domingo, 25 de setembro de 2011

Animação Bíblica e Pastoral

A poucas semanas do Congresso Nacional sobre a Animação Bíblica da Pastoral que acontecerá em Goiânia (GO) de 08 a 11 de outubro, gostaria de insistir sobre a importância da Bíblia para toda atividade evangelizadora da Igreja.

Frei Bernardo Cansi, grande catequeta, dizia, pouco antes de morrer: “Digam aos catequistas: ‘amem, amem a Bíblia’”. O que é válido para a catequese, também o é para todos os movimentos e pastorais.

Para nós cristãos, a Bíblia é Palavra de Deus. Através dela, Deus se comunica conosco. A finalidade da leitura da Sagrada Escritura é o encontro com o próprio Jesus, Palavra de Deus encarnada no meio de nós. Através da vida de Jesus, podemos ver o rosto do Pai.

A Bíblia revela também o homem a si mesmo. É um espelho que reflete nossos sentimentos e atitudes. Ilumina nossa própria humanidade. Nossos afetos e comportamentos, como nossas alegrias e sofrimentos encontram nos textos bíblicos uma luz capaz de dar sentido ao que vivemos. A leitura da Palavra de Deus ajuda a humanizar as nossas vidas. E tudo o que é vivido profundamente abre as portas para divinizar nossa existência.

No entanto, acredito que não é qualquer leitura que propicia isso. Uma leitura fundamentalista – ao pé da letra e fora do contexto – pode ser um veneno para a nossa fé. Por isso é de fundamental importância um estudo sério dos textos bíblicos através do que a hermenêutica moderna nos oferece. A análise histórico-crítica e o conhecimento dos gêneros literários da época são fundamentais para uma verdadeira interpretação. Mas isso não é suficiente, precisamos ir além destes tipos de análises e ver o significado mais profundo do texto: o que Deus quis nos revelar. O que chamamos de leitura teológica ou espiritual. Disse Bento XVI a esse respeito: “Somente quando se observar os dois níveis metodológicos, histórico-crítico e teológico, é que se pode falar de uma exegese teológica, de uma exegese adequada a este livro” [1]. Estudar a Bíblia não basta. Mesmo que isto seja fundamental, é preciso ainda descobrir o sentido profundo do que Deus nos quer comunicar através do texto.

A Palavra de Deus é vida. Por isso os santos são os melhores intérpretes da Bíblia. Olhando suas vidas, descobrimos que é possível viver os valores do Evangelho, reescrevê-los com a própria vida, como dizia Charles de Foucault. Ainda escreve Bento XVI a este respeito: “...que a nossa vida seja aquele ‘terreno bom’ onde o Semeador divino possa semear a Palavra para que produza em nós frutos de santidade...” [2]

A insistência sobre a animação bíblica de toda a pastoral foi uma grande contribuição da América Latina no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja (2008). Com efeito, a Bíblia está presente na liturgia onde ela alimenta os fieis. “Realmente presente nas espécies do pão e do vinho, Cristo está presente, de modo análogo, também na Palavra proclamada na liturgia” [3]. Em outras palavras, na liturgia Palavra celebrada é sacramento da presença de Cristo.

A Bíblia é também a referência central na catequese. Como Jesus Ressuscitado, os catequistas são chamados a aquecer os corações dos catequizandos ao explicar as Sagradas Escrituras[4]. A iniciação à fé encontra na Palavra de Deus um caminho seguro para amadurecer as pessoas na vida cristã, qualquer que seja a idade.

O estudo bíblico não deve parar quando se termina a catequese. Necessitamos encontrar caminhos para uma formação continuada ou permanente. Como a vida sempre traz novos questionamentos, novas respostas também precisam ser procuradas na Palavra de Deus. Pequenas comunidades reunidas com frequência em volta da Bíblia ajudam muito no crescimento da fé. A troca de experiências faz crescer o entendimento das Sagradas Escrituras.

Todas as pastorais, todos os movimentos e todas as associações são chamadas a uma conversão pastoral, colocando a Bíblia no centro dos seus estudos e orações.

A Bíblia é o primeiro livro de oração. Hoje, fala-se muito da leitura orante ou lectio divina. Mais importante que os métodos – mesmo se eles são importantes – é o fato de que a Palavra de Deus ajuda os fieis a entrar na intimidade com Deus, a enamorar-se d’Ele[5].

Não basta apenas escutar a Palavra, é urgente colocá-la em prática. É necessário “traduzir em gestos de amor a palavra escutada, porque só assim se torna crível o anúncio do Evangelho, apesar das fragilidades humanas que marcam as pessoas” [6].

Desejo que o 1º Congresso Nacional de Animação Bíblica possa entusiasmar os participantes para que a Palavra de Deus seja conhecida, amada e vivida.

Dom Eugênio Rixen
Bispo de Goiás



[1] Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Verbum Domini, São Paulo, Ed. Paulinas, 2010, nº. 34.
[2] Ibid, n.º 49.
[3] Ibid, n.º 56.
[4] Cf. Lucas 24,13-45
[5] Cf. VD, nº. 86
[6] Ibid, nº. 103

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