sábado, 17 de setembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO



25º. Domingo do Tempo Comum – C

Nosso Deus é imprevisível. Ele não age dentro de nossos esquemas humanos. Ele age como quer, sem que possamos controlar o seu modo de agir. Não podemos controlar Deus, manipulá-lo, fazer dele o que queremos. Há o grande perigo de criar um deus de acordo com os nossos critérios e, pior, proclamar um deus falso, um ídolo. Temos a tendência de construir um deus previsível e domesticado que funciona de acordo com o nosso modo de pensar. Por isso, adverte o profeta Isaías: os meus pensamentos não são como os vossos pensamentos (1ª. Leitura). Também não temos o direito de questioná-lo, de prová-lo como fizeram os funcionários da primeira hora no Evangelho. A graça da vida de fé está em crer na imprevisibilidade divina como uma resposta gratuita de quem acolhe a vontade de Deus.

Jesus conta a parábola dos trabalhadores da Vinha. A Vinha é o Reino de Deus e os trabalhadores somos todos nós. O ensinamento de Jesus nos coloca diante de um pensamento divino que não se encaixa facilmente com o pensamento humano – a gratuidade.
O Senhor convida e dá a todos o mesmo salário, o que parece injusto. Para Jesus, Deus não fez curso de contabilidade, nem de matemática; não está sempre de lápis na mão a fazer as contas das pessoas para que lhe paguem conforme os seus merecimentos. Todos merecem o mesmo, ao seu critério, principalmente os que são excluídos, como acontecia com várias categorias de pessoas na sociedade palestinense no tempo de Jesus: mulheres, crianças, pequenos, pobres, analfabetos, doentes, prostitutas, estrangeiros, cobradores de impostos... Não precisavam fazer todos os ritos e prescrições de purificação para voltar a Deus. O que importava e importa é crer em Jesus, crer no Reino, trabalhar na Vinha... Entender a matemática inovadora de Deus coloca-nos na realidade deste Reino, que deve mudar o nosso modo de avaliar a nossa própria vida e as pessoas.

Os trabalhadores do evangelho não se alegraram com o benefício dos últimos. Aqui está o alerta para que ninguém se julgue mais santo, mais espiritualizado, mais envolvido com o trabalho do Reino. Quem se julga melhor do que os demais já se exclui de modo automático da dinâmica do Reino. Tal dinamismo não está fundado na justiça falsa da hipocrisia, mas na gratuidade amorosa e misericordiosa do Deus de Jesus Cristo.

Como aqueles trabalhadores, muitas lideranças das comunidades correm o risco de se identificar com os empregados reclamões. A Igreja pode ser o esconderijo daqueles que querem benefícios pessoais, manipulando o trabalho pastoral em favor de si mesmos. Vir a Igreja ou trabalhar nas pastorais não é garantia da salvação. O caminho eclesial é a mediação para que o Reino seja acolhido na vida. Para isso, é necessário purificar o coração para que nele haja apenas espaço para a reta intenção. É imprescindível que se elimine qualquer julgamento, bem como qualquer desejo egoísta de engrandecimento. Se colocar na humildade de quem não merece é o caminho para se tornar merecedor: eis um dos paradoxos do Reino de Deus.

Nossa postura de discípulos deve ser de abertura, diferente dos empregados que reclamam. Constata-se em nossas Igrejas a discriminação de pessoas que não cumprem as determinações legais. Nem sempre os novos participantes são bem aceitos para ingressarem nos grupos de nossas comunidades. Muitos rostos novos se aproximam de nossas comunidades com uma fé simples e um entusiasmo grandioso e não encontram espaço de acolhida ou não são convidados a ingressar nos grupos. Os que demonstram muito entusiasmo pela alegria da novidade da vida em Cristo e da comunidade podem ser facilmente mal avaliados. A alegria de quem recebe sua moeda depois de ter chegado tardiamente para o trabalho pode ser muito maior daquele que já está na Vinha há muito tempo, apenas por obrigação.

O Evangelho de hoje nos adverte contra a inveja, ou seja, o ódio pela felicidade do outro. É um sentimento inadequado para quem se deixou tocar pelo amor de Jesus Cristo. Se já é demais não se alegrar com o benefício de quem nos fere, pior ainda é odiar o ganho alheio. É preciso ter a grandiosidade de alma para saber que Deus ama a todos.

Deus quer a nossa conversão: “Buscai o Senhor enquanto pode ser achado!” (Is 55,6). E como nos diz São Paulo “Para mim viver é Cristo” (Fl 1,21). Trabalhar na vinha do Senhor é se converter, configurando a vida ao modo de viver do próprio Cristo. Hoje todos nós pecadores ganhamos do mesmo salário, da mesma moeda. É bem mais que um salário terreno, pois recebemos o Corpo e o Sangue do Senhor. Convertidos ao amor do Senhor, que ninguém fique com inveja, pois tem pra todos e ainda sobra. É sempre assim na mesa do Reino de Deus.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!" (2Cor 12,9)

Um comentário:

  1. adicionei o seu blog na minha lista de blogs!!Deus te abençõe !!bjs!!
    da uma olhadinha no meu: http://cantinhoreligioso-juliana.blogspot.com/

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