sábado, 27 de agosto de 2011

HOMILIA DO DOMINGO


Como Jeremias na primeira leitura, há muitos catequistas neste Brasil que, apesar dos desafios de cada dia, não desanimam da missão de levar o próprio Cristo às pessoas. No seu dia, destaco que milhares de homens e mulheres não se conformaram com os esquemas deste mundo, mas sonham com uma vida com mais Deus e mais amor. São eles os profetas que hoje se deixam invadir pelo fogo do Espírito!

Parabéns a todos os catequistas!

Pe. Roberto Nentwig
"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!" (2Cor 12,9).


HOMILIA - 22º Domingo do Tempo Comum

Jeremias, na primeira leitura, aparece desanimado, pois a Palavra de Deus é um grande peso para ele. De fato, diante das perseguições e incompreensões, parece que não tem mais sentido levar a missão em frente. O texto nos diz que Jeremias foi “seduzido”, talvez a tradução mais adequada seria “enganado”. Ou seja, Deus atraiu Jeremias para a missão, mas o profeta não sabia quantas agruras descobriria no caminho. É preciso mencionar que o profeta foi, no final, invadido por um fogo, um ardor que não o deixou desistir do seu encargo. A tônica da primeira leitura e do Evangelho é o susto que nos causa o seguimento genuíno: se no início da vida em Deus temos as consolações do espírito, no meio do caminho percebemos as exigências da missão. Certamente, são momentos desoladores e que nos fazem purificar nossa experiência religiosa.

Quanto ao Evangelho, se tomarmos o texto anterior ao deste domingo, percebemos que Jesus estava preocupado com a compreensão dos discípulos sobre o seu ministério. Jesus perguntava a si mesmo: “Será que o povo está entendo o que estou fazendo? Entendem o Reino e a minha missão? O que acham do Messias?” Lembremos que Pedro já havia declarado que Jesus era verdadeiramente o Messias, o que não significa afirmar que o apóstolo sabia o que é verdadeiramente ser Messias.

Como um bom pedagogo, Jesus dá agora um novo passo. O Evangelho de Mateus registra que “a partir deste momento” Jesus começa a falar de sua ida para Jerusalém, onde haveria de ser crucificado. Depois da afirmação de sua messianeidade, o Senhor passa a ensinar que tipo de Messias ele é. Quando o faz, vem a decepção: o mesmo Pedro que declarou Jesus como Messias e recebeu as chaves, repreende o Senhor, pois não quer que o Mestre vá para sofrer em Jerusalém. Pedro quer um messias, mas não qualquer messias: não aceita o messias da cruz! Hoje, do mesmo modo, as pessoas costumam escolher o seu deus, optando geralmente por aquele que é mais conveniente, que não traz algum compromisso sério. Muitos não aceitam o Senhor do Reino da Vida, o Senhor da cruz... Preferem o Senhor dos milagres, dos sentimentos, do individualismo... O grande problema do nosso tempo não é a falta de religião, mas o tipo de religião que a maioria das pessoas escolhe. Há disposição para se acolher o verdadeiro Jesus, ou apenas se deseja um pseudo-Jesus devocional e amoldado ao subjetivismo?

Jesus convida seus discípulos a tomar a cruz. Para ganhar a vida, deverão perdê-la. Não está se referindo “a ir para o Céu depois da morte”, mas da graça que se manifesta em toda a vida, que inicia aqui e agora e que se prolonga na eternidade. Para que a felicidade aconteça na via, é preciso abraçar a cruz das renúncias. O Reino é um dom que exige esforço, desprendimento. Não se trata de uma aceitação resignada da pobreza, da doença, dos dramas da vida, etc. A cruz de Jesus significa uma opção pelos valores do Reino, e estes por sua vez são exigências.

São Paulo fala na carta aos Romanos que devemos ser como hóstias vivas, ou seja, que devemos oferecer um sacrifício espiritual. Deus se oferece no altar, como hóstia viva, e nós também, unimo-nos ao mesmo sacrifício. O mesmo apóstolo nos dá o caminho para tal sacrifício: “não vos conformeis com os esquemas deste mundo!” Podemos facilmente identificar os esquemas que nos levam ao pecado. Sem uma meditação séria e a graça do Espírito, podemos facilmente ser engolidos pelos esquemas deste mundo: o esquema do consumismo, da mentira, da desonestidade, da corrupção, do “jeitinho brasileiro”, do egoísmo... Precisamos entrar no esquema do amor, da misericórdia, da vida comunitária, da justiça, da seriedade. Eis a verdadeira cruz!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

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