domingo, 31 de julho de 2011

Deus caritas est

"Um fenômeno importante do nosso tempo é a aparição e difusão de diversas formas de voluntariado, que se ocupa de uma pluralidade de serviços. Desejo, aqui, deixar uma palavra de particular apreço e gratidão a todos aqueles que participam, de diversas formas, dessas atividades. Tal empenho generalizado constitui, para os jovens, uma escola de vida que educa para a solidariedade e a disponibilidade e a darem, não simplesmente qualquer coisa, mas darem-se a si próprios."
Papa Bento XVI, Deus caritas est, nº 30, 2005.

"Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo."
Idem, nº 15
"Deus é Pai e nos ama, ainda que o seu silêncio seja incompreensível para nós."
Idem , nº 38

sábado, 30 de julho de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

18º. Domingo do Tempo Comum – A

Todos têm um pouco de Jó, o personagem bíblico da dor. Trazemos com facilidade uma experiência triste para contar. Em momentos de dor e de exílio, fazemos também a experiência do abandono. Diante do sofrimento é comum que sintamos o não-amor. Seria a ausência do amor divino? São Paulo, que passou por tantas rejeições, por exílios, naufrágios, disputas e prisões, testemunha que nada poderá nos separar do amor de Cristo.

Diante da situação de dor e de exílio, é preciso que aumente em nós a confiança. Porém, é comum desejar um Deus intervencionista, que venha e faça o milagre aqui e agora, que não permita que a dor aconteça. O sofrimento parece ser sinônimo de imobilidade divina. A pobreza, a violência, a guerra, parecem evocar o fato de que Deus não se importa. Se Ele é Deus, por que não faz nada? S. Paulo testemunha que mesmo invocando a intervenção divina diante de um espinho que causava grande dor, Deus apenas o fortaleceu diante de seu desafio, bastando-lhe a graça (cf. 2Cor 12,7-10). O que o mesmo apóstolo nos diz na primeira leitura é que o Senhor nunca deixa de nos amar, mesmo que não pareça. Às vezes age de modo furtivo, quase despercebido. Acima de tudo, seu amor vai além desta vida: é mais forte do que a morte, ou seja, é garantia de nossa ressurreição. Mas nossas vitórias sobre as mortes já acontece aqui e agora... A pergunta atual de São Paulo é um encorajamento a não duvidarmos: “Quem nos separará do amor de Cristo?”

O amor de Deus se manifesta na atitude de saciar a fome. O seu alimento não exige nenhuma paga (Is 55,1): Deus não cobra, Ele alimenta o pobre, o faminto, o pecador. Assim como as dores da vida não nos furtam o amor de Deus, também nossa condição social ou moral não nos impedem de sermos amados e alimentados pelo Senhor. Nem mesmo um grande pecado poderia impedir que Deus continuasse amando. Ele é amor incondicional, gratuito. Se o sofrimento e o pecado geram o afastamento de Deus, é da parte do ser humano, pois Deus não vai embora, apenas respeita a atitude daqueles que se afastam dele.

No Evangelho Jesus alimenta o Povo. Jesus não admite despedir a multidão com fome. Não deixa que “se virem sozinhos”. O Senhor deseja alimentar o seu povo, pois “encheu-se de compaixão por eles”. O amor que não se separa de nós é sinônimo de compaixão (=sofrer com). Deus não tem pena, mas sente em suas entranhas a miséria de quem sofre: este é o sentido bíblico do termo compaixão. Então, intervém com seu amor. Mesmo se não percebemos ou se a graça demora, Ele sofre a nossa dor, tem um coração capaz de se compadecer de nossa dor, é solidário com o ser humano.

Saciar a fome é a antecipação dos bens messiânicos. O Cristo traz o alimento como sinal do banquete eterno – a glória futura é a festa na qual todos poderão comer e beber. Enquanto esperamos o Banquete do Reino, saciamos nossa fome com o pão nosso de cada dia, com o pão da Palavra e da Eucaristia. Hoje, existem muitas fomes. As maiores fomes são mais sofridas do que a fome de pão material. Existe a carência de amor, de afeto, de sentido de vida... Somente o Senhor pode dar o verdadeiro alimento; ninguém e nada mais podem substituir o alimento divino. Hoje, continuamos com a missão de dar o alimento a todos. Não são esmolas no sinaleiro que resolvem o problema social do país; as cestas básicas apenas amenizam fomes. Ouso dizer que há gestos de partilha mais necessários: precisamos partilhar os dons mais sublimes, para que neste mundo o amor seja sentido e brilhe como sinal de vida.
A missa é o local do alimento. Na celebração eucarística começa o Céu, começa a mesa da justiça, da fraternidade, da partilha, nela saciamos nossa fome de paz e de sentido, nela nossa força é restaurada e Deus é o alimento. Na multiplicação dos pães, Jesus realiza um gesto eucarístico (tomar os pães, abençoar, partir e distribuir...), como fazemos na missa. O Senhor está no meio de nós. O Cristo distribui do pão que é Ele mesmo para que tenhamos a Vida Eterna. “Ó vinde vós todos que estais com sede, vinde às águas... Vinde comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite de graça!”

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Catequista e a Animação Bíblica da Pastoral

Nos últimos anos, temos acompanhado a grande preocupação de nossa Igreja e o apelo de nossos bispos para um reaprender e familiarizar-se com o novo vocábulo que é o da “Animação Bíblica da Pastoral”. Obviamente, este termo pode ser novo na nossa linguagem, porém, muito presente na caminhada do povo da Bíblia bem antes da Tradição escrita. Todavia, não encontramos na Bíblia a expressão Animação Bíblica da Pastoral, mas encontramos uma dimensão bíblica que permeia todo agir ético e comportamental do povo de Deus. Um exemplo típico desta transmissão pode ser encontrado no Sl 78 (79) que diz: O que nós ouvimos, o que aprendemos, o que nossos pais nos contaram, não ocultaremos a seus filhos; mas vamos contar à geração seguinte as glórias do Senhor, o seu poder e os prodígios que operou” Os primeiros educadores da fé e ou agentes de pastoral, tinham em mente que o processo educativo da fé se dava pela de transmissão da Palavra de Deus.

No centro da espiritualidade de Israel está a Palavra pela qual Deus se fez conhecer a si mesmo e que ajuda a interpretar os novos acontecimentos da história. Logo, toda ação evangelizadora, tanto no Antigo como no Novo Testamento, era perpassada pela dimensão Bíblico-Catequética.



domingo, 17 de julho de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

16º. Domingo do Tempo Comum – A


Jesus fala muito do Reino. Trata-se do centro de sua pregação. Nós esperamos o Reino, não como um paraíso distante, mas como uma realidade que já acontece aqui e agora.
Na parábola do joio e do trigo, vemos que a realidade não é dualista. O bem e o mal são realidades éticas que integram a vida de todas as pessoas. Fazemos, portanto, coisas que são boas e coisas que não são tão boas. Porém, gostamos de dividir a realidade em dois grupos: de um lado os bons (geralmente achamos que nós estamos neste grupo), de outro lado os maus.
Jesus nos ensina que o trigo cresce com o joio. Ele não deseja arrancar o joio antes do tempo. Nós carregamos o bem e o mal, ainda não somos santos. Precisamos aprender a conviver com o mal, sem se conformar com ele. Não podemos ficar frustrados por ainda não sermos perfeitos, pois não chegamos à plenitude do Reino (e há um caminho longo até chegarmos lá). Precisamos integrar o mal, ou seja, aprender com ele, não dar tanta força para nosso lado sombrio, aceitando o fato de que somos pecadores. E então, sim, caminhamos para a santidade, para que nos configuremos a imagem de Cristo Jesus.
Outro erro seria ficar demonizando os que não agem ou pensam como nós, ou querendo fazer justiça, condenar todo o mal deste mundo. Apenas Deus pode fazer a justiça, só ele vai separar o joio do trigo no fim dos tempos, isso não cabe a nós.
As parábolas de Jesus nos ensinam a termos uma paciência histórica diante da realidade do “já e ainda não”. Poderíamos perder a esperança diante dos males do mundo. A parábola nos ensina a esperar, pois o Reino de Deus cresce gradativamente. Às vezes não tão gradativamente assim, pois há retrocessos históricos no âmbito global, social e pessoal. O importante é que sejamos fermento na massa. Se não cuidamos, o fermento pode estragar.
Diante da maldade do mundo e de nossa maldade, Deus é paciente. Como nos diz o livro da sabedoria (1ª. Leitura): Ele nos governa com justiça, mas atrasa a sua justiça em prol da clemência. Na sua paciência, Deus caminha em meio aos nossos fracassos e nos conduz.
Enquanto esperamos o Reino e construímos o Reino, caminhemos com o Espírito Santo. Nós nem sabemos pedir o que convém, mas Ele sabe dar a graça a necessária. Ele nos ensina a orar. O Espírito geme, ora em nós, deseja profundamente que sejamos felizes. Se não sabemos todos os caminhos, o Senhor sabe do que precisamos para que integremos da melhor forma o seu projeto de amor, mesmo com o nosso joio. A maior oração do Espírito geme para que o Reino venha: Venha a nós o Vosso reino!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

quinta-feira, 14 de julho de 2011

GRATIDÃO...

Chega sempre a hora de experimentarmos profundamente a FIDELIDADE DE DEUS para conosco! Quando fazemos a experiência do “cem vezes mais” do que aquilo que deixamos (Mc 10,29-30), percebemos, então, com um sorriso, que foi tão pouco o que deixamos...

Quando fazemos a experiência da entrega na totalidade, na gratuidade descobrimos a grandeza de Deus e o quanto o seu Espírito vai conduzindo tudo com muita sutileza.

Isso traduz um pouco o que significa esse momento:

FIDELIDADE AO CHAMADO,  SERVIR NA ALEGRIA E SER ETERNAMENTE AGRADECIDA por tudo, pelos desafios, conquistas, limites....”POR TUDO DAÍ GRAÇAS” (1 Ts 5,18).  Foi uma grande graça esses quatros anos no serviço de Assessoria.

O QUE LEVO, O QUE DEIXO? 

SEMENTES DO ETERNO, do MISTÉRIO que nos ENCANTA E REENCANTA em cada momento e que nós CATEQUISTAS TESTEMUNHAMOS com nosso SER e alma catequética.

Talvez tenha deixado um pouco do meu SER CATEQUISTA nas visitas que fiz pelos regionais, nas atividades com as equipes de trabalho, na convivência com bispos, sacerdotes, religiosas, leigos/as, assessores e funcionários da CNBB.

O que deixo é muito pouco comparado com o que estou levando dessa experiência, é a recompensa daqueles que percorrem o fascinante e desafiador CAMINHO DO DISCIPULADO.

Despeço-me com um até breve, pois quem se coloca a caminho sempre acaba se encontrando pelas estradas da vida.
“Pelas estradas da vida nunca sozinho está”...Que Maria continue a nos proteger e nos apontar o caminho de Jesus.

Meu fraternal abraço.

Ir. Zélia

Permaneço na CNBB até 15/07, depois disso vocês poderão me encontrar no seguinte endereço:

Cx. Postal 4331
82501 970- CURITIBA-PR
FONE: 41-3356 3783
CELULAR: 61-8103 1961

COLETÂNEA DE CARTAS

            Após quatro anos no serviço de Assessoria da Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética, chegou a hora de assumir uma nova MISSÃO. O quadriênio foi marcado por muitas atividades, de modo especial, por dois grandes eventos: o Ano Catequético e Terceira Semana Brasileira de Catequese. Um marco muito importante que teve seus desdobramentos, através da implementação do processo de Iniciação à Vida Cristã nos regionais e dioceses.  Além desses dois eventos a Comissão está organizando o Congresso de Animação Bíblica da Pastoral que acontecerá ainda esse ano, nos dias 8 a 11 de outubro em Goiânia.
            Há um longo caminho pela frente, porém contamos com um importante aliado, as novas Diretrizes de Ação Evangelizadora (DGAE- 2011-2015). Dentre as urgências pastorais destacadas pelas novas DGAE estão a iniciação cristã e a animação bíblica da pastoral, portanto a sua reflexão e aplicabilidade não poderão faltar nos planejamentos pastorais dos próximos anos.  Acredito que as coordenações regionais, catequistas e demais lideranças envolvidas na formação bíblico-catequética, serão determinantes nesse processo. É um trabalho árduo de evangelização e REENCANTAMENTO, por isso é necessário a participação e co-responsabilidade de todos, especialmente, dos nossos pastores: bispos e presbíteros. 
            No momento em que deixo esse trabalho, gostaria de dizer tantas coisas, porém tive a preocupação de deixar algo que pudesse ajudar os/as catequistas a ENCANTAR-SE E REENCANTAR –SE COM A MISSÃO DE SER CATEQUISTA. É isso que nos garante a inteireza em tudo o que fazemos.
            Quando fazemos mudanças, remexemos em muita coisa e encontramos fragmentos, pinceladas da ternura de Deus para conosco. São cartas, cartões, mensagens, fotos, lembrancinhas, carregadas de um significado especial. Ali estão impressas, de uma forma original, o rosto de cada pessoa e tudo o que isso significa para nós. Então recordamos os momentos de alegria pela convivência que tivemos, também os momentos de dificuldades, tudo faz parte do grande Mistério, que são as relações que foram sendo tramadas e forjadas ao longo do caminho.
            Pensando nisso tudo, resolvi fazer uma coletânea de algumas cartas enviadas às coordenações regionais e catequistas, durante o QUADRIÊNIO, na verdade são como que pequenos fragmentos que compõe o colorido do mosaico, retalhos que formam uma colcha, foi assim a caminhada nesses quatro anos, cada um/a no seu jeito de ser foi fazendo parte dessa missão de SER CATEQUISTA e deu um novo colorido à Igreja e sociedade.
CATEQUISTA, a Igreja de Jesus Cristo e a sociedade continuam a contar com o seu SIM generoso, para que se instaure o Reino da Vida, da justiça e da paz.
 Até breve!


Ir. Zélia Maria Batista


DEZEMBRO/2008

ESTIMADOS/AS COORDENADORES
PAZ E BEM!

“Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna.”
Is 26,1-6
           
Neste tempo de advento deixemos que a esperança devagarzinho venha aninhar-se em nosso coração. Fiquemos mais atentos e vigilantes para que o Mistério da Encarnação, não passe despercebido e seja vivido na sua plenitude. O verbo se fez carne, corpo, gente para que nós pudéssemos experimentar a humanidade de Deus refletida na ternura, na simplicidade, na fragilidade e pobreza do Menino de Belém.
             São estas motivações que nos fazem olhar com otimismo o novo ano que se aproxima.  O ano de 2008 torna-se, então, um grande louvor que, pelo nosso "ser catequista" chega ao Pai, como oferta das nossas vidas ao serviço da Palavra e do Reino. Sim, temos as mãos repletas de tantos dons recebidos e partilhados neste caminho para o discipulado. Muitos foram os encontros, as celebrações, as atividades que permearam todo o ano. Por onde passamos deixamos “MARCAS” da nossa doação e testemunho de amor à catequese. As sementes lançadas no chão fértil das comunidades um dia florescerão.  
            Neste sentido agradecemos imensamente todo o empenho e mobilização nos regionais em vista do Ano Catequético. Muitos encontros, assembléias de formação, com catequistas, lideranças, presbíteros, bispos, todos engajados e empenhados em descobrir novos caminhos e paradigmas para a catequese. O texto base, inspirado em Lc 24,13-35, fez arder o coração e continuará nos impulsionando na missão, para que as ações refletidas e planejadas se concretizem durante os próximos anos.  Agora, no horizonte a 3ª Semana Brasileira de Catequese, de 6 a 11 de outubro de 2009, em Itaici, SP. Evento, que traz a marca de um novo paradigma para a catequese, pois se acredita que o tema “Iniciação à Vida Cristã” será o eixo norteador de novas propostas e novos rumos para a ação catequética.
            Caríssimo/as coordenadores, esperamos vocês com muito carinho e repletos de expectativas, próprias desse tempo. Permaneçamos enlaçados pelo fio da "ESPERANÇA” e façamos crescer em nós a comunhão, a solidariedade, a alegria de ser discípulo missionário.


DEZEMBRO/2009
Estimados/as Coordenadores
Paz e Bem!

“Eis que o nosso Deus. Ele vem para salvar”
           
Após longo caminho de encontros, desencontros, conquistas e desafios estamos finalizando mais um ano, com o coração “abrasado” pela intensa e profunda experiência que fizemos ao longo do caminho. Experiências que são marcos de uma catequese que forma para o discipulado e que nos animam a continuar...
            Neste tempo favorável, o advento, em que acalentamos sonhos e esperanças, renovamos nossa fé no Deus que se revela no anonimato e nas coisas pequenas, conforme descreve o profeta Miquéias 5,1: “Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel”.
Com esse Espírito de minoridade queremos mergulhar no Mistério da Encarnação, mistério que nos devolve o olhar da esperança, da utopia e atualiza a ação amorosa de Deus na história da humanidade, na nossa história, na nossa missão de educadores da fé. 
            É com esse olhar que contemplamos o ano que finda, e descobrimos quantos detalhes, acontecimentos, foram decisivos e delinearam uma trajetória iluminada pela sabedoria do Mestre, que na pequenez e sutileza foi revelando o seu grande amor, conduzindo tudo com cuidado e ternura.
            Por isso todas as ações desenvolvidas durante o Ano Catequético Nacional, que teve a sua culminância na Terceira Semana Brasileira de Catequese, traz a marca do serviço, da gratuidade do amor de Deus, manifestada em cada um/a de vocês, através do trabalho desenvolvido nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais.
            Foi um ano intenso e significativo para todos nós, o texto base inspirado na experiência de Emaús, despertou e propiciou a produção de material, encontros de formação, eventos de massa, criação de escolas bíblico-catequéticas e cursos de pós-graduação em catequética. Procurou-se sensibilizar os bispos, presbíteros, primeiros responsáveis pela catequese, além de trazer para a reflexão agentes de pastorais, leigos/as, pastorais e movimentos.  
            A Terceira Semana Brasileira de Catequese seguiu a metodologia: ver, julgar, agir, celebrar e avaliar. Portanto, foram desenvolvidos os temas principais a partir da realidade e dos desafios da mudança de época para a Iniciação Cristã. A iluminação bíblica, mostrando-nos o caminho do discipulado, nos veio do próprio processo vivido e usado por Jesus. O agir nos levou a refletir sobre a formação do catequista para este contexto iniciático, dentro do possível, numa pastoral de conjunto, capaz de integrar as forças vivas da Igreja, num processo de conversão pastoral.
            Os grupos temáticos, organizados como oficinas, tendo como eixo a iniciação cristã abordaram 17 subtemas, favorecendo a interatividade, a participação. Nesse espaço, os integrantes dos grupos contribuíram para o enriquecimento de toda a temática.
            A dimensão litúrgico-celebrativa esteve presente proporcionando a unidade entre reflexão e celebração, ou seja, entre catequese e liturgia. As celebrações, inspiradas no Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), preparadas pelos regionais, propiciaram uma mística orante e inculturada, que envolveu a todos, através da leitura orante da Palavra de Deus, da simbologia, dos ritos e cantos.
            Enfim, dessa experiência de ENCONTRO com o Ressuscitado- Caminho, Palavra e Eucaristia, conforme o itinerário dos discípulos de Emaús, brotaram as propostas para os regionais e dos regionais para o nacional, expressas da seguinte forma:
  • Que a Palavra de Deus inspire a comunhão e a unidade na Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética.
1)     Produzir subsídios para a formação de catequistas com enfoque na Iniciação à Vida Cristã;
2)     Sistematizar um projeto de mobilização nacional para divulgar o processo de Iniciação à Vida Cristã junto aos MCS, pastorais, serviços, movimentos e organismos da CNBB, para divulgar o processo de Iniciação à Vida Cristã e proporcionar a socialização das experiências de Iniciação à
3)     Retomar a Catequese com Adultos na linha da formação para o discipulado em comunidade.
Agora chegou o momento de avaliar toda a caminhada, de modo especial, o Ano Catequético que não ficou restrito à catequese, mas quis alcançar toda Igreja. Foram, então, propostas algumas questões para as COORDENAÇÕES REGIONAIS DE CATEQUESE, tendo como referência os objetivos e o quadro sinótico, elaborados na ocasião para iluminar a reflexão e apontar pistas de ação.
1)     Como foi o envolvimento do REGIONAL nas propostas e atividades do Ano Catequético Nacional?
2)     Que desafios foram percebidos durante a caminhada do Ano Catequético Nacional?
3)     Que conseqüências práticas o Ano Catequético Nacional trouxe para a Igreja local?
4)     Outros destaques...
        Aguardamos a todos/as e aproveitamos para expressar nossos votos de um Feliz Natal!  Que a pequenez e simplicidade do Menino de Belém nos devolva a esperança na humanidade que busca a PAZ, fruto da justiça.                          
                                                                       

AGOSTO 2010

Queridos/as Catequistas

Catequista, você é especial para Deus!
Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.

O último domingo de agosto é o DIA DO CATEQUISTA. É com admiração, reconhecimento e gratidão que a Igreja celebra essa festividade. Celebrar o DIA DO CATEQUISTA é sempre uma GRAÇA, motivo de alegria e de reflexão mais profunda sobre o SER DO CATEQUISTA, sua vocação e missão na Igreja e sociedade. Sentimos ainda os “ECOS” e a chama da esperança que ardeu em nosso coração com a realização da Terceira Semana Brasileira de Catequese. 
Sentimo-nos movidos pela força do Espírito, que nos chama e envia, pelas intuições e propostas do tema da Terceira Semana Brasileira de Catequese: “Iniciação à Vida Cristã”. Nesse Espírito, celebrar o dia do Catequista tem um significado especial, pois são vocês, catequistas, os protagonistas, aqueles que fazem com que o processo de um NOVO JEITO DE FAZER CATEQUESE seja possível. Portanto, confiamos em cada um de vocês, com seus dons partilhados, junto com as forças vivas de toda a Igreja, as comunidades, as pastorais, os movimentos, para que a iniciação à vida cristã seja possível.
 Ao celebrar o DIA DO CATEQUISTA queremos refletir sobre a vocação do catequista, que é a vocação do Profeta - aquele/la que fala em nome de Deus e da comunidade a que pertence.  A iniciativa sempre parte de Deus. O chamado a ser catequista não é algo pessoal, mas obra divina, graça. A missão do catequista está na raiz da palavra CATEQUESE, que vem do grego Katechein e quer dizer (fazer eco). Logo, catequista é aquele/la que se coloca a serviço da Palavra, que se faz instrumento para que a Palavra ecoe. O Senhor chama você para que, através da sua vida, da sua pessoa, da sua comunicação, a Palavra seja proclamada, Jesus Cristo seja anunciado e testemunhado.
            Catequista, você não é só transmissor de idéias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência fundante está no ENCONTRO PESSOAL com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência é comunicada pelo SER, SABER e SABER FAZER em comunidade (DNC 261).O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o SENHOR está presente, é fiel.  
            Catequista, você é especial para Deus! Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.  Sabemos das dificuldades que enfrenta para realizar a sua missão, mesmo assim teimosa e dedicadamente prossegue neste peregrinar de partilha, de despojamento e aprendizagens. 
Isso demonstra que você cultiva uma profunda espiritualidade alicerçada na Palavra, nos sacramentos, na vida em comunidade. É a experiência do discípulo missionário que vai se configurando na sua trajetória de avanços, desafios e alegrias. É a pedagogia divina, que se concretiza na sua vida permeada de fragilidades e grandeza, medos e coragem, HUMANA e HUMANIZADORA.
É com a certeza da ação amorosa do Deus da Vida que você assume a missão de profeta que ouve o chamado de Deus: “Levanta-te e Vai à Grande Cidade (Jn 1,2)”. Seu anúncio é traduzido em atitudes proféticas que testemunham os valores evangélicos, é o SER DO CATEQUISTA partilhado na sua inteireza, no serviço generoso, para que o REINO aconteça.
Catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de lhe trazer o encantamento por esse fascinante caminho de discipulado, cheio de desafios que o fazem crescer e acabam gerando profundas alegrias.
Catequista, nesse dia acolha  o abraço de  gratidão de milhares de pessoas, vidas agradecidas, pela sua presença na educação da fé de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em sua ação se traduz de  uma forma única e original a  vocação da Igreja-Mãe que cuida maternalmente dos filhos que gerou na fé pela ação do Espírito.
Querido/a Catequista, PARABÉNS! Que a Força da Palavra, continue a suscitar-lhe a fé e o compromisso missionário !
Que os sacramentos sejam a  fonte inesgotável da misericórdia, da reconciliação, da justiça e do REENCANTAMENTO.
Que a comunidade continue sendo o referencial da experiência do Enconto com  Cristo naqueles que sofrem, naqueles que buscam acolhida e necessitam ser “CUIDADOS”. 

A benção amorosa do PAI, que cuida com carinho dos seus filhos e filhas, que um dia nos chamou a viver com  alegria a  vocação do discípulo missionário, esteja na sua vida, na vida da sua comunidade hoje e sempre.


OUTUBRO/2010

CARÍSSIMOS/AS
CATEQUISTAS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

DSC_0022 “Dou graças a meu Deus todas as vezes que me lembro de vós. Sempre, em todas as minhas orações, rezo por vós com alegria, por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do evangelho, desde o primeiro dia até agora”. (Fl. 1,3-5).

Inspirada pela carta amorosa e transbordante de ternura que Paulo dirige ao povo de Filipos, pensei em cada um de vocês, catequistas, ao refletir essa leitura durante a Celebração Eucarística que nós, assessores, participamos todos os dias, aqui na CNBB.
Nesse mês missionário, somos convocados a REFLETIR a nossa vocação de discípulo missionário, conforme nos aponta o Documento de Aparecida.  Muito mais que refletir, somos convidados a nos RE-ENCANTAR, isto é, criar espaço para as moções do Espírito, entrar nesse movimento dinâmico e inovador, deixar-se CONDUZIR para que o encantamento inicial, a admiração, tome conta do nosso SER CATEQUISTA. Que tal voltar às fontes e fazer memória desse CHAMADO, desse ENCONTRO que marcou definitivamente a sua existência como catequista?

Tenho certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus.” Fl. 1, 6

Aquele que é razão desse encantamento, Jesus Cristo, que um dia nos chamou pelo nome lá onde nos encontrávamos, no cotidiano das nossas vidas, é fiel, continua presente de uma forma discreta e sutil, é o Deus da caminhada, da travessia, que pedagogicamente vai se revelando, é o Deus de Jesus Cristo.  Revela-se do seu jeito não do nosso, por isso é sempre surpreendente e inusitado. Como catequista, quais os SINAIS de Deus, da sua ação amorosa, que lhe confirmam na MISSÃO?

É justo que eu pense assim a respeito de vós todos, pois a todos trago no coração,porque, tanto na minha prisão como na defesa e confirmação do evangelho, participais na graça que me foi dada”.F1. 7

A filiação divina nos faz participantes da mesma GRAÇA, somos filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos de Jesus Cristo, irmanados pelos laços do Espírito possibilitamos que a TRINDADE SANTA faça morada em nosso corpo, em nossa existência e na fragilidade das nossas limitações, expressamos a totalidade do amor de Deus.  Comungamos da mesma GRAÇA, que nos possibilita realizar a missão com leveza e gratuidade, descobrindo em cada desafio, que o Senhor nos capacita com seus dons. Na sua missão como Catequista, você se sente agraciado, amado e capacitado por Deus?

“Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós com a ternura de Cristo Jesus. E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor”. Fl. 1, 8-10.
A relação que Paulo estabelece com as comunidades é extremamente afetiva e terna, sente saudade, porque criou laços...Preocupa-se, porque sabe das dificuldades e das limitações humanas, por isso, exorta-os para que o amor cresça, supere as diferenças e seja determinante nas escolhas.
Aprendemos de Paulo, que a vocação é expressão do amor de Deus e que o seguimento a Jesus Cristo concretiza-se nas relações que somos capazes de estabelecer com os outros.  Será que a nossa catequese é capaz de possibilitar momentos de interação, de partilha, onde se acolhe e respeita o SER do/a catequizando/a na sua totalidade?  Qual a nossa postura como catequistas, diante de uma sociedade discriminatória e excludente?
Querido/as catequistas, agradecemos pelos catequistas discípulos missionários, DOM-GRAÇA, derramada sobre as nossas comunidades como expressão da fidelidade Daquele que vos chamou.


NOVEMBRO/2010.

Estimados/as Coordenadores
Paz e Bem!

“Irmãos (ãs), vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar”. Rm 13,11
           
Sim, é hora de despertar, a noite já vai adiantada, o dia vem chegando: despojemos-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz, é ADVENTO, tempo de esperança, de revigorar as forças para iniciar o novo ano que está à nossa porta.
            Ao voltar nosso olhar para o ano que finda, percebemos que fizemos uma boa semeadura, pois é tempo de semear, os frutos as gerações futuras colherão.... Portanto, não importam os resultados, o importante é que trazemos um coração repleto de NOMES, de ROSTOS, foram os encontros que aconteceram e deixaram suas marcas em nós e nas pessoas que encontramos pelo caminho. Não importa o que fizemos, importa sim o que deixamos semeado do nosso SER na vida de quem encontramos. Isso é catequese, e acredito que você, meu querido/a CATEQUISTA, deixou muitas marcas do ETERNO no coração de cada criança, adolescente, jovem, adulto, idoso...
            O tempo da semeadura exige gratuidade, despojamento, profunda ESCUTA, como Maria, a discípula fiel, para a qual voltamos a nossa atenção e aprendemos que a semente, tem o tempo certo para germinar, crescer e produzir frutos. Que Maria nos ajude a acreditar na gratuidade do Pai, na presença do Filho e na fecundidade do Espírito. Experimentamos assim o quanto estamos mergulhados no Mistério da Trindade que orienta nossos passos nesse caminho de discípulo missionário.
            Irmãos e Irmãs, é hora de despertar, que as motivações próprias desse tempo continuem a nos manter no caminho da vigilância e da conversão, para que possamos celebrar o mistério da encarnação, Verbo que se fez gente e veio morar no meio de nós. Feliz Natal! Feliz 2011!

Ir. Zélia Maria Batista 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Confirmar e simplesmente agradecer...

…e chega sempre a hora de experimentarmos profundamente a fidelidade de Deus para conosco! Percebemos, finalmente, a verdade absoluta das promessas de Jesus: “Quem aceita o meu testemunho confirma que Deus é verdadeiro!” (Jo 3, 33) quando fazemos a experiência do “cem vezes mais” do que aquilo que deixamos (Mc 10, 29-30). Percebemos, então, com um sorriso, que foi tão pouco o que deixamos…

A confirmação dessa verdade tem a ver com o sentimento profundo da plenitude e da realização pessoal, a certeza de que valeu a pena ter nascido para vivermos exatamente por aquilo que vivemos! Sentimo-nos inteiros, completos... ainda que não acabados. É uma sensação de unidade total, de integração interior de todas as dimensões da vida. É a experiência oposta à dispersão e à crise…

O caminho da fidelidade faz-nos saborear a confirmação das decisões que fomos assumindo e dos riscos que fomos correndo em busca de Mais Vida que a Palavra propõe. Experimentamos que o amor vence sempre e que só as decisões por ele inspiradas são verdadeiramente duradouras e humanizantes.

À medida que vamos construindo a nossa história de amizade que se transforma em amor profundo, começa a acontecer que outros comecem a construir também por terem se encontrado conosco…

Então, nos damos realmente conta de como o Evangelho de Jesus “funciona” como dinâmica libertadora na vida das pessoas! Isto começa a fazer tanto sentido que surge dentro de nós o impulso da missão. A nossa história pessoal de amizade com Jesus abre-se a outras histórias e torna-se inspiração de Evangelho.

À medida que vamos amadurecendo, aprendemos que as nossas “demissões” bloqueiam muito mais o Evangelho na vida das pessoas que estão ao nosso redor, do que as nossas imperfeições ou limitações pessoais. Quando isto acontece, começamos a confiar de verdade no Espírito Santo, na eficácia da Sua ação, e Ele revela-nos muitas vezes e de muitas maneiras que, de fato, é Ele mesmo que faz maravilhas! Nós somos apenas instrumentos Seu!

Isto representa uma nova experiência de encantamento, mas agora com outra maturidade, outro sabor e outro alcance… Um encantamento que sabe a gratidão, uma gratidão desmedida por nos sentirmos conhecidos, amados e infinitamente confirmados por aquele Jesus em nome do qual tínhamos antes decidido a nossa vida.

Esta confirmação está sempre associada à experiência da fecundidade. Ninguém pode ser Feliz sem ser fecundo! E a fecundidade humana tem um alcance muito maior que o biológico. A fecundidade humana tem a ver com a nossa capacidade de amarmos e com as causas nas quais realizamos esse amor. Quando alguém nos diz: “Sou mais Feliz por te ter conhecido!”, está nos dando o testemunho da nossa fecundidade, que significa a eficácia humanizante da nossa vida junto dos outros.

À medida que a nossa história pessoal de amizade com Jesus vai “alargando as nossas fronteiras” e vai tocando outras pessoas, começamos a experimentar muitos “mimos de Deus”, verdadeiras minúcias da Sua Ternura. Por quê?! Porque essas pessoas com as quais vivemos e anunciamos o Evangelho, ao abrirem-se aos apelos do Espírito Santo no seu Coração, tornam-se também elas próprias mediações do Seu amor por nós!

Vamos experimentando diante dos nossos olhos a eficácia libertadora do Evangelho de Jesus no coração das pessoas e a sabedoria que emerge no cotidiano dos que abrem a mente à Palavra de Deus. Confirmamos então, que Aquele que nos chamou é Vivo e Verdadeiro! Confirmamos também que toda a nossa caminhada pessoal de fé, esperança e amor; à medida de Jesus fez de nós pessoas felizes, preenchidas e realizadas. Somos libertos dos medos e dos bloqueios que antes carregávamos porque descobrimos em Quem está o segredo da nossa força.

É esta experiência de confirmação que nós gostaríamos de ter antes da decisão. Para que ela não tivesse que acontecer tantas vezes em forma de crise… Mas tudo isto só se pode experimentar mesmo, depois, quando a vida já está posta ao serviço, quando arriscamos o salto para o “abismo da confiança” e percebemos que as regras do jogo se resumem todas a um amor maior que o medo, o pecado e a morte!

Quando saboreamos a fecundidade da nossa vocação e a tranquilidade de termos os pés assentados em rocha firme, até os enfrentamentos por causa do Evangelho nos fortalecem. Porque não é possível viver o Evangelho de Jesus sem tomar partido por ele em situações bem concretas e visíveis e isso, às vezes, acontece como um “sinal de contradição” forte demais para alguns…

Quando, os marginalizados e acusados pelos poderosos, e os puros do mundo, se sentirem consolados e libertos pelas nossas escolhas, e os opressores e acusadores dos irmãos se sentirem incomodados por elas, fazemos uma profunda experiência de confirmação! Porque essa é a sina dos Profetas e dos “Homens de Deus” em toda a história… A "sina dos Profetas" é um sinal claro de Confirmação da veracidade das nossas vidas e das nossas escolhas que o Espírito Santo nos ensina a ler com muita Alegria!

E, no fim, acabamos sempre por resumir tudo a uma indescritível gratidão, um sentimento admirável de termos sido chamados e puxados para uma intensidade de Vida que nenhum dos nossos projetos poderia sequer vislumbrar! Esta gratidão transforma-se dentro de nós num desejo irrenunciável de Fidelidade. E, sem dúvida nenhuma, quando falamos da nossa vida como vocação, a fidelidade é o caminho mais curto para a felicidade!

Jesus fartou-se de dizer isto e não consta que alguém se tenha dado mal por lhe ter dado crédito! Nós é que temos um medo enorme que conosco possa ser diferente…

Angela Rocha- Catequista
http://angprr.blog.uol.com.br
* Texto adaptado de Rui Santiago



Este é o último texto da série "Vocação"... Infelizmente acabou. Mas adorei dar uma "cara" nova a eles. E neste quase não fiz adaptações, exceto do português "de Portugal" para o português "do Brasil". Amei estes textos do Rui Santiago. E confesso que gostaria de saber mais sobre ele, parece ser um presbítero, mas não encontrei nada que confirme isso. Ele tem blogs que se ligam uns ao outros, mas nada que dê informações pessoais.

Em todo caso, todas essas fases pelas quais passamos em busca de confirmar nossa vocação, lembram demais aquilo que passamos também em busca de sentido a nossa vida, seja ela amorosa, religiosa, profissional, de amizade. Enfim, de nossa vocação PELA VIDA! Feliz daquele que confirma e agradece a PRESENÇA enorme do amor em suas vidas. Amor esse inspirado por Deus e vivido plenamente em nossa missão de Cristão! E feliz daquele que consegue "encantar-se" a cada dia com isso como se fosse a primeira vez...

Agradeço demais a Rui Santiago ou a quem quer que tenha sido o autor dos originais, pois na internet a gente nunca sabe a quem pertencem as coisas. E peço perdão se alterei algumas linhas e acrescentei outras. Minha intenção nunca foi "roubar" a idéia e sim, mostrar o quão lindos e verdadeiros são estes textos.

Angela Rocha
 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A bofetada!

…depois da decisão, demoramos sempre algum tempo para por de volta os pés no chão. Quando jovens, temos a tentação de pensar que numa decisão importante ficou toda a vida decidida a partir daí. Mas logo descobrimos que todas as decisões importantes da vida são progressivas… Quando tomamos uma decisão importante, daquelas que nos mudam de rumo, devemos perceber que o que fizemos foi... Somente decidir que direção tomar dali pra frente! E daí virão muitas outras decisões...

Quando decidimos nos arriscar e abrir caminhos novos, renovamos muitas vezes a experiência do encantamento do princípio, aquilo que no livro do Apocalipse se chama “voltar ao amor primeiro”… Todos os dias parecem que nascem com o sol brilhando mais que no dia anterior.

Mas as decisões importantes da nossa vida não a resolvem para sempre... Apenas lhe dão uma direção. Por isso, acaba sempre por haver uma experiência estranha de confronto com a realidade. Coisa que não estávamos esperando. E essa experiência assemelha-se a uma “bofetada”, como um impacto inesperado e rapidamente doloroso. Começa por acontecer quando, ao passar dos dias, vamos tomando consciência de que a nossa decisão, afinal, não nos mudou tão radicalmente quanto nós pensávamos! As coisas continuam a parecer dolorosamente: “iguais”!

E a gente vai se encontrando com uma quantidade enorme de debilidades, imperfeições e bloqueios que julgávamos terem sido derrotados por essa nossa “decisão” tão corajosa. Acordamos e percebemos que essa mudança, afinal, é uma cadeia de decisões muito cotidianas e simples... E que a primeira apenas marcou a direção a seguir. Cotidianas e simples, mas igualmente importantes, porque gestos heróicos quase todos somos capazes de tomar de vez em quando na vida, mas isso não chega!

No encontro com o que ainda há de mudar em nós, percebemos que uma Decisão verdadeiramente autêntica é uma história e não um momento definitivo! Esta consciência é fundamental na história do crescimento de uma relação, porque é aqui que se salta definitivamente para o adultecer! Aqui vemos que vamos crescendo em nosso caminho de discípulos desse amor verdadeiro. Só aquele que nunca deixa de se sentir discípulo pode chegar a ser um apóstolo fecundo.

Nesta fase é novamente importante encontrarmos quem seja para nós uma boa mediação dessa caminhada para nos ajudar a aprendermos a lidar com a nossa própria imperfeição. Porque quando somos verdadeiros e fiéis à nossa decisão, podemos facilmente cair na tentação do rigorismo e da impaciência conosco próprios. Felizes aqueles que encontram no seu caminho quem seja instrumento do Espírito de Deus que os conduz à paz e à paciência. Felizes aqueles que encontram quem lhes diga que a maturidade é um ponto de chegada, não um ponto de partida!

Mas esta experiência da nossa própria “crueza” pode não ser a única “bofetada” que sentimos depois de assumirmos e levarmos adiante uma decisão importante nessa vida nova… O que mais dói é experimentarmos que os nossos “companheiros” neste tipo de decisões, que às vezes nos levam de avanço longos anos, são pessoas pobres e imperfeitas… e, às vezes até, pouco sérias! Isto dói muito… Porque nos faz sentir muitas vezes, que estamos sozinhos e perguntar que futuro nos reserva a vida que começamos a construir…

Começamos a ver diante dos nossos olhos que há quem entenda de mil maneiras diferentes o que é viver essa história profunda de amor sem medidas e que muitas delas agem exatamente ao contrário do que preceitua esse amor! Nestes momentos tremem os paradigmas e os pontos-de-referência e torna-se indispensável um processo interior de diálogo. Uma revisão de todo o nosso processo de maturidade e ume star em paz com Aquele que encontramos e fazer de suas Palavras fonte de critérios e fortaleza.

Mas, quando passamos por tudo isto enamorados, experimentamos também uma indescritível segurança. Não pomos em dúvida a decisão que tomamos… Procuramos é o modo mais correto e justo de concretizá-la sempre, ainda que tenhamos que assumir a diferença “profética” ou o risco de viver em contramão. E vale pensar que somos discípulos daquele que é capaz do mais profundo amor, Aquele que deu a vida por mim, mas que não me abandonou nunca! Uma bofetada pode virar-nos a cara, mas não nos vira a direção dos pés.

E depois, quando tudo já ficou para trás, sorrimos ao lembrar esses momentos fundamentais que fizeram com que fossemos quem somos. E, entretanto, esse espírito nunca nos abandona, vai-nos sussurrando por dentro que continuará a estar sempre conosco. E nós acreditamos! Porque já sabemos que é verdade…


Angela Rocha - Catequista


* Texto adaptado de Rui Santiago

domingo, 10 de julho de 2011

Decidir-se...

…e não dá mais para adiar! Chega uma hora que, em nosso coração, a confiança finalmente derrota o medo. A crise vivida anteriormente nos purificou e vem aquela vontade enorme de “recomeçar”. Viver uma “outra” vida. O medo é na verdade uma insinuação interior a nos dizer que jogamos fora muitas das nossas seguranças, muita coisa já realizada, muitas certezas confirmadas que agora são perdidas em nome de um “amanhã” sem garantias…

Quando nos decidimos a “aceitar o jogo”, quando finalmente aceitamos que precisamos das respostas às perguntas inquietantes que estavam em nós, reencontramos o caminho da paz! “Pronto!” Está decidido e suspiramos... E essa paz se derrama em nós feito bálsamo curativo depois da dolorosa experiência da crise. E assim vamos construindo a nossa história de amizade que se transforma em amor profundo. Agora, já não há dúvidas de que é mesmo esse o nosso lugar. Entregamos o nosso futuro na mão do outro.

E o que vai acontecendo, é a compreensão de que "o meu projeto" de vida não é assim tão indiferente para aquele que tem me acompanhado. Começamos, então, a contar com Ele em nosso projeto, a ter em conta os valores ditados pelas Suas palavras...

Depois, na convivência enamorada, vamos descobrindo que ele nos revela o “seu” projeto como meio de realização de todos os “nossos” projetos. E assumimos o desafio… E a gente se dá conta de que os nossos projetos também podem ser mais ou menos “adaptados” de modo a sintonizarem com o projeto revelado por Ele! E um novo mundo começa a emergir... É a promessa do reino tão esperado.
E aquelas tantas perguntas da inquietação, as tensões interiores da crise, nos fazem sentir uma vontade enorme de nos entregarmos de corpo e alma a essa relação... Até mesmo sem um projeto! Sim, este é o grande salto no abismo da confiança: passar de um projeto “meu” e dar lugar ao projeto Dele, a fazer deste, O MEU PROJETO!

Isto implica decidir-se… e decidir implica abdicar… por isso é que dói. Mas só dói antes! Quando nos inquietávamos, quando vivíamos em crise. A decisão é o momento do reencontro da paz. Todo mundo já experimentou isso na vida... Quando as decisões são em nós fonte de grande tensão enquanto não as tomamos, mas que nos dão uma profunda paz e um grande sentimento de leveza quando, finalmente, as assumimos… É isso! Assumir definitivamente a decisão é o suspiro extremo do alívio!

Quando a caminhada que fazemos é autêntica, quando não andamos camuflados e procuramos a simplicidade, podemos decidir tranquilamente segundo os impulsos do nosso Coração porque eles serão o instrumento do espírito que nora em nós… Não devemos ter medo de seguir o que manda o Coração quando sentimos que não procuramos senão a Verdade! Se repetirmos a nós próprios muitas vezes este segredo e Lhe pedirmos que nos ajude a compreender os Seus sinais, irá desaparecendo do nosso íntimo o medo.

A etapa da decisão exige também a sabedoria de deixar repousar o passado, não arrastar conosco o que deixamos como um peso… É um exercício prático de confiança. Na verdade, acabamos sempre por experimentar que o que deixamos era NADA comparado com o que ganhamos, mas esta experiência vem sempre depois, servida na bandeja da fidelidade e da perseverança.

E aquilo de que: “ninguém deixará nada sem que venha a receber cem vezes mais!”, e isso vai parecendo cada vez mais possível. Nós é que tínhamos uma dificuldade enorme em acreditar… E se chego a esse ponto, posso testemunhar que todas as promessas que Ele fez não eram exageros! Quando temos a simplicidade de deixar a confiança suplantar o medo e decidimos “deixar-nos ir” até onde Ele pode nos levar, a gente se dá conta de que inauguramos um caminho de felicidade e descoberta de sentido na nossa Vida...

E volta aqui o importante papel das mediações... Porque se alguém que já viveu o que estamos vivendo, vier a confirmar tudo e nos ajudar a por em palavras os sentimentos que nos acompanham e a saborear inteiramente o gosto da paz e da esperança que se experimenta… É a glória! É a glória saber que não estamos sós...


Angela Rocha - Catequista


* Texto adaptado de Rui Santiago

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Crise!

…e acabamos sempre por experimentá-la quando se trata de levar a vida a sério! Quando se trata de assumir um relacionamento verdadeiro em todos os sentidos. Não há crescimento sem crises, porque estas representam a necessidade de terminar uma etapa e iniciar outra. Em todas as dimensões importantes da nossa vida.
 
A experiência da crise acontece quando nos damos conta de que aquelas perguntas que tiravam a tranqüilidade dos nossos dias, aquele reboliço interior a que chamamos de inquietação, são, na verdade, perguntas verdadeiras e, sobretudo, são mesmo “PARA MIM”!... Não há mais lugar para teorias nem encantamentos adolescentes. Há momentos em que ou se ama até doer ou não se ama mais.

Esta experiência da Crise está sempre associada ao medo… Sentimos uma necessidade inapelável de decidir, de fazer uma escolha, mas temos medo. Quando nos deixamos encantar, quando criamos uma história de enamoramento e depois tivemos a ousadia de nos deixarmos inquietar por aquilo que vislumbramos ser uma história bonita de amor, acabamos sempre por encontrar-nos diante de uma “fronteira vital”, um momento de escolha que envolve uma Páscoa, uma passagem...

A experiência da crise tem a ver com o fato de esta fronteira vital aparecer muitas vezes aos nossos olhos como um abismo! E no fundo encontramos, ao mesmo tempo, uma vontade enorme de saltar e o medo correspondente… Não temos outro tipo de garantias senão a palavra daquele que nos chama a “dar o salto” e que nos assegura que nunca ninguém ficou mais pobre, triste ou infeliz por tê-lo feito! Mas… mas… mas… É uma das palavras mais ditas… Nesta fase costuma também ser seguida desta expressão: “… mas… e depois…?...”.

E o nosso maior medo nesta crise, é de que esse seja apenas um entusiasmo passageiro. E nos perguntamos: “Mas… e se depois, daqui a uns tempos, eu me der conta de que tudo foi apenas um entusiasmo, o que é que faço?! Tanto tempo perdido…”. Esta é a fase em que fazemos muitas “contas de cabeça”, temos medo dos nossos próprios entusiasmos, temos medo das nossas intuições, temos medo das insinuações no nosso íntimo, temos medo da perspicácia dos argumentos Dele, que às vezes nos apanha desprevenidos e faz voltar todas as perguntas de novo, temos medo do risco e da possibilidade de nos enganarmos…

Costumamos procurar, então, as respostas em alguém! Há sempre uma ou outra pessoa em quem confiamos mais para partilharmos estas coisas. E isso é importante… No entanto, experimentamos também que, apesar disso, estamos diante de decisões absolutamente pessoais e solitárias mesmo! Aliás, a importância das mediações nesta fase da nossa história de amizade em busca de se transformar em amor profundo, é exatamente esta: compreender que estamos diante de decisões absolutamente pessoais e nos ajudar a sermos capazes de discernir com lucidez e pensar no futuro com esperança.

Enquanto dura a experiência da crise que é como o “partir a casca” de uma etapa e passar para a seguinte há uma “luta” no nosso interior que não sei muito bem como dizer com palavras, mas tem a ver com isto: sentimos urgência de escolher e, ao mesmo tempo, a urgência de discernir, saber o que é melhor… é muito difícil gerir estas duas urgências igualmente reais! Porque por um lado percebemos racionalmente que é apenas mais uma etapa, mas, por outro lado, intuímos claramente que estão em jogo escolhas decisivas para a nossa Vida…

Já não se trata simplesmente, de intuir que “há algo mais” nesta história que vamos construindo… Trata-se de perceber que isto que me é proposto é mesmo “para mim”!

E nessa experiência de crise vamos recordando de tudo por que passamos. E não são raros os momentos de choro... De dúvida e da certeza de que, há uma outra possibilidade para nossa vida... O que vale de verdade a pena? Lembramos então de todos os nossos outros projetos e planos, que tanto custaram, que são tão importantes... E a lembrança de que se desejava outra coisa para a vida... Mas... Isso não foi roubado! Simplesmente, agora, existe outra hipótese...

Ao caminhar junto com esse outro alguém, vem a experiência de um novo caminho, um caminho de aliança, um caminho de escuta, totalmente voltado para a construção de um novo mundo. Dar-se conta desta possibilidade para a nossa vida, é uma das maiores crises que podemos viver...

E não acaba aqui! Caminhar junto é estar sempre ouvindo novas sugestões, novas possibilidades da parte do outro, novos apelos que não são aqueles que temos na cabeça. E a gente só pode agradecer... Por essa história que se vai construindo junto. A gente não sabe onde vai parar. Mas neste momento, só pedimos para não nos desviarmos deste caminho...

Angela Rocha- Catequista
http://angprr.blog.uol.com.br
* Texto adaptado de Rui Santiago

segunda-feira, 4 de julho de 2011

NE II de Catequese: Pe Elison Silva assume a articulação da Catequese no Regional Nordeste II de Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética

Giselma-PB, Dom Mariano, Dom Francisco e
Diácono Edmar-RN
O último dia do encontro de formação dos coordenadores diocesanos de Catequese do Regional Nordeste II  iniciou com a celebração eucarística, logo em seguida, Pe Adilson se despediu dos trabalhos do regional e foi homenageado pelos coordenadores diocesanos e por Dom Mariano pelos bons trabalhos desenvolvidos no regional.

Dando continuidade o grupo foi dividido por províncias para que apontassem as luzes, as sombras desse encontro e as sugestões para os próximos, o grupo também escolheu duas pessoas para compor a comissão regional de catequese e articular sua província.

Pe Elison Silva - Arquidiocese de Maceió-AL

Finalizando os trabalhos foi apresentado por Dom Mariano o novo articulador do Regional Nordeste II Pe Elison Silva da Arquidiocese de Maceió e toda comissão que compõem a Comissão Pastoral para a Animação Bíblico Catequética do Regional Nordeste II.





Clique aqui e baixe todo material utilizado na formação nesse encontro

Comissão Regional Nordeste II de Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética
Da esquerda para direita: Joseilton, Andrey, Cliane Dom Mariano, Ir Lída
Diácono Aldevan, Pe. Elison, Pe Ailton e Diácono Edmar
Dom Mariano Manzana – Bispo responsável  

Pe. Elison Silva - Articulador

Alagoas

Província Eclesiástica de Maceió


Articuladores:
- Joseilton Luz de Oliveira
- Cliane Silva de Araújo





Paraiba

Província Eclesiástica da Paraíba

Articuladores:
Pe José Carlos
Diácono Aldevan
Ir Letícia


 


Pernambuco

Província Eclesiástica de Olinda e Recife

Articuladores:
Pe Ailton Maciel Correia da Silva
Ir Lídia de C. Leal





Rio Grande do Norte

Província Eclesiástica de Natal

Articuladores:
Diácono Edmar de Araújo Conrado
Andrey Jonathan




Comissão do Subsídio de Intinerário de Iniciação Cristã do Regional Nordeste II

Pe. Elison Silva
Pe. Marcos André Ferreira
Ana Maria Alves


 
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