das convenções sociais e do aproveitamento das oportunidades. Lembremos que entre os milhares de políticos corruptos que nos deixam sem muitas opções no dia das eleições, estão ex-alunos de escolas católicas, além de batizados e confirmados que fizeram primeira Comunhão. Os que receberam os sacramentos não deveriam buscar a configuração ao Cristo? Talvez nossa evangelização não tenha tido força suficiente para convencer muitos da alegria em seguir o Senhor e da beleza da Palavra de vida e de salvação do Evangelho.

A sociedade de Jesus fazia uma distinção clara entre bons e maus, pecadores e santos. Os religiosos tinham como que um carimbo no rosto. Estes carimbos sociais e religiosos de nada valem para Jesus. Tal reflexão deve questionar a cada um de nós que nos dizemos seguidores do Cristo. Assim, não importa apenas frequentar a comunidade, comungar semanalmente, estar nos registros dos computadores da secretaria paroquial. Importa, sim, descobrir como obedecer ao Evangelho da vida, do amor, da gratuidade, da humildade, da compaixão... Por isso, fica o alerta claro de Jesus: “os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino dos céus...”.

A primeira leitura nos diz que sempre há tempo para mudar de conduta, como fez o filho mal criado do Evangelho. E alerta: se não fizermos a vontade do Senhor, seremos responsáveis pelos nossos pecados. Portanto, há uma responsabilidade individual pelas nossas escolhas. Somos responsáveis pelo que fazemos de nossa vida, não adianta culpar a Deus ou aos outros. A vida está em nossas mãos: cabe a nós decidirmos o que queremos fazer com ela. Muitos hoje não se sentem arrependidos, não colocam a mão na consciência. A ausência de Deus na vida, certamente, é a grande responsável pela falta de mais ética e de maior respeito pela vida dos irmãos.

Na segunda leitura, São Paulo nos ensina que obedecer é fazer como Cristo fez: “Tendes os mesmos sentimentos de Cristo...” (Fl 2,5). Cristo se despojou, se humilhou. Poderia se prevalecer do fato de ser Deus, usar o seu messianismo para impor o Reino com poder, mas não o fez. Cristo realiza sua kenosis, ou seja, seu rebaixamento, aniquilamento, humilhação até a morte. Aqui está o escândalo: Deus morre em uma morte humilhante, não combate com a força, mas vence com a força da misericórdia e da vida doada. O primeiro Adão quis ser igual a Deus e pecou pelo orgulho, pela sede de grandeza. Ao se fazer grande, foi reduzido e humilhado. Cristo, o novo Adão, ao se fazer pequeno, tornou-se exaltado pelo Pai. Quantas vezes queremos nos prevalecer, queremos ser grandes e vencer... Nossa sociedade competitiva não tolera a derrota, a humilhação. Somos treinados para reagir com violência diante daqueles que promovem a violência, com agressividade. O convite do Evangelho é o paradoxo do amor.

Somos convidados a termos os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que se traduzem em coerência com a vontade do Pai, humildade e tolerância. Os sentimentos de Cristo nos fazem repensar o que é ser cristão, ser discípulo, no mundo marcado pelo caminho fácil da corrupção, da vaidade e da aparência.

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!”

(2Cor 12,9).

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