segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Chamados a semear o verbo...


No princípio era a semente da Palavra e a semente da Palavra estava junto do semeador. Para alegria do semeador a Palavra-Semente tornou-se espiga...

A semente da Palavra é a fecundidade de todas as coisas e nada teria existido sem Ela. Foi semeada em terreno pedregoso e cheio de espinhos. Não foi acolhida. Mas um coração acolheu-a, tornando-a fecunda. A semente, isto é, a Palavra cresceu e produziu fruto.

O divino semeador ficou feliz, porque a Sua semente, o Verbo da Vida, semeado no coração do ser humano, produziu fruto, retornando a ele em plenitude. Ninguém jamais viu o semeador, mas a espiga madura lhe dá testemunho, porque nela se percebe a alegria do semeador.

Em cada Eucaristia Jesus é semeado em nós de maneira sempre nova.  A mesa da sua Palavra semeia em nós a sua semente a ser escutada, meditada, rezada, contemplada, vivida, anunciada e testemunhada.

O aparecimento da Palavra não teve grande repercussão. “Veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” (Jo 1, 11). Jesus desapareceu na terra como uma “pequena semente”, quase invisível.

Pouco tempo depois, porém, de forma lenta e progressiva, a semente começou a germinar. O seu Evangelho começou a fazer fermentar a humanidade inteira. Hoje, podemos confirmar que a mensagem do semeador está atingindo e transformando o coração dos seres humanos.

Ainda vale a pena anunciar a Palavra a pessoas que não querem ouvi-la? Nem praticá-la?  Não estamos trabalhando em vão? Não!

Paulo pede insistentemente que Timóteo proclame a Palavra no tempo oportuno e inoportuno, com toda paciência e doutrina (cf. 2 Tm 4, 1-2).

Há na semente e na terra uma força intrínseca. A semente germina e cresce. Como? O semeador não sabe. Esta força intrínseca é a fidelidade do Pai manifestada em Cristo-Semente, semeada no terreno da humanidade.

Diz o Profeta Isaías: “Escutai, ouvi bem o que eu digo e comereis o que há de melhor; o vosso paladar se deliciará com o que há de mais saboroso” (55, 2).

A escuta é a chuva conservada pelo terreno que mantém a boa qualidade, a fim de que a semente cresça e um dia se torne pão... A chuva do alto e a humildade do terreno fizeram a semente crescer e amadurecer.

Terminou a hora do parto. Jesus semeado em nossa vida produziu fruto. Com a sua habitação em nós, a espiga de nossa vida está madura para ser moída com Ele. Gememos e sofremos. Mas não morremos... Gritamos e cantamos de alegria: com Ele somos pão da vida... Para tantos irmãos e irmãs que precisam

“Receber o Verbo significa deixar-se plasmar por Ele, para se tornar, pelo poder do Espírito Santo, conforme a Cristo” (VD, 50). Enfim, olhemos para Maria, Virgem do silêncio. Ninguém acolheu e pôs em prática a Palavra de Deus como Ela.

Dom Nelson Westrupp, scj
Bispo Diocesano de Santo André - SP

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