sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cristo Jesus, o Sacramento Primordial

Com este artigo vamos começar uma série de meditações sobre os sacramentos. O que são? quem os instituiu? qual o sentido de cada um deles? como são celebrados? como bem participar deles? São questões que veremos nesta nova série de temas teológicos.

Antes de mais nada é importante compreender que não podemos falar corretamente dos sacramentos sem começar falando de Jesus Cristo: é ele o sacramento primordial, a fonte de todos os sacramentos. Vejamos bem isso!

Que é um sacramento? É um sinal eficaz da presença de Deus no nosso meio. Observe bem: é um sinal, ou seja, recorda, comunica, exprime, evoca, torna-nos presente uma realidade que de outro modo poderia estar ausente; este sinal é eficaz: não somente recorda, não somente torna presente na lembrança, mas realmente faz acontecer, faz agir aquilo que significa. É por isso que dizemos que o sacramento é um sinal eficaz. Tomemos como exemplo a bandeira do Brasil: “a lembrança da Pátria nos traz!” A bandeira é um sinal do Brasil; mas não é um sinal eficaz: a bandeira é a bandeira e o Brasil é o Brasil! Ela é um sinal meramente convencional, exterior. Já com os sacramentos a coisa é diversa: a Eucaristia, por exemplo: aquele pão representa Cristo, é sinal de Cristo... mas, não é somente um sinal... é, realmente, Cristo presente no seu Corpo ressuscitado! Então, o sacramento sinaliza e faz acontecer o que foi sinalizado! “Re-presenta”, ou seja, torna realmente presente! É esta a primeira idéia que devemos ter quando falamos em sacramentos.

Como foi dito acima, o Sacramento primordial é Cristo Jesus: ele é o Sacramento do Pai: “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15), ele é a presença real, eficaz, verdadeira do Pai entre nós: “Quem me vê, vê o Pai; eu estou no Pai e o Pai está em mim” (cf. Jo 14,9,10). Nas palavras de Jesus é o Pai quem nos fala, nos seus gestos é o Pai quem nos estende a mão, no seu carinho para com os pobres, os fracos, os pecadores, é o Pai quem manifesta a sua ternura... em toda a sua vida entre nós é o Pai quem nos reconcilia consigo. Muitíssimas vezes a Escritura afirma isso: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus... e o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória. A graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está voltado para o seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo 1,1.14.17-18). Jesus é Deus como o Pai; nele, Filho amado, é a própria vida, a própria presença do Pai que nos é dada; por isso o Evangelista diz: a graça e a verdade do Pai nos vieram por Jesus Cristo!

Outro exemplo desta realidade maravilhosa está na exclamação do próprio povo diante das ações de Jesus: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7,16). Quando Jesus curou o endemoninhado de Gerasa, dá a seguinte ordem ao homem curado: “Vai para tua casa e para os teus e anuncia-lhes o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia” (Mc 5,19). Em Jesus é o Senhor (o Pai) quem age! Por isso mesmo o próprio Jesus, quando foi criticado porque acolhia os pecadores, justificou sua atitude contando as três parábolas da misericórdia, mostrando que ele era amigo dos pecadores porque seu Pai também o era (cf. Lc 15). Tantas frases de Jesus mostram que ele é esta presença de Deus: “O meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo 5,17). “Eu falo o que vi de meu Pai” (Jo 8,38). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim. As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim realiza suas obras” (Jo 14,10-11).

Por tudo isso, Jesus Cristo é o sacramento do Pai: nele está a vida que vem do Pai (cf. Jo 1,4). Entrar em contato com o Cristo morto e ressuscitado é entrar em contato com a vida do próprio Deus, a vida que o Pai derrama sobre seu Filho na potência do Espírito Santo. Já vimos isso muitas vezes nos artigos passados: o Filho Jesus morto e ressuscitado como homem, recebeu do Pai o Espírito Santo, Espírito de vida, força e poder, e derramou sobre nós: “Exaltado pela direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,33). Então, o caminho pelo qual a humanidade pode caminhar para realmente encontrar Deus é Jesus, sacramento (sinal eficaz, verdadeiro, potente, ativo) da presença divina entre nós. É por tudo isso que dissemos que Jesus é o Sacramente primordial de Deus! Não adianta pedir como Filipe: “Mostra-nos o Pai e isto nos basta!” (Jo 14,8). A resposta será sempre a mesma: “Quem me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em mim. Eu e o Pai somos um!” (Jo 14,9-11).

No próximo artigo continuaremos, desenvolvendo este tema! Somente assim você poderá compreender bem o significado e a importância dos sete sacramentos! Até lá!

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE


Fonte: http://www.domhenrique.com.br/

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