domingo, 17 de julho de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

16º. Domingo do Tempo Comum – A


Jesus fala muito do Reino. Trata-se do centro de sua pregação. Nós esperamos o Reino, não como um paraíso distante, mas como uma realidade que já acontece aqui e agora.
Na parábola do joio e do trigo, vemos que a realidade não é dualista. O bem e o mal são realidades éticas que integram a vida de todas as pessoas. Fazemos, portanto, coisas que são boas e coisas que não são tão boas. Porém, gostamos de dividir a realidade em dois grupos: de um lado os bons (geralmente achamos que nós estamos neste grupo), de outro lado os maus.
Jesus nos ensina que o trigo cresce com o joio. Ele não deseja arrancar o joio antes do tempo. Nós carregamos o bem e o mal, ainda não somos santos. Precisamos aprender a conviver com o mal, sem se conformar com ele. Não podemos ficar frustrados por ainda não sermos perfeitos, pois não chegamos à plenitude do Reino (e há um caminho longo até chegarmos lá). Precisamos integrar o mal, ou seja, aprender com ele, não dar tanta força para nosso lado sombrio, aceitando o fato de que somos pecadores. E então, sim, caminhamos para a santidade, para que nos configuremos a imagem de Cristo Jesus.
Outro erro seria ficar demonizando os que não agem ou pensam como nós, ou querendo fazer justiça, condenar todo o mal deste mundo. Apenas Deus pode fazer a justiça, só ele vai separar o joio do trigo no fim dos tempos, isso não cabe a nós.
As parábolas de Jesus nos ensinam a termos uma paciência histórica diante da realidade do “já e ainda não”. Poderíamos perder a esperança diante dos males do mundo. A parábola nos ensina a esperar, pois o Reino de Deus cresce gradativamente. Às vezes não tão gradativamente assim, pois há retrocessos históricos no âmbito global, social e pessoal. O importante é que sejamos fermento na massa. Se não cuidamos, o fermento pode estragar.
Diante da maldade do mundo e de nossa maldade, Deus é paciente. Como nos diz o livro da sabedoria (1ª. Leitura): Ele nos governa com justiça, mas atrasa a sua justiça em prol da clemência. Na sua paciência, Deus caminha em meio aos nossos fracassos e nos conduz.
Enquanto esperamos o Reino e construímos o Reino, caminhemos com o Espírito Santo. Nós nem sabemos pedir o que convém, mas Ele sabe dar a graça a necessária. Ele nos ensina a orar. O Espírito geme, ora em nós, deseja profundamente que sejamos felizes. Se não sabemos todos os caminhos, o Senhor sabe do que precisamos para que integremos da melhor forma o seu projeto de amor, mesmo com o nosso joio. A maior oração do Espírito geme para que o Reino venha: Venha a nós o Vosso reino!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS