quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Soluços de evangelização

* Por Alberto Meneguzzi

Os catequistas são heróis sonhadores. Se não fossem assim,  desistiriam. Sonhar, sonhar, cada vez mais sonhar, é o que move o trabalho anônimo de muitos catequistas. Sonham com jovens e crianças interessadas pela catequese, com pais presentes, com comunidades que entendam o real sentido do trabalho. Catequistas são heróis, e sonhadores, porque sonhar é preciso.

E o que seria das nossas paróquias se não houvesse os catequistas sonhadores?  Para alguns, que não entendem bulhufas o que é o trabalho e o que representa  ser um catequista, nada mudaria. Em muitas comunidades, e isso é real, quando uns saem outros já estão sendo convidados. Não importa de que forma, mas sempre tem alguém que aceita o convite para ser  catequista. E por ser tão fácil assim, e necessário, é que muitos são convidados na pressa e acabam aceitando sem preparo algum, apenas para que crianças e jovens não fiquem desamparados. Seria uma vergonha ter gente “matriculada” na catequese e não se ter catequistas suficientes para “dar aulas” para eles. É assim que pensam algumas lideranças paroquiais que coordenam a catequese em diversas paróquias deste imenso país. Também pensam assim, muitos padres, párocos, vigários, irmãs e até alguns bispos. E aí, entram também muitos palpiteiros e eles existem aos montes no trabalho pastoral, principalmente quando o assunto é a catequese. 

A catequese precisa ser isso, ou aquilo ou acolá, dizem alguns, que nunca pisaram numa sala de catequese e pouco conversam com os catequistas a respeito do assunto. E por necessitar ser assim, desse jeito, ou daquele outro jeito, é que vamos andando a passos lentos na tentativa de fazer as coisas de forma diferente, como pedem os documentos da igreja e os diretórios da catequese, material esse que a grande maioria dos catequistas ainda nem ouviu falar.

Temos, nesse imenso Brasil, um batalhão de catequistas com boa vontade, gente que se dispõe ao trabalho evangelizador, mas que no fundo sabem pouco ou nada da real missão que lhes foi confiada. Temos, ainda, uma multidão de catequistas que literalmente são “jogados aos leões”, sem preparo nem formação, sem nenhum tipo de orientação de como agir perante jovens, crianças, adultos e seus pais ou responsáveis, apenas com a missão de “fazer o encontro” e “preparar alguém para o sacramento”, como se a catequese fosse um cursinho qualquer.

Apesar de tudo, a catequese anda.  Ainda somos milhões de catequistas em todo o Brasil. Outros tantos milhões de crianças, jovens e adultos procuram a Igreja Católica para serem catequizados.  Mas, boa parte desses que nos procuram anualmente para “fazer a catequese”, saem dela da mesma forma que entraram. Em alguns casos, até piores. Não perseveram. Não vivem em suas comunidades. Não atuam em prol de um projeto maior. Passam a existir apenas nos registros comunitários, e depois, nas estatísticas do IBGE.

Por isso, num período que lembramos leigos e catequistas, onde milhares de homenagens serão feitas nas celebrações do final de semana e outras tantas jantas acontecerão nesse ou naquele restaurante, e onde tudo poderá parecer perfeito, é que eu lembro a importância de sonhar.  Não dá para caminhar do jeito que muitas comunidades caminham, sem planejamento, sem estrutura, sem formação, sem oração, onde cada catequista faz o que quer e cada comunidade adota o modelo que quiser e o manual que bem entender.

Não dá mais para ser assim. É preciso muito mais do que boa vontade e heroísmo. Precisamos entender a missão, a nossa responsabilidade, a importância de fazermos uma catequese que transforma, toca corações e  modifica a sociedade. Eu acredito que é hora, mais do que nunca, de refletirmos sobre qual a catequese que queremos. Não dá mais para ficar maquiando, achando que tudo está bem, quando não aprofundamos as análises, não avaliamos a caminhada e nem projetamos passos diferentes.

O dia do catequista, para mim, não é para festa. Deveria ser, isso sim, um momento de profundo recolhimento, com um olhar crítico para o “umbigo” de cada paróquia e com reflexão real do que realmente acontece quando o assunto é catequese e a ação dos catequistas.

Se não for assim, são apenas paliativos, remendos, soluços de evangelização, que animam por algum tempo, mas  que não transformam e nem apresentam o essencial, ou seja, a proposta salvadora e transformadora de Jesus Cristo.

Mas para isso,o catequista precisa, antes de tudo, ser transformado, para que depois  ele possa transformar.

Se não for assim, é tarefa que qualquer um faz e Deus não escolhe qualquer um para ser seu discípulo e missionário.


*Alberto Meneguzzi é escritor, jornalista, relações públicas, radialista e catequista. Autor dos livros “Paixão de Anunciar” e “Missão de Anunciar”, publicados pela Editora Paulinas.

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