quinta-feira, 30 de junho de 2011

Inquietar-se...

…acabamos sempre por chegar aqui quando nos enamoramos de verdade. É uma fase em que sentimos no coração a inquietude de se chegar a “fronteira vital” em que as hipóteses são: passar para o outro lado ou voltar atrás e andar as voltas no mesmo lugar.

É a fase das perguntas fundamentais, mas, ainda não muito claras. “E se?... E se houver muito mais?...” Surge em nós a intuição profunda de que, afinal, o encantamento e o enamoramento são apenas o início de uma história muito, mas muito, maior. Começamos então a entender que quem tem “as rédeas” da coisa, já não somos nós...

E falamos agora da chegada a beira do cais, do embarcar numa viagem onde não dá para saltar no meio do mar... A história de amizade vai se tornando uma questão primordial. Já não dá mais para viver uma relação “sossegada”. E esta Inquietação marca exatamente a etapa em Ele começa a tornar-se questão de sobrevivência… É o fim da "adolescência"... Das brincadeiras e da irresponsabilidade.

Então, pressentimos em nosso âmago que isso implica uma mudança de vida, o que era já não é mais. É o salto qualitativo, um novo ponto de referência para muitas coisas… Por isso, esta é a hora do desassossego, do primeiro “franzir de sobrolho” para o Mestre, como quem lhe pergunta: “Para onde me levas?”… E é preciso confiar...

É uma etapa interessante… A gente se esforça para esquecer e não pensar muito nisso, mas começam a surgir algumas perguntas que nos arranham o coração muito mais do que gostaríamos ou esperávamos...

O enamorar-se não dura para sempre! Das duas, uma: ou morre ou se transforma numa inquietação interior que leva a um compromisso maior. É a aproximação da “fronteira vital”, é o escolher “viajar” sem saber bem o destino.

E as perguntas? Elas se multiplicam dentro de nós num ritmo e numa urgência muito diferente, mas todas têm o mesmo tom e a mesma origem… Sentimos “provocações” interiores que nos espantam... Como as perguntas que as crianças nos fazem sobre coisas que imaginamos escondidas e inesperadamente temos que encontrar uma resposta que as satisfaça.

“E se eu agora pedir mais do que você tem me dado, o que posso esperar de você?”
“Se eu agora quisesse pedir mais do que tem me dado, você estaria disposto a dar?” “Você bem sabe que não quero as tuas coisas. Quero a você! Porque te amo!”
“Prometo que não vou roubar você de si próprio e que nunca te farei mal! Só quero de você o que me der.”.
“Vá lá… Sejamos sérios! Quero viver com você uma relação de verdadeiro Amor, e para isso temos que ser verdadeiros um com o outro desde o princípio.”
“De que projetos de vida seria capaz de abdicar por mim?”
“E que projetos seria capaz de sonhar comigo? Deixa-me sonhar com você?...”.
“Até onde me deixará te levar?”
“Será que tem que ser sempre você a decidir a direção dos passos que damos juntos?!”
“Quando me darás mais espaço para poder ter iniciativas na tua Vida?”.
“Está disposto a arriscar alguma coisa por minha causa?”
“Você tem coragem de se por em minhas mãos ou continuarei sempre reduzido a um “adendo” seu?!”.
“Gostaria de ir mais longe com você…”.
“Gostaria que saíssemos desse relacionamento morno em que você me dá sempre apenas umas migalhas do teu amor e da tua atenção, mas nunca põe realmente o destino de seus dias em minhas mãos!”
“Não confias em mim…”.
“Diga-me, o que posso esperar de você”?
“O que posso esperar mais de você?”
“Eu te amo demais para aceitar ser apenas o teu “amiguinho” de sempre, que diz umas coisas legais num ou noutro momento de descontração...”.
“Eu te amo demais para desistir de “nós”!”.
“Essa é uma História de Amor, percebe?”
“O que posso esperar de você?...”.

E a verdade é que essas perguntas nos rondam durante um tempo... Inquietantes são esses dias... E felizes aqueles que os experimentam e percebem que não há motivos para fugir...

Angela Rocha- Catequista
http://angprr.blog.uol.com.br
* Texto adaptado de Rui Santiago

Como evangelizar as pessoas com deficiência


A catequista e pedagoga Thaís Rufatto dos Santos, da Diocese de Santo Amaro-SP, preparou um manual para catequistas que têm em suas turmas catequizandos com deficiência. Ela trabalha o conceito e a prática da Catequese Inclusiva, dando dicas de como evangelizar a partir da inclusão. Também detalha as diversas deficiências e como lidar com elas.

Assuntos abordados no livro:

Inclusão na catequese

1. A história da inclusão
2. As pessoas com deficiência incluídas nos documentos da Igreja no contexto do ano de 2003
3. Fato da vida: estudo de caso
4. Como a Sagrada Escritura fala dos diferentes
5. A linguagem a ser usada com pessoas com deficiência
6. Como incluir as pessoas com deficiência na catequese
7. As pessoas com deficiência na Sagrada Escritura
8. A catequese e os catequizandos hiperativos, com sérios problemas motores, autistas, psicóticos e com síndromes
9. Os catequizandos com deficiência e a avaliação a
ser feita pelo padre
10. A catequese inclusiva
11. O catequizando com deficiência
12. Catequistas com algum tipo de deficiência
13. As turmas de catequese que acolhem catequizandos com deficiência
14. A preparação dos encontros de catequese com catequizandos com deficiência
15. O catequista no processo evangelizador inclusivo se torna catalizador da inclusão na sociedade
16. A avaliação dos catequizandos com deficiência
17. Maria, exemplo de catequese inclusiva
18. Os conteúdos repassados nos encontros de catequese
19. Os catequizandos com deficiência e o sacramento da penitência
20. “Quando fizestes isso ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fizestes”
21. Receita de Catequese Inclusiva
22. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão
Anexos:
Anexo I - Projeto pedagógico inclusivo
Anexo II - Subsídios teóricos catequéticos para
evangelizar cada deficiência
Anexo III - Direitos das pessoas com deficiência
Anexo IV - Filmes que abordam as deficiências




Fonte http://www.paoevinho.com.br/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Enamorar-se...

… é a etapa da procura, do desejo do seguimento. É quando a maravilha do descobrimento se transforma em pedido: “Onde moras para que eu saiba onde encontrá-lo?”. É assim desde o princípio... como foi naquele encontro à beira do rio.

E quando começamos nossa História de amizade, em busca de torná-la única e verdadeira, temos uma enorme sede de conhecimento. Queremos saber tudo, experimentar tudo, compreender tudo, se possível “já”!!! Buscamos, perguntamos, meditamos, questionamos… Por isso, também vivemos a festa, continuamos a nos maravilhar em cada pequena descoberta, sentimos que somos os primeiros a trilhar este caminho. É um momento lindo, em que o “encantar-se” transforma-se em “enamorar-se”, procurando com o coração e comprometendo-se a descobrir tudo o que resta…

É a experiência profunda da revelação, uma abertura interior ao que Ele nos quer dizer de Si próprio através de seu Filho e de todas as mediações na nossa vida. É como sentir-se intimamente, sempre em primavera, deixando desabrochar coisas que nem sabíamos que existiam em nós…

E sentimos a necessidade de “pertencer”… É preciso caminhar com outros e partilhar com eles as nossas descobertas. É a figura do outro agora que media... É a comunidade que nos faz pertencer, é nela que queremos aprender.

É o tempo de delícias e de contrastes sutis, também… Porque, por um lado, acreditamos que (e não estamos errados), a nossa vida mudou por completo, que nada mais será igual… Mas, por outro lado, tudo continua igual no ritmo dos nossos dias e nos projetos sonhados…

As coisas mudam depois... quando nos damos conta de que o espírito que está em nós se desassossega e nos inspira a outros projetos, inesperados, que Ele chama “Seus”… Mas vamos deixar isso para mais tarde... Por enquanto, isto ainda não aconteceu, e os dias que se seguem são esperados como as flores da primavera e são vividos entusiasticamente em busca do conhecer e fazer desse mistério uma “revelação”…

E a face daquele que encontramos torna-se uma terra de peregrinação, um lugar de paz onde queremos voltar muitas vezes, em que queremos gastar tempo, sondando, passeando, conhecendo… Descobrimos que nos tornamos inteiros! Essa experiência de encontro basta-nos e preenche-nos. Falamos disso com entusiasmo e alegria e estamos facilmente dispostos a dar testemunho da descoberta que fazemos…

Então, quando esse encantamento prova-se que não é fugaz e transforma-se em enamoramento, “as coisas começam a ficar sérias”… Porque do Encontro passou-se à Relação, e se há uma coisa que os enamorados de todos os tempos e lugares podem testemunhar é que “deixar-se apanhar” por este sentimento é sempre muito arriscado…

Mas quando estamos enamorados não nos damos conta desse “perigo”, porque nos parece que é possível dedicar nossa vida inteira e a esta nova descoberta sem que se tenha a menor dúvida! Depois, mais tarde ou mais cedo, a autenticidade da nossa procura vai nos levar à descoberta que talvez não seja bem assim…

Angela Rocha- Catequista
http://angprr.blog.uol.com.br

* Texto adaptado de Rui Santiago

domingo, 26 de junho de 2011

Encantar-se...

Qualquer tipo de relacionamento começa aqui, no encantamento. Às vezes, a gente nem sequer lembra do momento exato em que aquela pessoa nos chamou a atenção. Mas sabemos que nosso coração começou a bater diferente. E guardamos na memória aquela etapa especial da nossa vida... Em que nos sentimos verdadeiramente encantados por aquela novidade. E a nossa história muda. Porque encontramos, lá num dia banal, como outro qualquer, alguém que muda nossa vida. E aí começam, também, as mediações...

Tudo começa com uma experiência profunda de encantamento, uma intuição inquietante de que esse relacionamento é verdadeiro e apaixonante e que todos os pequenos gestos praticados, podem encher de sentido os nossos dias… Que as palavras ditas podem ser transformadas em prática diária… Que todas as histórias contadas podem ser testadas nas nossas relações e projetos pessoais…

A mediação pode ser feita por alguém que nos fala dessa pessoa com um brilho nos olhos, de um jeito muito especial. Dá testemunho dele como quem aprendeu o Evangelho da sua própria boca, anuncia-o como quem revela as confidências que descobriu numa profunda e secreta relação de amizade interior…

O nosso encantamento costuma começar por estes encontros, mediados por pessoas que já foram previamente iluminadas, que quando nos falam, nos fazem entender que estão completamente mergulhadas naquilo que dizem! Que acreditam e confiam! E é porque falam com experiência que despertam em nós aquela capacidade de nos deixar maravilhar e encantar. Coisa que, muitas vezes, encontrava-se já adormecido há muito tempo…

Quando acontece, parece que nos caíram as escamas que estavam em nossos olhos e aquele rosto ganha uma quantidade de contornos novos e sedutores que antes não tinha… Imediatamente, há como que uma intuição interior, um sexto sentido do Coração, que nos diz que um novo caminho vai se abrir…

Nesta primeira etapa de encantamento, no início dessa descoberta maravilhosa, desse novo Rosto e do quanto às coisas nos parecem novas, parece que redescobrimos o amor adolescente, quando na escola, o menino mais lindo nos deu atenção e a gente volta por todo o caminho de casa, sem deixar de pensar nele… E a vida parece adquirir outro gosto... E somos surpreendidos a cada instante pelo mistério desse novo sentimento, dessa nova descoberta.

O encantamento e a surpresa são os primeiros laços da sedução… E toda a revelação que se acolhe em nosso íntimo, faz nosso espírito rejubilar e nos faz intuir que a nossa vida só vai melhorar se nos deixarmos conquistar…

Infelizmente, a maior parte das pessoas nunca passou pelo “encantamento”. Talvez por falta de mediações… também por falta de atenção e disponibilidade interior… O que é certo é que é uma pena, porque enquanto não deixarmos que essa pessoa especial cruze conosco de maneira a surpreender-nos, a fazer-nos parar maravilhados e a dar-nos vontade de lhe perguntarmos “Onde moras?!”, ainda não temos verdadeiros motivos para segui-lo!

Então, com muita facilidade, o que seria um aprendizado inestimável, se transforma em “letra morta” e aquele espírito novo num “anjo da guarda especializado” ao serviço dos nossos próprios projetos e tarefas.

Mas quando nos encantamos… Aí tudo muda! Quando temos o privilégio de encontrar mediações do Amor Inesperado e Imerecido de Deus por nós, então desabrocha no nosso íntimo, ao mesmo tempo, uma paz inexplicável e uma vontade enorme de continuar a desvelar os seus segredos…

Sim, porque é disso mesmo que se trata. De se fazer a experiência de penetrar nos segredos de Deus, que iluminam os segredos de nossa própria vida. E é encantador… permanentemente encantador!

E quando chegar a hora do “face-a-face”, então é que nos encantaremos de verdade, e viveremos eternamente admirados com a “medida sem medida” da Bondade de Deus para conosco! No princípio, a gente ainda não é capaz de dizer todas estas coisas … Mas a experiência do encanto é exatamente começar a penetrar nelas e a adivinhar a beleza que nos espera…

E esse encantar-se, nunca se faz sem que tenhamos “mediadores”. Sem que tenhamos aqueles que se “encantaram” antes de nós. O catequista é um mediador. Um agente do “encantar-se”!

Angela Rocha- Catequista
http://angprr.blog.uol.com.br/

*Adaptação do texto de Rui Santiago.

sábado, 25 de junho de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

13º. Domingo do Tempo Comum – A
    
No Evangelho, Jesus encerra o discurso dirigido aos missionários. Trata-se de um programa para os discípulos que sairiam em missão. São palavras dirigidas a todos nós que também nos colocamos a caminho como missionários do Senhor.
No domingo anterior, celebrávamos a Santíssima Trindade. Meditamos que Deus não é uma solidão egoísta, mas um constante sair de si, um transbordamento de amor em sua comunhão divina e em relação ao mundo e a história. Na Festa de Pentecostes, celebramos o transbordamento do amor no Espírito, derramado em nossos corações. Hoje, o convite é para uma resposta que procure assimilar o amor divino. Ser cristão é sair de si: “Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la!” (Mt 10,39). Apesar de todo o amor próprio que se deve cultivar, não se pode viver procurando conservar, guardar, acumular as pessoas, as energias e as coisas, pois tudo passa e se esgota, e acabamos por ficar sem nada. A luta pelos privilégios fáceis não nos realizam como pessoa humana. No mundo de relações, muitos olham para o “próprio umbigo”, enquanto alguns ficam com as sobras. Isso não se refere apenas ao macro mundo da sociologia, mas às relações de poder mais imediatas como na família e na própria Igreja.
Jesus insiste na dignidade: “ser digno de mim”. Ser digno do Senhor é viver a sua vida, é seguir seus passos. Mesmo as relações familiares ficam relativizadas, ou seja, nada é mais importante do que o Senhor e seu Reino. O convite não é para uma vida abundante, mas para uma abundância que não está isenta da cruz. Por isso, o discipulado (e ainda mais a missionariedade) exige o risco, o enfrentamento das situações injustas, o incômodo para que os sistemas pré-estabelecidos sejam desmontados. O Evangelho, assim, é o paradoxo. Parece mais lógico conservar, e não doar; buscar a proteção, não o risco; esconder-se e não se expor. Ter a fé e a esperança de que este é o caminho para vida é o segredo da salvação.  Deste modo, a Páscoa torna-se o paradigma de nossa existência: nossa morte é a nossa vida, pois fomos sepultados com o Senhor, para sermos ressuscitados com Ele (2ª. Leitura).
Jesus finaliza falando da hospitalidade que deve ser oferecida ao profeta, ao justo e ao pequenino. Eliseu também foi bem acolhido por uma senhora rica: encontrou comida, bebida e lugar para descansar (1ª. Leitura). No mundo dos fechamentos egoístas ilustrados pelos condomínios, urge pessoas hospitaleiras.  Mais do que abrir as portas das casas, precisamos abrir as portas do coração. Ser hospitaleiro é deixar o outro ser ele mesmo, sem impor, sem exigir nada. É abrir-se para que o outro se expresse e encontre um coração que o sintonize, e seja capaz de se alegrar ou sofrer com ele, dependendo da circunstância. Quantos copos de água fresca podemos oferecer pelo caminho! São oportunidade de oferecer um pouco de si, de fazer o exercício do sair de si mesmo em busca do outro, de cultivar um pouco do amor trinitário já presente em nós. Em verdade, diz o Senhor: não ficará sem recompensa!

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba – Pr.

Divulgados os nomes dos eleitos para compor a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética


Dom José Antônio Peruzzo
Bispo de Palmas-Francisco Beltrão-PR
A CNBB divulgou, neste sábado, 25, a lista com os nomes dos bispos eleitos para compor as 12 Comissões Episcopais Pastorais da CNBB. Ao contrário dos presidentes de cada Comissão, que são eleitos pela Assembleia Geral, os membros das Comissões são escolhidos, por eleição, pelo Conselho Permanente.
As eleições foram um dos principais pontos de pauta da primeira reunião do novo Conselho Permanente, na semana passada, dias 15 a 17. Foram escolhidos os bispos para compor outras Comissões e Conselhos que fazem parte da estrutura da CNBB. Há Conselhos e Comissões cujos membros são nomeados pela Presidência.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto-SP

O número de membros de cada Comissão não é o mesmo, variando de três a seis, incluído seu presidente.

Dom José Antônio Peruzzo, bispo de Palmas-Francisco Beltrão (PR)  e Dom Paulo Mendes Peixoto, bispo de São José do Rio Preto (SP) foram eleitos pelo Conselho Permanente para compor a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética.


                              


quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Eucaristia, comunhão com o Senhor

Ao cair desta tarde, com a oração das primeiras vésperas, a Mãe Igreja iniciou a celebração da Solenidade de Corpus Christi, festa da Eucaristia, proclamação da presença real do Cristo morto e ressuscitado no pão e no vinho consagrados. Tendo em mente o mistério eucarístico, São Paulo pergunta: “O cálice de bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?” (1Cor 10,16) Tais afirmações, em forma de perguntas e, à primeira vista, tão simples, têm uma força e significação enormes.

Na Escritura Sagrada, o “sangue” não é simplesmente uma realidade material, o líquido vermelho que circula em nossas artérias, mas sobretudo a vida e, muitas vezes, a vida tirada violentamente. Dar o sangue quer dizer dar a vida, vida sofrida, violentada, arrancada de modo cruel. “Sangue de Cristo” significa, portanto, a vida de Jesus dada em sacrifício, tirada de modo violento; a vida que ele deu por nós. “Corpo”, por sua vez, não significa primeiramente os músculos humanos, mas sim o homem todo, a pessoa toda, na sua situação de criatura limitada, frágil, mortal. Assim, “corpo de Cristo” exprime a natureza humana que o Filho de Deus assumiu por nós de Maria, a Virgem: “O Verbo se fez carne” (Jo 1,14), quer, então, dizer, fez-se homem, fez-se realmente humano, com um corpo humano e uma alma humana, com inteligência, vontade, consciência, afeto, sentimentos e liberdade humanos. Então, dar o corpo significa dar-se todo, dar toda sua vida humana: seus sonhos, cansaços, desilusões, sofrimentos... Dar tudo quanto a pessoa é! Foi assim que Jesus se nos deu: em todo o seu ser, sem reservas; doou-nos sua vida e sua morte!

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE
Fonte: http://www.domhenrique.com.br/



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Admirável Trindade: Deus único e verdadeiro!

Das Cartas de Santo Atanásio (sec. IV), bispo e doutor da Igreja:

Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome.

Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.

São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6).

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espí­rito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa.

São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuí­mos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE


Fonte:http://costa_hs.blog.uol.com.br/

domingo, 19 de junho de 2011

Este é o nosso Deus Salvador!

Caro Internauta, neste Domingo da Santíssima Trindade, coloco aqui, para estudo, oração e contemplação, o Símbolo chamado Quicumque (porque assim começa em latim), atribuído erradamente a Santo Atanásio (295-373). Na verdade foi composto por um autor anônimo entre 430-500 no sul da França. Este símbolo ganhou uma autoridade enorme a ponto de ser equiparado ao Niceno-constantinopolitano e ter sido utilizado na liturgia. Eis o texto, no qual ocorrem todos os termos técnicos da compreensão dogmática da fé da Igreja. Atenção: a linguagem é técnica, mas fruto da contemplação amorosa e deslumbrada da Igreja:

Todo aquele (= Quicumque) que quiser salvar-se, antes de tudo é necessário que mantenha a fé católica; e quem não a guardar íntegra e inviolada sem dúvida perecerá para sempre.

Ora bem, a fé católica é essa: que veneremos a um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade; sem confundir as pessoas nem separar a substância. Porque uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho e outra (também) a do Espírito Santo; porém, o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm uma só divindade, glória igual e coeterna majestade. Qual o Pai, tal o Filho e tal (também) o Espírito Santo; incriado o Pai, incriado o Filho e incriado (também) o Espírito Santo; imenso o Pai, imenso o Filho, imenso (também) o Espírito Santo. E não obstante, não são três eternos, senão um só eterno, como não são três incriados, nem três imensos, senão um só eterno, e um só imenso. Igualmente, onipotente o Pai, onipotente o Filho, onipotente (também) o Espírito Santo. E no entanto não são três onipotentes, senão um só onipotente.

Assim Deus é Pai, Deus é Filho, Deus é (também) Espírito Santo; e, no entanto, não são três deuses, senão um só Deus. Assim, Senhor é o Pai, Senhor é o Filho, Senhor é (também) o Espírito Santo; e, no entanto, não são três Senhores, senão um só Senhor: porque assim como pela verdade cristã somos compelidos a confessar como Deus e Senhor a cada pessoa em particular, assim a religião católica nos proíbe dizer três deuses e senhores. O Pai por ninguém foi feito nem criado nem engendrado. O Filho foi somente pelo Pai, não feito nem criado, mas engendrado. O Espírito Santo, do Pai e do Filho, não foi feito nem criado nem engendrado senão que procede.

Há, consequenemente, um só Pai, não três pais; um só Filho, não três filhos; um só Espírito Santo, não três espíritos santos; e nesta Trindade nada é antes nem depois, nada maior ou menor, senão que as três pessoas são entre si co-eternas e co-iguais, de sorte que, como antes se disse, por tudo deve-se venerar tanto a unidade na, Trindade quanto a Trindade na unidade.

Quem quiser, pois, salvar-se assim deve pensar da Trindade.

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Juventude será o tema da Campanha da Fraternidade de 2013


Fraternidade e Juventude. Este será o tema da Campanha da Fraternidade de 2013. A escolha foi feita hoje, 15, pelo Conselho Episcopal Pastoral, que está reunido desde ontem na sede da CNBB.

O tema foi proposto pelo Setor Juventude da CNBB, que recolheu cerca de 300 mil assinaturas junto aos jovens do Brasil. O lema será escolhido na próxima reunião do Consep.

O Setor da Mobilidade Humana da CNBB apresentou e defendeu o tema do tráfico de pessoa humana e o trabalho escravo. Outros temas foram apresentados, mas não receberam votos.

Esta será a segunda Campanha da Fraternidade sobre a Juventude. A primeira foi realizada em 1992 com o lema “Juventude, caminho aberto”.

A escolha dos temas da Campanha da Fraternidade é feita com antecedência de dois anos.

Consep aprova texto-base e cartaz da CF-2012 .

O Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (Consep) aprovou, nesta quarta-feira, 15, o cartaz da Campanha da Fraternidade 2012, que vai discutir o tema “Fraternidade e a Saúde Pública” sob o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra".

O texto foi estudado, ontem, 14, pelos bispos do Consep, juntamente com os secretários e assessores executivos da CNBB, que apresentaram sugestões ao texto. O estudo foi precedido de uma palestra feito pelo diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do Ministério da Saúde, Otaliba Libâneo de Moraes Neto, que apresentou dados da saúde pública no Brasil. O coordenador da Pastoral da Saúde, André Luiz de Oliveira, também apresentou aos bispos dados sobre a saúde no país.

Cartaz

Os bispos escolheram também o cartaz de divulgação da Campanha. A peça vencedora é do publicitário Marcelo Jacynto de Godoy, de Campinas (SP). Ele concorreu com mais de 70 cartazes que participaram do concurso promovido pela CNBB.

O texto-base e o cartaz serão lançados no dia 7 de julho, em São Paulo. A publicação será feita pelas Edições CNBB.
Esta é a primeira reunião do novo Consep, eleito na última assembleia anual da CNBB, realizada no mês de maio. Além dos três membros da Presidência da CNBB, fazem parte do Consep os presidentes das 12 Comissões Episcopais Pastorais da CNBB. A partir das 14h30, tem início a reunião do Conselho Permanente, composto de 41 bispos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

CNBB lança vídeo do 5º Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência

CNBB lança vídeo do 5º Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência com o tema "A Igreja e a Pessoa com Deficiência", da Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética  ocorrido entre os dias 25 e 27 de março, o evento aconteceu no Centro de Pastoral Santa Fé, em São Paulo (SP).

VEJA O VÍDEO

Pastoral dos Surdos promove Encontro de Intérpretes Católicos na Língua Brasileira de Sinais

Motivada pelas Santas Missões Populares (SMP), a Pastoral dos Surdos, da diocese da Campanha (MG) promoverá, no próximo dia 10 de julho, o 1º Encontro de Intérpretes Católicos na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), no salão paroquial da paróquia do Mártir São Sebastião, em Varginha (MG), com o intuito de apresentar a Pastoral dos Surdos àqueles que já possuem o instrumental necessário – o conhecimento de LIBRAS.

O objetivo do encontro, segundo os coordenadores da Pastoral dos Surdos, é fomentar nas paróquias e outras dioceses um trabalho de evangelização dos surdos, especialmente de potencialização da participação dos surdos na comunidade eclesial, lugar natural do cultivo e do amadurecimento da fé, bem como da iniciação à vida cristã e motivar sua criação nas paróquias da diocese.
A proposta para este encontro é reunir interpretes que estejam empenhados num trabalho evangelizador ou educacional com os surdos, bem como pessoas que se interessem pela ação pastoral com a comunidade surda.

Atualmente, por exigência do Ministério da Educação (MEC), em todas as escolas há pessoas habilitadas na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), que é oficialmente a segunda língua do Brasil. Em muitos casos, esses professores são católicos e até mesmo ativos na ação pastoral da Igreja, mas desconhecem a possibilidade e, sobretudo, a necessidades da Igreja de chegar com sua mensagem evangélica aos surdos.
O encontro contará com momentos de oração, partilha, reflexão, oficinas e convivência com a comunidade surda de Varginha (MG).

Assessores e secretários regionais da CNBB discutem implementação das DGAE .

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) foram tema de estudo da reunião dos secretários regionais e assessores da CNBB, nesta segunda-feira, 13, na sede da Conferência dos Bispos, em Brasília. Eles discutiram caminhos e métodos para a implementação da novas Diretrizes aprovadas na 49ª Assembleia da CNBB, no mês passado, em Aparecida (SP).

Segundo o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, que presidiu pela primeira vez a reunião, é tarefa do Secretariado e das Comissões Pastorais da CNBB fazer com que as Diretrizes sejam estudadas e compreendidas pelas comunidades católicas do Brasil. Dom Leonardo enfatizou, ainda, a importância das dioceses elaborarem seus planos de pastoral tendo como base as Diretrizes.

O grupo aprovou a proposta de promover um estudo mais aprofundado das Diretrizes para os assessores da CNBB, capacitando-os para ajudar na divulgação e repasse das Diretrizes. Outra proposta definida pelo grupo foi a elaboração de subsídios que ajudem a assimilar e divulgar as Diretrizes nos Regionais, dioceses e paróquias. As duas propostas serão apresentadas ao Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep).

Dom Leonardo conclamou os secretários regionais e assessores a realizarem seu trabalho com disponibilidade e gratuidade. “A função dos secretários e dos assessores não é promoção, nem poder, mas serviço. Vamos fazê-lo da forma mais disponível e gratuita possível. Este serviço é muito importante para a Igreja”, disse.

Amanhã, 15, começa a primeira reunião do novo Conselho Permanente da CNBB. Uma das tarefas do Conselho será escolher os bispos membros para cada uma das 12 Comissões Pastorais e aprovar os nomes dos assessores apresentados pelas Comissões para o quadriênio 2011-2015.

domingo, 12 de junho de 2011

As Festas Juninas

A festa junina que celebramos hoje em dia é herança de séculos passados.  Ela foi originada na cultura dos agricultores que celebravam anualmente com comida e danças a colheita dos produtos plantados. Associou-se a esse costume influencias da cultura religiosa e luso-europeia. Os santos católicos foram associados à festa junina devido a sua popularidade e sua data litúrgica ser celebrada no decorrer desta festa. Inclusive, o nome “junino” advém do nome de “Juno” um dos deuses pagãos e que dele deriva o nome do sexto mês em nosso calendário, como todos os outros meses.

Associada então a festa junina a festa litúrgica e mais alguns elementos culturais europeus completa-se o que denominamos de “Festa Junina”. Tudo isso aconteceu de modo natural e no longo processo de enculturação quando a sociedade ainda era predominantemente rural. Não sabemos exatamente como tudo isso aconteceu e o fenômeno é complexo, de modo que, ele varia de região para região, e tem em cada lugar rosto e características próprias.

O que temos hoje é um emaranhado de culturas configuradas numa só: folclore, costumes, danças, comidas, formas de falar, de vestir, de se expressar. Por trás de tudo isso, uma religiosidade própria dá consistência e que extrapola até mesmo os limites da religião e da liturgia estabelecida, tendo sua própria regra de celebração, simbolismo e compreensão do sagrado.

A festa junina hoje é uma expressão popular de uma cultura anterior e que enfrenta e abre leque para muitos desafios no mundo moderno. Mediante a cultura do fragmentando, do obsoleto, do economicamente rentável, das relações interpessoais efêmeras, da musica com conteúdos vazios e com linguagem e roupagem nova, ela é uma resistente e politicamente manipulável perante a população.

Mas, diante de tudo isso, ainda sim, é uma cultura popular que consegue aglutinar em torno de si multidões e celebrar a fraternidade, a amizade, os sentimentos de família, de reciprocidade e alegria da vizinhança (graças ao seu caráter comunitário), de fomentar nostalgia, de reciclar sonhos, de questionar posturas, de fincar raízes e não esquecer as raízes de onde viemos: o chão rural. Por tudo isso, a festa junina é uma grande profecia popular e se presta às novas reinvindicações sempre velhas da geração atual.

Então, vamos festejar, e aqui, façamos uma reflexão do significado de sua simbologia mais rudimentar.

Comidas – são típicas do mundo rural: pamonha, canjica, cuscuz de milho original, etc; Elas são a alegria e o principal ingrediente originado da colheita do milho;

Fogueira – fogo com galhos de madeira. Em torno dela se faz folia, compromissos (compadre/comadre) e juras de amor. Porém segundo a tradição (que não é a Tradição oficial) serviu de aviso entre Isabel e Maria quando do nascimento do menino João Batista;

Quadrilha – essa palavra é derivada do francês – quadrille – e se origina do italiano – squadro – que por sua vez significava a companhia de soldados dispostos em quadrado. Na festa junina ela é então uma forma de organizar a dança comunitária de um grupo, como também é o próprio ato de dançar em si.  Dessa maneira não se distingue o ato de dançar e organizar o grupo, tudo é uma coisa só. Essa dança então segue todo um ritual próprio com gestos faceiro e galante;

Balões e bandeirinhas – são usados como enfeite e são símbolos da leveza, de alegria e da fraternidade além fronteira. Eles dão um colorido especial a festa;

Bacamarteiros/Bacamarte – é uma presença alegórica e folclórica. Diverte o povo por sua bravura e coragem promovendo barulho com sua arma/artilharia. Bacamarte é uma arma de fogo também conhecida por riuna, principalmente, no Nordeste brasileiro. Elas foram usadas na Guerra do Paraguai, em 1865. Desde os fins do século XIX, grupos de bacamarteiros se exibem em nossa cidade aqui, em Caruaru,  durante as festas juninas;

Santo Antônio – é doutor da Igreja. Nasceu na cidade de Lisboa em Portugal no ano de 1195. Seu nome próprio é Fernando de Bulhoes y Taveira de Azevedo. Ele foi padre e depois foi da ordem de são Francisco, onde trocou de nome. Foi grande pregador do século XIII. Sua popularidade chegou ao Brasil através do portugueses e dos franciscanos. Hoje, há muitas histórias misturadas com lendas pitorescas.

São Pedro – discípulo de Jesus, é considerado pela Igreja o primeiro papa. Morreu mártir em Roma pregado numa cruz de cabeça para baixo. Pedro era natural de Betsaida na Galileia próximo as margens do mar de mesmo nome. Ele e André são filhos de Jonas. Eram pescadores e possuíam uma pequena frota de barcos.

São João Batista – Filho de Isabel e Zacarias foi preso, cortado a cabeça e morto pelo rei Herodes. Profeta natural da Judéia, é primo de Jesus. Sua missão foi preparar o povo para o Messias que estava chegando: Jesus de Nazaré.

Ao celebrarmos os festejos juninos, tenhamos em mente que fé e cultura estão de braços dados fazendo a alegria do povo. Prestemos atenção na configuração da festa e vejamos também como a politica, a ecologia, a economia, o lazer, a moral, os costumes e as perspectivas aí se encontram. Que possamos juntos nos divertir, saborear bons pratos, vivenciar a espiritualidade interiorana do povo do campo mesclado com a cidade e, buscar em meio a tudo isso, forças para enfrentar o cotidiano da vida diária nos momentos posteriores a grande festa cultural do povo nordestino.

Bento XVI: "Pentecostes foi o batismo da Igreja"

O Papa Bento XVI rezou ao meio-dia deste domingo a oração mariana do Regina Coeli com milhares de peregrinos reunidos na Praça São Pedro. O papa recordou que a Solenidade de Pentecostes, celebra hoje, conclui o tempo litúrgico da Páscoa. “Foi o batismo da Igreja, o batismo no Espírito Santo”, disse Bento XVI.

“A voz de Deus diviniza a linguagem humana dos Apóstolos, que se tornam capazes de proclamar de modo 'polifônico' o único Verbo divino. O sopro do Espírito Santo enche o universo, gera a fé, arrasta a verdade, estabelece a unidade entre os povos”, disse o papa, lembrando a narração de Pentecostes pelos Atos dos Apóstolos.

“O Espírito Santo, ‘que é Senhor, e dá a vida’ - como dizemos no Credo – procede do Pai e do Filho e completa a revelação da Santíssima Trindade. Provém de Deus como o sopro da sua boca e tem o poder de santificar, abolir as divisões, dissolver a confusão causada pelo pecado. Ele, imaterial e incorpóreo, concede os bens divinos, sustenta os seres vivos, para que atuem em conformidade ao bem. Como luz inteligível dá sentido à oração. Dá vigor à missão evangelizadora, faz arder os corações daqueles que ouvem a boa notícia, inspira a arte cristã e a melodia litúrgica”, acrescentou Bento XVI.

O papa afirmou que o Espírito Santo, “que gera a fé em nós no momento do nosso batismo, nos permite viver como filhos de Deus, conscientes e dispostos, segundo a imagem do Filho Unigênito”.
Antes de concluir a oração mariana do Regina Coeli, Bento XVI saudou os peregrinos presentes na Praça São Pedro em várias línguas. Ele recordou que no próximo dia 14 será celebrado o Dia Mundial dos Doadores de Sangue e dirigiu uma saudação a todos os doadores de sangue, convidando os jovens a seguir o seu exemplo.

Antes da oração mariana, Bento XVI rezou a missa de Pentecostes. Leia, abaixo, a homilia do papa.

Aconteceu em São Paulo o encontro do grupo dos Catequetas

Aconteceu entre os dias 10 e 12 de junho, na Casa Provincial La Salle, em São Paulo, o encontro de catequetas e professores de teologia pastoral. Trata-se de um projeto da Comissão da Animação Bíblica Catequética com a finalidade de articular os pesquisadores e professores para uma caminhada conjunta, em consonância com o movimento catequético brasileiro, além de proporcionar um espaço de partilha e de incentivo à pesquisa catequética.


O encontro deste ano refletiu os seguintes temas: Leitura Catequética da Verbum Domini e a Animação Bíblica da Pastoral e a Iniciação à Vida Cristã à luz das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. Os 19 participantes presentes nesta etapa também realizaram a partilha de suas produções e atividades pastorais. No final do encontro houve os encaminhamentos para a criação da Sociedade dos Catequetas do Brasil.



VEJA AQUI AS FOTOS DESTE ENCONTRO

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Animação Bíblica na Vida Religiosa Consagrada

“A Vida Consagrada nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida. Na escola da Palavra, redescobre continuamente a sua identidade e converte-se em "evangélica testificatio" para a Igreja e para o mundo.
(Proposição 24. Sínodo sobre a Centralidade da Palavra de Deus na Vida e missão da Igreja).

Ao falar de Animação Bíblica na Vida Religiosa Consagrada, há que recordar que, com o Concílio Vaticano II, a Bíblia foi ocupando cada vez mais espaço na Igreja, nas casas de formação para a Vida Religiosa, nos seminários, nas famílias, nos grupos de reflexão e nas pequenas comunidades. Movida pelo desejo de crescimento na fé bíblica, a Igreja no Brasil desenvolveu toda uma prática de leitura e reflexão da Bíblia que muito contribui para o sustento da fé e da caminhada das pessoas.

A Vida Religiosa Consagrada sempre buscou na Palavra de Deus, a inspiração de sua vida e missão. Desde os primórdios, dos fundadores e até nossos dias, a VRC tem alimentado da Palavra, para melhor anunciar a Palavra. O próprio Papa Bento XVI tem reconhecido esta prática, ao enfatizar que “a profunda renovação da vida consagrada, parte da centralidade da Palavra de Deus ouvida e colocada em prática” (Bento XVI em audiência aos Superiores/as gerais, no dia 26 de novembro de 2010).

Por
Ir. Zenilda Luzia Petry – IFSJ e Ir. Maria Aparecida Barboza - ICM

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pentecostes e o serviço de Animação Vocacional

Dentro de alguns dias estaremos celebrando Pentecostes. Será um momento oportuno para O reavivarmos em nossas vidas (2Tm 1,6-7), assim como os primeiros cristãos receberam o Espírito Santo no primeiro Pentecostes cristão, quando estavam reunidos em oração na sala de uma casa (At 2,2). Portanto, não só o dia de Pentecostes é de grande importância para nós, cristãos, mas a nossa união também o é. E a nossa união começa em casa, ou seja, em nossa família, e depois, completa-se na Igreja, com todos os nossos irmãos de fé.

Deus está sempre presente no meio de nós e as nossas casas podem e devem se tornar locais de oração, tal como ocorreu com os primeiro cristãos. Para isso, nossas casas têm de se tornar verdadeiras casas de oração (Is 56,7), e os casais cristãos têm de orar juntos, incentivando suas famílias a fazerem o mesmo. Dessa maneira, as casas das famílias orantes tornar-se-ão locais propícios para o nosso Pentecostes, representando extensões naturais de nossa casa maior, a Igreja.

A oração que começa na família deve se estende pela comunidade. As vocações surgem de uma comunidade que reza unida, que partilha unida a urgência de se promover novas vocações ministeriais, religiosas e laicais.
Em todos os nossos encontros, formações, palestras e reuniões começamos o trabalho vocacional com a oração. Ela é a base de uma atividade bem estruturada e desenvolvida. Assim, faz-se necessário sempre estar atendo aos sinais que Deus nos proporciona para que o trabalho de animação vocacional seja frutuoso.

Vejamos outro exemplo de incentivo paroquial: o de Barnabé. Ele era um homem de bem e cheio do Espírito Santo (At 11,24) e foi escolhido pela Igreja de Jerusalém para consolidar a comunidade convertida de Antioquia. O sucesso do trabalho de organização e animação da comunidade, conduzido por Barnabé, deveu-se muito ao seu empenho pessoal (At 11,23), mas é preciso ressaltar que ele era um homem agraciado com o dom da paz.



Muitos cristãos atuais também desejam participar das atividades de evangelização de suas paróquias ou, até mesmo, vê-las mais ativas e animadas; mas por não estarem em posições de liderança e por acharem-se incapazes, mantêm-se afastados. E isso tem de mudar. Cada um é responsável pelo cuidado paroquial, pelo cuidado da comunidade, pelo cuidado com as vocações e a continuidade da missão deixada por Jesus Cristo. É possível dar sua contribuição positiva para a comunidade: basta ser uma pessoa vocacionada a ajudar, a doar-se aos irmãos em tantas frentes evangelizadoras que a Igreja possui. Seja um agente animador da comunidade, incentivador da paz entre os irmãos, vocacionado da esperança para levar muitas outras pessoas para o Senhor (At 11,24).

Por Pe Messias

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Diocese de Araçatuba (SP) realiza 2º Retiro Diocesano para Coordenadores da Catequese


A diocese de Araçatuba (SP), realizou nos dias 4 e 5, o 2º Retiro para coordenadores diocesanos e paroquiais da Catequese, no centro diocesano de pastoral, tendo como assessor do encontro, o bispo diocesano, dom Sergio Krzywy.

Na abertura do retiro, o coordenador diocesano da catequese, Luiz Carlos Felício, acolheu a todos e agradeceu a dom Sergio pelo total empenho em prol da formação dos catequistas, desde sua posse em 2004.

Dom Sergio lembrou que por sugestão da própria coordenação, o tema a ser refletido seria: A Palavra e o método de leitura orante da Bíblia (Lectio Divina). "É por esta razão que estamos aqui nos encontrando com Deus, com nossos irmãos, com nossa Igreja. Vamos saborear estes momentos que Deus nos concedeu", disse o bispo.

Separados em duplas, os catequistas puderam dialogar sobre sua vida e trabalho pela catequese e ainda expuseram seus trechos bíblicos preferidos, para que posteriormente, cada qual apresentasse seu parceiro com suas respectivas passagens da Palavra.

Dom Sergio Krzywy enalteceu a importância do silêncio para entrar em comunhão com Deus através da meditação. Além disso, falou sobre a importância de escutar o irmão e a palavra, como exercício cristão. "Escutar ou Shemá, é criar laços, obedecer, ouvir bem. Só obedece a Cristo quem ouve bem. Ter um momento com a Palavra exige de nós o dom da escuta", frisou o bispo.

No final da tarde, os catequistas foram conduzidos para a capela do seminário diocesano São José, para a realização da Lectio Divina com base na “Parábola do Semeador”. Continuando o retiro, de forma individual, os participantes escolheram uma passagem da Bíblia para praticarem a Lectio Divina.

O coordenador diocesano da Catequese, Luiz Carlos Felício, disse que todos os catequistas saíram satisfeitos e que a dinâmica empregada por dom Sergio proporcionou "um aproveitamento muito bom. Os jovens aprenderam a entender melhor a Palavra, através da Lectio Divina".

Para o bispo de Araçatuba, dom Sergio, o objetivo do encontro foi fortalecer os trabalhos de catequese nas comunidades através da leitura orante da Bíblia. “Pudemos aprofundar ainda mais, este contato com a Palavra de Deus, aprendendo a nos alimentar dela, coletivamente e individualmente”.

A valorização dos dons na Catequese

Não podemos negar que vivemos em uma era de “muitas eras”: da Comunicação, da Tecnologia, do Desenvolvimento. Entre essas características, chamamos a atenção para uma sociedade que também é Plural. Esta traz consigo a diversidade de qualidades (dons) que cada indivíduo possui e a sua valorização perante a coletividade.

Nas nossas turmas de catequese conseguimos enxergar os dons escondidos que existem? Para isso o catequista deve ser observador. No planejamento dos conteúdos devemos colocar, quando necessário, atividades lúdicas que envolvam artes e atividades, despertando nos catequizandos talentos que muitas vezes eles desconhecem.

A dramatização de um trecho bíblico pode originar no futuro um grupo de teatro para a catequese. Colocar músicas, cânticos litúrgicos e salmos ajudam na  formação de um possível coral. Incentivar a reflexão coletiva de assuntos e da bíblia ou orações espotâneas no grupo, pode gerar a vocação de futuros catequistas, sacerdotes e religiosos (as).

O catequista deve seguir passos lentos e que desperte aos poucos esses valores. Não podemos causar pressão sobre a turma. Lembremos o que aconteceu com Mateus: “Saindo daí, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e lhe disse: 'Siga-me!' Ele se levantou e seguiu Jesus.” (Mt 9,9). Jesus chama o apóstolo de forma simples e sem exigências. E ele o segue. Igualmente devemos fazer com as nossas turmas. Exigir perfeição e resultados rápidos frustra e decepciona.

Trabalhar os dons nas nossas turmas é despertar vocações e mais serviços para as comunidades. Fazendo com que nossos catequizandos se sintam úteis na construção do Reino e façam parte da grande família que é a Igreja.


*Marcos Filipe Sousa

*Formado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e membro da Coordenação Arquidiocesana de Catequese de Maceió.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Regional Norte 1 promove curso de Leitura Orante da Bíblia em Manaus

Nos dias 3 a 5 foi a vez do Regional Norte 1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima) receber o curso de Capacitação de Jovens para a Leitura Orante, mais conhecido como Lectionautas. Aproximadamente 40 jovens participaram do encontro, que aconteceu em Manaus (AM), cujo objetivo foi capacitar formadores para a leitura orante via internet.

O projeto Lectionautas, que é uma parceria das Sociedades Bíblicas Unidas e o Centro Bíblico para a América Latina (CEBIPAL), foi assumido no Brasil em 2009 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Desde então, três Regionais (Nordeste 2 - Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte; Nordeste 4 - Piauí e Norte 1 - Norte do Amazonas e Roraima) já se beneficiaram com o curso.
“Percebemos uma sensibilidade e abertura de coração muito grande dos jovens para a Palavra de Deus. Ela é como um farol que projeta luzes sobre a vida cotidiana e ilumina a caminhada”, afirmou a assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética, da CNBB, Maria Cecília Rover, que coordena o projeto no Brasil.
  
O jovem que participa da capacitação, além dos exercícios de Leitura Orante, recebe um Manual e um Novo Testamento que serão seus instrumentos para multiplicarem o projeto em suas dioceses e paróquias.
Segundo a assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, irmã Maria Irene Lopes dos Santos, foi “fascinante” o trabalho vivenciado com os jovens do Regional. “Foi fascinante vivenciar com os jovens da Amazônia, os passos da leitura orante da Palavra de Deus. Começou ali uma grande amizade entre Jesus e os jovens, assim como os primeiros discípulos: Venham ver! Percebi em cada jovem o desejo de ser discípulo missionário em seu ambiente de missão”.
Os bispos auxiliares de Manaus, dom Mário Pasqualotto e dom Mário Antônio da Silva, prestigiaram o evento. Dom Mário Antônio da Silva presidiu a missa no domingo, 5, e salientou a importância da Leitura Orante  como caminho para o jovem encontrar-se com Jesus. Já dom Pasqualotto expressou seu agradecimento à CNBB e à SBB pela realização do encontro.
“Alegra-nos ver, no final do encontro, como os jovens saem animados e com compromissos bem concretos de multiplicar os encontros e praticar a Leitura Orante não apenas em seus grupos de jovens ou de catequistas, mas também em outros grupos que existem sem suas comunidades”, declarou Maria Cecília Rover.

domingo, 5 de junho de 2011

Igreja celebra o Dia Mundial das Comunicações

A Igreja celebra neste domingo, 5, o Dia Mundial das Comunicações (DMC). Criado a partir de uma determinação do Decreto Inter Mirifica, documento do Concílio Vaticano II, o 1º DMC foi celebrado em 1967. “Com esta iniciativa, proposta pelo Concílio Vaticano II, a Igreja, que "se sente intimamente solidária com o gênero humano e com a sua história", quer chamar a atenção dos seus filhos e de todos os homens de boa vontade para o vasto e complexo fenômeno dos modernos meios de comunicação social, como a imprensa, o cinema, o rádio e a televisão, que são uma das notas mais características da civilização moderna”, disse o papa Paulo VI na primeira mensagem sobre o DMC.

O Vaticano II, no parágrafo 18 do Inter Mirifica, deixa claros os objetivos do DMC. “Para que se revigore o apostolado da Igreja em relação com os meios de comunicação social, deve celebrar-se em cada ano em todas as dioceses do mundo, a juízo do Bispo, um dia em que os fiéis sejam doutrinados a respeito das suas obrigações nesta matéria, convidados a orar por esta causa e a dar uma esmola para este fim, a qual ser destinada a sustentar e a fomentar, segundo as necessidades do orbe católico, as instituições e as iniciativas promovidas pela Igreja nesta matéria”.

O tema do DMC deste ano, definido pelo papa Bento XVI, é “Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”. Em todo o país, as dioceses realizam várias atividades para lembrar a data. O Setor de Comunicação Social da CNBB produziu um subsídio que traz sugestão de celebração para comemorar o DMC.

Leia abaixo a íntegra da mensagem do papa para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais e as sugestões para sua celebração nas comunidades.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

HOMILIA DO DOMINGO

 

Domingo da Ascensão do Senhor


Os textos litúrgicos dos últimos dias nos colocaram diante da despedida de Jesus. O Evangelho de João nos traz as palavras que deixam claro aos discípulos que vai haver um tempo de ausência do Senhor, e depois um retorno. Ele vai, mas volta. Ele irá, mas não nos deixa órfãos.

A Ascensão do Senhor é um marco de uma nova maneira do Senhor estar presente. O Evangelho de Mateus afirma que Cristo estará conosco “todos os dias, até o fim do mundo”. Não temos a experiência do Jesus histórico, mas a certeza de sua presença pelo Espírito, sua presença pelos muitos sinais que o Senhor nos deixou. Trata-se de um convite à confiança: a Igreja é convidada a confiar que o Senhor não nos abandona, que Ele segue ao nosso lado. Por vezes, parece se ausentar. Então vivemos a noite escura, a dor, a solidão, a desolação. Foi esta a experiência dos discípulos na cruz.

Mas foi apenas um “pouco tempo” como Ele havia previsto. O tempo da ausência foi a ante-sala do tempo de uma presença plena, ressuscitada. Uma presença que antecipa o que virá - a plenitude da vida na eternidade. Pode acontecer que este “pouco tempo” seja um “longo tempo”. Não convém quantificar os dias, meses ou anos. Convém, sim, acreditar que já vivemos um novo tempo: o tempo da graça, do kairós, da plenitude do Reino que é gestada.

É preciso que saibamos viver as aparentes ausências do Senhor. Nisto reside nossa confiança em Deus. Crer nele na consolação é fácil, difícil é crer que Ele não nos desampara nos momentos mais difíceis, quando sua presença é oculta, manifesta em sinais tímidos. A Igreja é convidada a anunciar e a evidenciar a presença do Cristo. Deus parece estar ausente em meio a descrença e a falta de humanidade do mundo. Não podemos esconder a Deus, mas manifestá-lo mundo. Para isso, é preciso a coragem do anúncio e o testemunho alegre da Boa Nova. Ninguém tem o direito de mascarar ou tentar esconder a presença de Deus.

 “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu?” A pergunta dos anjos é uma resposta provocativa à atitude dos discípulos, mas nela se esconde uma incompreensão dos sentimentos humanos: nós precisamos olhar para o Céu, mesmo que os anjos digam que não temos este direito. Jesus foi pro Céu e nos quer no Céu. A nós que ficamos cabe experimentar o Céu aqui. Olhar para o Céu nos faz reanimar a esperança e não se apegar tanto a este mundo: “Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibas qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos...” (Ef 1,18). A esperança do Céu nos inspira a vivermos a vida de um modo novo, enquanto aguardamos a vida futura.

O Céu não é tanto um lugar para onde se vai, mas uma realidade construída aqui ao longo da história. Nós fazemos o Reino acontecer pela graça de Deus até que Ele venha e leve tudo à consumação. O cristão não pode ficar de “braços cruzados”, olhando para o céu, mas deve ser comprometido com a causa do Reino. A benção que Jesus dá ao subir ao céu é uma benção de envio: “Ide ao mundo inteiro... Ensinai, batizai...” É como no final da missa: recebemos a missio, ou seja, a missão de ir, de fazer acontecer o Reino onde estamos inseridos. É nossa missão fazer o Céu acontecer aqui e agora.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR
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