sábado, 10 de setembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO


24º. Domingo do Tempo Comum – B
 
 Jesus deixou evidente a gratuidade do Reino, manifestou o seu amor misericordioso por suas obras e palavras. A gratuidade consiste no amor que não cobra, que se destina aos que não merecem. Por isso, Jesus acolhia os pecadores e não suportava ver tantas pessoas excluídas pelo que fizeram ou porque foram taxadas pela sociedade do seu tempo. Jesus comia e gostava de fazer festas com os publicanos (ladrões que se aproveitavam dos tributos); também fazia banquete com muitos que eram considerados pecadores: com os pobres, desgraçados, pedintes... Jesus se deixava tocar por mulheres de má fama, ofereceu o perdão como cura, perdoou uma adúltera arrependida. Ninguém poderia jogar pedras contra aquela mulher, porque todos se encontravam na mesma situação: Levi, Zaqueu, Simão, e também eu e você – todos entram na lista misericordiosa de Jesus, ninguém fica excluído. O auge de sua misericórdia foi oferecer a sua própria vida por pessoas que não aceitaram a sua mensagem, fugiram, ou mesmo o crucificaram como um bandido.

Suas parábolas de misericórdia são bem conhecidas. Não podem ser compreendidas pela nossa matemática de justiça que dá a cada um somente o que merecem. Assim, Jesus nos diz que é preciso deixar as noventa e nove no aprisco e buscar aquela única perdida e pagar o mesmo salário para empregados que iniciaram a diária em horários diferentes. O Deus de Jesus Cristo prefere o pedido de perdão resignado do publicano ao invés de tantas obras “santas” oferecidas por um fariseu.

A gratuidade de Jesus se manifesta no perdão. Perdão vem de perdonare, que significa estar sempre disposto a dar amor. Tal atitude não tem medida, não tem limites. Na matemática de Jesus, setenta vezes sete significa perdoar sempre. Talvez Pedro quisesse que Jesus estabelecesse um número limite.

O convite do Evangelho de hoje é para que tenhamos a mesma atitude divina. O seu amor é a medida para avaliarmos o nosso amor. Na parábola que Jesus conta no Evangelho, o patrão perdoa muito - dez mil talentos. Um talento equivalia à cerca de 36 Kg e podia ser em ouro ou em prata. Dez mil talentos é, portanto, uma soma incalculável que demonstra que a misericórdia de Deus é infinita. Por outro lado, o perdoado não é capaz de fazer o mesmo. É claro que Deus não deseja puni-lo, mas o Evangelista é enfático para mostrar que precisamos perdoar. Fica também evidente como é difícil agirmos como Deus: guardamos rancor, não amamos ainda o suficiente. Há quem argumente dizendo que não revidar é não ter personalidade, é ser fraco.

O livro do Eclesiástico ainda exorta para que não guardemos rancor. O rancor destrói a nós mesmos: deixa-nos amargos, entristece a vida e ainda nos neutraliza diante do perdão divino. Há estudiosos que afirmam que graves doenças estão associadas ao rancor acumulado. Receber o amor misericordioso de Deus é o caminho para que não os rancores desapareçam. Assim, deixamos para trás o passado e olhamos para frente.

Jesus fazia banquetes com os pecadores. Hoje faz um banquete de perdão para nós. Ele é per-dom-amare – sempre dá amor. Sempre oferta seu Corpo e Sangue. Nós não somos dignos de que ele entre em nossa morada. Os impuros recebem no coração Aquele que lava com a água viva toda impureza. Deus não veio para os santos, nem para os limpos ou sãos; veio para os doentes e pecadores.

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
Sei pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente, o filho que
continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado.
Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.
Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho como está se sentindo agora? Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos.
O pai, então, lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

(Autor desconhecido)

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!" 
(2Cor 12,9)

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