sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A essência de um verdadeiro “Pai”


Dia dos Pais. Quando a gente chega lá pelo meio da vida, nem sempre temos mais “ele” aqui presente para homenagear. Do meu, que partiu quando eu tinha doze anos, tenho poucas e queridas lembranças, o que sei, é um privilégio. O de lembrar-se do pai ou de qualquer pessoa que partiu, com amor e saudade, sem cobranças.

E a propósito disso, lembrei de um filme que assisti ainda ontem. Que me deixou aqui pensando no papel que o “pai” tem nessa nossa mudança de época. No filme, a protagonista de repente se vê, depois dos 30 anos, confrontada pelo possível declínio de sua fertilidade, sem ainda ter um filho. E resolve, apesar dos conselhos do melhor amigo, recorrer a uma fertilização. Ou seja, escolhe um doador de esperma. Entre erros e acertos, o filme tem um final feliz, com pai, mãe e filho juntos.

O personagem principal do filme, o “pai”, começa a contar a história, falando da “pressa” que o ser humano tem hoje. Já não temos mais tempo para nada. Ter um filho já não é precedido de se buscar um relacionamento estável que dê origem a uma família. Muito menos pensar que crianças precisam ter “Pai” e “Mãe”. Aliás, as famílias hoje podem ter dois pais e nenhuma mãe ou duas mães e nenhum pai, ou só mãe e, mais modernamente, só pai. E nem me atrevo a falar das outras associações...

Mas como não tenho um pai aqui para fazer considerações, vou emprestar o Pai dos meus filhos. Ele foi pai pela primeira vez aos vinte anos. Confrontado pela namorada grávida, não pensou que ainda estava no meio da faculdade e começando sua vida. Nem sequer se deu conta que não tinha idade para constituir uma família, nem suporte financeiro. Simplesmente assumiu a responsabilidade e todas as conseqüências futuras dessa decisão. E aquilo tinha tudo para dar errado: Casamento aos vinte anos depois de um namoro de seis meses, morar na casa dos pais, duas pessoas de temperamentos diferentes e uma criança que ninguém sabia direito como cuidar. Mas temeridade não faz parte do papel de pai. E hoje estamos prestes a completar vinte e cinco anos de casados e com quatro filhos.

Acredito mesmo que ele cresceu e amadureceu junto com os filhos. E muitas vezes é exemplo para mim em minhas ações de mãe. Já o vi ser extremamente brusco e rigoroso com os filhos... e chorar de verdade depois... por ter que tomar este tipo de atitude. Já o vi mandar os filhos tomarem as rédeas de suas vidas e ao mesmo tempo garantir que é impensável eles não recorrerem a ele quando precisarem de ajuda. Ele brinca, conta piadas, fala bobagens com eles, é menino junto com os meninos... Mas jamais admitiu não ser respeitado em sua autoridade de pai. Ele é pai amoroso e carinhoso com a sua filha, o seu “Amozinho”, mas, é um pai que corrige as saias muito curtas, a maquiagem e o “não saber como uma moça deve se sentar”.

Não sei em que escola ele aprendeu a ser Pai. Porque ele não teve pai. Mas eu o vejo rezar sempre pelos filhos. Ele conversa muito com Deus. E essa, acredito, é uma escola de valor inestimável. Já o vi dobrar os joelhos, cair e levantar com a mesma energia.

Sei que ele é um ser humano íntegro e uma pessoa cheia de falhas também. Mas falhas e erros nunca o eximiram de ser um Pai de verdade. Como os pais devem ser: presente mesmo quando longe, amoroso em seu rigorismo, alegre e sempre determinado a alcançar essa alegria, despojado das coisas materiais, mas, dando valor as coisas que conseguiu com o suor de seu trabalho. Ele também se priva de muita coisa pelos filhos, mas nunca de sua própria pessoa e das coisas que o fazem ser “ele”.

Com isso posso dizer que tenho o mais absoluto orgulho dos meus filhos. São três homens de bem, porque têm um exemplo a ser seguido. E digam o que disserem... Para mim, família tem que ter PAI. Mas não qualquer pai, não uma “doação” de esperma. Precisa de um Pai-Presença, de constância, de direção, de amor... Um pai que aprende com os erros e sabe aceitar e corrigir os erros dos filhos.

E, sobretudo, um Pai precisa de essência. E essa essência é Deus. É a fé num Pai Maior que está sempre a olhar por nós.

Ângela Rocha
"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."

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