sábado, 3 de setembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO


23º. Domingo do Tempo Comum – A

O Concílio Vaticano II trouxe a beleza da teologia do Povo de Deus. Embora sejamos pecadores e frágeis, nós cristãos somos um povo consagrado, sinal do Reino, sacramento e lugar de salvação. A comunidade é o lugar do encontro fraterno e amigo, da partilha da vida, da reunião dos que acreditam no mesmo Deus e no mesmo projeto. Precisamos uns dos outros para ganhar forças no abraço, na celebração, na oração, na festa! Se é bom encontrar a família e os amigos para um happy hour, quanto mais precioso é encontrar os irmãos de fé para celebrar a mesma fé no Ressuscitado no dia do Senhor.

Infelizmente esta beleza é, por vezes, obscurecida. Prega-se um cristianismo sem comunidade, como se bastasse a intimidade de cada um com o seu Deus. Não é possível ser cristão sozinho, na privacidade, pois Deus constituiu um povo para salvar e ser sinal do Reino.  Enquanto o nosso mundo cria várias formas de individualismos (na internet, na TV, nos condomínios...), Proclamamos pela nossa fé que o encontro com Deus se dá em comunidade.

Uma comunidade, porém, não é um lugar de pessoas perfeitas, mas de pessoas que caminham para a santidade. Como nos diz a Oração Eucarística V, “somos um povo santo e pecador”. Não podemos nos proclamar melhores dos que os outros, como alguns grupos religiosos. O cristão não é melhor do que ninguém, pois o seu tesouro é o próprio Deus que santifica a Igreja. Por isso, o Evangelho de Mateus reflete a vida de uma comunidade bem concreta, com suas bênçãos e limites. Entre os limites, estavam as desavenças entre os membros da comunidade.

Alguém sempre pisa na bola. Quando o irmão erra, não pode haver um julgamento premeditado. O cristão não julga, não deve sair falando pra todo mundo sobre a vida alheia. Infelizmente, este é um pecado frequente: destruímos o outro, sem procurar entender o seu erro, sem ouvi-lo, sem corrigi-lo fraternalmente, na caridade. Há um itinerário da correção fraterna: primeiro conta-se em particular, depois se chama mais um irmão, depois se leva para a comunidade. Ou seja, antes de qualquer coisa, devemos conversar com a pessoa, sendo sua sentinela (aquele que observa e avisa), tendo bem claro que não se adverte por ódio ou por espírito de grandeza, mas se exorta por amor e com amor, com o objetivo de trazer a pessoa de volta. Também se conversa com o próximo para que não sobrem rancores no coração, pois estes que destroem até mesmo a nossa saúde.

O Evangelho de hoje nos diz que chega um momento em que a comunidade trata o pecador como um pagão. É preciso entender bem: a Igreja não exclui ninguém, são as pessoas que se excluem. A expressão mesmo que pareça arcaica, é ainda usual: trata-se da excomunhão. Não se trata só de uma pena: quem não partilha da mesma fé, da mesma experiência já se excluiu, já se auto-excomungou. Quando alguém deixa de acreditar ou de viver a mesma fé, ela mesma se exclui da Igreja. Quem deixa de viver o tesouro da vida em comum, já se excomungou.

Hoje falamos muito de acolhida. Não temos o direito de ficar julgando a comunidade. Julga-se muito facilmente as lideranças; outras vezes, trata-se com dureza os casais de segunda união, aqueles que não são muito frequentes na comunidade ou os que vem apenas para pedir os sacramentos. Precisamos converter o coração e nos tornar abertos, pois Deus tem um coração grande, onde todas as pessoas podem encontrar lugar. Não devemos tomar alguns preceitos para classificar as pessoas. Ninguém que adentra a comunidade dos fiéis precisa de rótulos como “não participante”, “canonicamente irregular” ou “pessoa que não é da Igreja”, nem mesmo alguém pode se achar mais membro da comunidade, por estar nela há mais tempo. A comunidade é o lugar onde todos devem ter espaço.

Ainda o coração dos pastores dói diante das normas relativas à distribuição da Sagrada Comunhão, quando muitos bons cristãos sentem-se excluídos por não participarem da mesa eucarística. Diante da lei, não devemos intensificar ainda mais o aspecto jurídico em favor da exclusão, pois acima de qualquer norma canônica está o amor. São Paulo já disse: que ninguém tenha dívidas, que ninguém guarde divisões em seu coração; e que acima de tudo reine o amor.

Ainda uma palavra sobre a oração em comum. O Evangelho nos diz que quando estamos em comum acordo para pedir, Deus nos atende. A oração sempre nos une. Parece que é fácil reunir a comunidade para orar, mas será que temos comum acordo no que desejamos? Não serve de nada todos se unirem para que cada um se preocupe tão somente consigo mesmo.

Guardemos hoje no coração um bom princípio proferido por S. Agostinho: “Ame, e faça o que quiser!”

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

Um comentário:

  1. Olá! Como estamos no mês de Setembro, dedicado à BÍBLIA, a melhor homenagem que podemos fazer à Palavra de Deus é acolhê-la e procurar vivê-la na vida a cada dia. Nela sempre temos uma resposta, uma luz para todas as situações da vida.
    É uma satisfação visitar este blog, aproveito e mando um abraço em nome de todos os guarapuavanos para a amiga Angela!

    Reinaldo

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