domingo, 14 de agosto de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

 20º. Domingo do Tempo Comum – A

Os Israelitas tinham uma visão muito fechada sobre a salvação. Consideravam-se os únicos bons e cumpridores da Palavra de Deus. Na visão reacionária e ortodoxa judaica, Deus teria escolhido este Povo e nenhum outro, portanto a santidade estava neles, e só com eles.

Há na Bíblia, porém, em vários textos, indicativos de uma universalidade da salvação, ou seja, está claro que Deus deseja também a salvação dos não-judeus, como vemos na primeira leitura: o texto de Isaías elogia os estrangeiros que se aproximam de Deus pela observância da lei. No Evangelho Jesus se volta para uma Cananéia, uma estrangeira pertencente a uma raça que sempre conduziu o povo à idolatria. A misericórdia de Jesus se estende também a ela. A Bíblia precisa ser lida em sua totalidade, nunca a partir de textos isolados para que possamos colher a verdade divina da revelação.

Seguindo o tema da abertura e da universalidade, os textos deste domingo nos abrem para muitas reflexões.

1) Tornar-se membro da comunidade de Cristo e encontrar a graça da cura não é uma questão de raça, cor, condição social, formação acadêmica, até mesmo da participação dos sacramentos. Para encontrar a salvação de Cristo é necessária a humildade: “os cachorrinhos também merecem as migalhas...” É necessário que se acolha o dom. Não podemos por limites a misericórdia de Deus, pois Deus é pura gratuidade, não se importa com as convenções humanas e nem com as pseudonormas religiosas.

2) Será que todos encontram hoje na Igreja um verdadeiro espaço de comunhão, de amor, de fraternidade? É muito comum as “panelinhas” que são donas da Igreja (os donos das chaves das portas!), além da constante discriminação de muitas classes e grupos. Os homens e as mulheres, os casados, divorciados e amasiados, os pobres e os ricos, os instruídos e os analfabetos, os conhecidos e os desconhecidos, os pecadores e os mais justos, os jovens e os velhos... Todos deveriam encontrar o mesmo espaço na comunidade cristã sem discriminação, pois todos são convidados a comer da mesma mesa.

3) Há um grande risco quando um grupo de considera melhor do que os demais: os de dentro podem perder e os de fora podem ganhar. São Paulo reclamava no domingo passado que os seus irmãos israelitas não se abriram a Cristo. Agora elogia a atitude dos pagãos (segunda leitura). Pode acontecer o mesmo hoje: nós cristãos, católicos de carteirinha e de Batismo, podemos jogar fora a graça da salvação, enquanto que aqueles que são discriminamos e excluídos da Igreja são capazes de encontrar mais facilmente o dom da salvação.

Há ainda um ponto muito interessante no Evangelho: dificilmente recordo uma outra passagem em que Jesus muda de idéia. Alguns estudiosos dizem que Jesus no início de sua vida pública realmente apenas queria se dirigir aos israelitas, mas esta posição não prevaleceu por muito tempo, o que também aconteceu com a Igreja Primitiva, ou seja, tanto Jesus como a Igreja se abririam para a salvação dos pagãos. No Evangelho de hoje, fica implícito uma mudança de atitude, uma mudança de mentalidade. Como é difícil mudar de mentalidade! Exige uma conversão interior, uma disposição interior, uma grandeza de alma. Se Deus foi capaz de mudar, de deixar-se tocar pelas palavras de uma estrangeira desprezada, também nós devemos agir do mesmo modo. Diante dos nossos fechamentos, também precisamos de uma atitude de mudança. Em certos momentos da vida, é preciso reconhecer que estávamos errados, mudando a direção do pensamento e das atitudes.  

A insistência humilde da Cananéia toca o coração de Deus. Hoje devemos nos colocar na mesma atitude daquela mulher que perturbou a tranquilidade de Jesus e dos discípulos. A persistência humilde é o caminho para se alcançar o que se deseja.

As palavras da Cananéia emocionam o nosso coração. Hoje nos encontramos na mesma posição daquela mulher que implorava a cura da filha, indo ao Senhor como cachorrinhos em busca das migalhas. Não somos nada, não podemos ser orgulhosos ou pretensiosos. Diante da nossa humildade, Jesus nos dá muito mais do que merecemos. Pelo Sacramento, Ele nos dá muito mais do que migalhas de pão, pois nos deixou de presente o Pão da Vida.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba – PR

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