terça-feira, 31 de maio de 2011

Quantos e por quê? - II

No artigo passado respondemos a questão: quem instituiu os sacramentos e como os instituiu? Vejamos, agora outras questões:

Por que o número sete para os sacramentos?

Contra os Reformadores protestantes, o Concílio de Trento ensinou: “Se alguém disser que os sacramentos da nova lei são mais ou são menos que sete... ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento, seja anátema”. Portanto, são sete os sacramentos, nem mais nem menos! Mas, que significa isso? Interessa ao Concílio não a questão do número dos sacramentos em si, mas sim afirmar que o Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção, a Ordem e o Matrimônio são realmente sacramentos e somente estes o são! Eis alguns exemplos interessantes: sabemos que o sacramento da Ordem é constituído por três graus (episcopado, presbiterato e diaconato), todos os três realmente graus sacramentais. Assim, se afirmássemos que os sacramentos são nove, considerando que o episcopado e o diaconato também são verdadeiros sacramentos, não estaríamos dizendo nenhuma heresia, apesar de alterar o número sete! Não estaríamos inventando sacramentos, mas simplesmente arrumando de modo diferente os sacramentos instituídos por Jesus Cristo . Teríamos a seguinte relação: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção, Episcopado, Presbiterato, Diaconato e Matrimônio. Um outro exemplo interessante: suponhamos que algum teólogo afirmasse que o Batismo e a Confirmação são um só sacramento com dois graus, teríamos, então, seis sacramentos e, nem assim, estaríamos ferindo o Concílio de Trento, desde que se mantenha firme que a Confirmação realmente comunica a graça de um modo peculiar! Assim, a insistência no número sete é simbólica!

Mas, então, por que o número sete? Já vimos em outros artigos que, na Bíblia, o número sete significa plenitude e totalidade: é a soma de três (que indica Deus) e quatro (que significa o mundo); então, Deus e o mundo, tudo quanto existe! Quando a Igreja afirma que são sete os sacramentos, quer simplesmente afirmar que eles conferem a totalidade da graça de Cristo e também que cobrem a totalidade da existência humana e a coloca sob a ação benfazeja e salvadora da graça de Deus que veio a nós por Jesus Cristo na força do Espírito Santo. Claro que a graça não nos vem somente através dos sacramentos; mas é certo que os sacramentos são canais privilegiados desta graça divina e nos coloca em contato com ela na sua plenitude. Toda a existência humana, em todos os seus momentos, é marcada pela graça do Cristo Jesus!

Quem celebra os sacramentos?

Para responder a isto é necessário compreender uma coisa importante: no Novo Testamento há um só sacerdote, que eleva ao Pai o culto verdadeiro e santo, Jesus Cristo! Mas todos nós, cristãos, participamos do seu sacerdócio: os leigos, pelo Batismo; os bispos, padres e diáconos, pelo sacramento da Ordem; os leigos como membros do Corpo do Cristo-único sacerdote e os ministros ordenados como representantes do Cristo-Cabeça do Corpo, que é a Igreja.

Assim, os sacramentos são para a Igreja e quem os celebra é a Igreja, comunidade dos batizados, enquanto Corpo do Cristo Cabeça. Ao participarmos da celebração dos sacramentos nós somos concelebrantes, cada um, porém do seu modo específico. Por exemplo: na Eucaristia é toda a Igreja quem celebra, todos os batizados que dela participam. Nenhum cristão assiste à Missa; o cristão participa da Missa! Já um não-batizado, mesmo que esteja lá e responda e cante, apenas assiste! Participamos da celebração dos sacramentos porque somos membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Mas um é o modo de participar dos leigos e outro o modo de participar do sacerdote: o padre torna presente o Cristo Cabeça do Corpo que é a Igreja, enquanto os batizados participam como membros do Corpo de Cristo.

Então, quem celebra os sacramentos? A Igreja, Corpo de Cristo, unida à sua Cabeça, que é o Cristo, tornado presente na Comunidade pelos ministros ordenados.

Qual é a finalidade da celebração dos sacramentos?

Cristo morreu e ressuscitou para derramar sobre nós o Espírito Santo que nos dá a vida divina, nos torna semelhantes ao Cristo ressuscitado e, assim, nos faz filhos do Pai, à imagem do Filho Jesus. Por isso no dia mesmo da Ressurreição o Senhor derramou seu Espírito sobre a Igreja. Ora, é exatamente este dom do Espírito (que nos cristifica, nos torna imagem do Filho Jesus e, assim, vai nos fazendo filhos do Pai até a vida eterna) que recebemos em cada sacramento. Celebrando os sacramentos, recebemos o Espírito que nos faz semelhantes ao Filho Jesus e, assim, filhos do Pai e herdeiros do Céu.

Qual, então, a finalidade dos sacramentos? Cristificar-nos, fazendo-nos templos do Espírito e filhos de Deus Pai e, por isso, herdeiros do Céu. Cristificando-nos, os sacramentos nos inserem cada vez mais no Corpo do Senhor, que é a Igreja. Por isso, podemos dizer também que os sacramentos constróem a Igreja, Corpo de Cristo.

Pronto! Agora é só passar ao estudo de cada sacramento individualmente.

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE

Fonte: http://www.domhenrique.com.br/

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Regional NE4: transformar a Pastoral Bíblica em animação bíblica de toda a Pastoral

O Regional Nordeste 4 da CNBB (Piauí) realizou entre os dias 26 e 29, na diocese de Campo Maior (PI) o Encontro de Formação para as Coordenações Diocesanas de Catequese.

A formação contou com a presença de 55 lideranças e foi assessorada pela assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, Cecília Rover.

Durante o encontro os participantes viram o histórico da caminhada da Palavra de Deus após o Vaticano II e refletiram a nova proposta de Aparecida, confirmada pela Exortação Pós Sinodal Verbum Domini, que chama para a transformação da Pastoral Bíblica em animação bíblica de toda a Pastoral. “Um dos objetivos do encontro foi colocar a Palavra de Deus como centro de toda e qualquer ação evangelizadora da Igreja”, comentou Cecília.

Além do estudo, houve momentos de Leitura Orante da Bíblia com o método da Lectio Divina, coordenado pelo bispo diocesano de Campo Maior, dom Eduardo Zielski.

“O encontro foi positivo porque o grupo presente estava muito comprometido com o os objetivos e abertos para essa nova proposta que a Igreja faz a partir de Aparecida. Além da participação, os coordenadores elaboraram propostas de encaminhamentos práticos para a animação bíblico da pastoral”, avaliou a assessora.

Ainda segunda ela, foi um momento para colocar em prática a proposta de Aparecida, centralizar a Palavra de Deus na catequese e de preparar para o Congresso que acontecerá em outubro próximo. “O encontro possibilitou conhecer e já concretizar essa nova proposta de Aparecida e preparar para o Congresso de Animação Bíblico da Pastoral (ABP) que vai acontecer de 8 a 11 de outubro, em Goiânia (GO) e, principalmente, porque na catequese é preciso colocar a Palavra de Deus no centro como seiva que alimenta toda a vida da Igreja e catequese”.

Blog: uma ferramenta gratuita para a evangelização

Uma pesquisa feita em 2010 pela consultoria internacional comScore apontou que 40 milhões de brasileiros já acessam a internet em casa ou no trabalho. No ano passado, o número de computadores vendidos no país superou o de aparelhos de TV. Esta realidade propõe um desafio ainda maior para os agentes da Pastoral da Comunicação: como evangelizar no mundo virtual? Muitas Igrejas do Brasil estão criando sites que trazem todo tipo de informação sobre as comunidades, mas esta criação envolve a necessidade de conhecimento técnico ou custos para a contratação do serviço. Diante destes empecilhos, uma solução prática e econômica é o blog.

O primeiro blog foi criado em 1997, mas foi apenas dois anos depois que esta ferramenta começou a se popularizar. Em 99, existiam cerca de 50 blogs, no final do ano seguinte, já eram milhares. Hoje, são quase 112 milhões de blogs, e estima-se que 120 novas contas sejam criadas todos os dias. Os internautas brasileiros estão entre os que mais acessam blogs no mundo. De olho neste potencial, a Pastoral da Comunicação do Vicariato da Leopoldina, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, criou no início de 2011 o blog vicariatoleopoldina.blogspot.com. O objetivo foi formar um novo vínculo entre as paróquias. “O blog, além de manter todos informados sobre o que está acontecendo em nossa região, pode até incentivar os leitores a fazer algo que deu certo em outra paróquia, como contribuição para o progresso pastoral em conjunto”, explica Gustavo Kelly, coordenador da Pascom no vicariato.

Se essas informações te animaram a criar um blog para a sua comunidade ou pastoral, fique atento a estas dicas:

1 . HOSPEDAGEM – O primeiro passo é decidir onde você irá hospedar o seu blog. Hoje, as plataformas gratuitas mais conhecidas são a wordpress.com e a blogger.com. Ambas trazem versões em português com o passo a passo de como criar o blog.

2. ENDEREÇO – Todo blog tem um nome. O importante é escolher uma opção que seja simples, objetiva e defina bem o assunto que será tratado ali. Coloque um nome que seja fácil de lembrar e pronunciar, para que ninguém se confunda quando você falar dele.

3. LAYOUT – Os provedores de blogs já oferecem imagens de fundo e opções de layout (templates) prontos. Mas você sempre pode escolher uma imagem que tenha mais relação com a sua comunidade. Pode ser uma foto ou uma logomarca, por exemplo. Tenha apenas o cuidado para que esta imagem, usada como plano de fundo, não atrapalhe a legibilidade dos textos.

4. CONTEÚDO – Defina os temas que serão tratados no blog. Se ele será voltado para toda a comunidade ou apenas para uma pastoral ou movimento específico.

5. TEXTO – Textos mais curtos e simples têm mais chance de sucesso. Mas não deixe de caprichar no conteúdo, para que ele seja atrativo. Cuidado também com a língua portuguesa. Releia o que escreveu antes de postar, para evitar erros de ortografia e gramática.

6. IMAGEM – Usar imagens ajuda a chamar atenção para o que você escreveu e torna mais agradável a leitura do blog. Use e abuse de fotos, vídeos e ilustrações.

7. ORGANIZAÇÃO – Use os marcadores (tags) para categorizar as suas postagens por temas. Isso facilita quando os leitores do seu blog estiverem buscando um assunto específico.

8. REFERÊNCIA - Sempre que citar outros blogs ou sites, coloque o link para que o leitor possa acessar, caso se interesse. Também diferencie os links no seu texto com uma cor ou negrito, por exemplo. Você pode ainda criar links para outros artigos do seu próprio blogs relacionados ao assunto que estiver tratando.

9. DIÁLOGO – Não deixe de responder os comentários que forem deixados em seu blog. Do mesmo modo, procure seguir e comentar outros blogs que tratem de temas relacionados ao seu. Isso pode ajudar a aumentar a sua audiência e estabelecer novas relações.

10. ATUALIZAÇÃO – Não adianta criar um blog e deixá-lo de lado. Organize-se com o seu grupo para garantir que a atualização do blog seja frequente. Quando um leitor percebe que você não está mais falando nada de novo, ele deixa de visitar a página.

Se você quiser saber mais sobre este assunto, participe da oficina técnica "Blogs, sites e portais", que será oferecida durante o Muticom 2011.

Quantos e por quê? - I

Voltamos, com este artigo a falar sobre os sacramentos. Seria bom que você relesse os outros três que já escrevi. As questões que vamos responder neste artigo são: foi Cristo quem instituiu os sacramentos? Como os instituiu? Como entender este conjunto de sete gestos? Quem celebra os sacramentos? Com que objetivo?

Quem instituiu os sacramentos e como os instituiu?

É convicção da Igreja que os sacramentos todos foram instituídos por Cristo. Somente assim eles têm de fato um valor salvífico verdadeiro. Corrigindo os erros de Lutero e Calvino, pais do protestantismo, o Concílio de Trento ensinou de modo infalível, com a autoridade que Cristo deu aos Apóstolos e seus legítimos sucessores, os Bispos: “Se alguém afirmar que os sacramentos da nova lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo, nosso Senhor... seja anátema (= seja separado da Igreja)”. Mas, onde, na Bíblia aparece a instituição dos sete sacramentos, um por um? Antes de responder esta questão é necessário compreender o que o Concílio quis afirmar com a palavra “instituir”. Quando estudamos as atas do Concílio de Trento, vemos explicado lá que os Bispos participantes do Concílio afirmaram que Cristo “instituiu” no sentido que é ele, Jesus Cristo, diretamente, quem confere eficácia, poder, efeito ao rito celebrado. Em outras palavras: a força do sacramento vem de Cristo e só dele, é manifestação da sua obra de salvação. Os sacramentos não são, como dizia erradamente Calvino, instituições da Igreja. Para compreender isto é necessário reler o que escrevi sobre Jesus Cristo, o Sacramento primordial e sobre a Igreja, sacramento de Cristo! Jesus é a presença de salvação, visível e eficaz, de Deus no nosso meio – por isso ele é o Sacramento do Pai; a Igreja, por sua vez, é continuadora da presença de Cristo: o Senhor fez dela sinal visível e eficaz de sua palavra e de sua ação – ela é sacramento de Cristo! Então, ao instituir a Igreja o Senhor Jesus tinha a intenção clara que ela fosse sacramento de sua presença e que seus gestos e palavras fossem sinais eficazes de sua ação e de sua presença. Neste sentido toda a Igreja é sacramental: Jesus não quis apenas os sete sacramentos; quis muito mais: desejou a própria estrutura sacramental da Igreja; quis que sua presença graciosa e salvífica fosse vista, concreta, palpável nos ritos, gestos, ação de serviço que a Igreja realiza entre os homens. É isto que Trento quer ensinar: a estrutura sacramental da Igreja não vem nem dos Apóstolos, nem da própria Igreja, mas do próprio Cristo Jesus, Sacramento primordial! E isto é dogma de fé!

Uma observação importante: o Concílio não quis entrar na questão de como cada sacramento foi instituído por Jesus durante sua vida terrena e muito menos se preocupou em catar versículos da Escritura para provar, tintim por tintim a instituição de cada sacramento. Esta tarefa a Igreja deixa para o estudo dos exegetas e teólogos! Interessa à Igreja que, biblicamente, está mais que dito que Cristo fez de sua Igreja sacramento de sua presença, prolongamento de seus gestos e palavras salvíficos! No entanto, isto não significa que não possamos ver no próprio Novo Testamento o embrião da prática de cada um dos sacramentos. Vejamos somente alguns exemplos – existem outros:

- para o batismo: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5); “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...” (Mt 28,19).

- para a eucaristia: “Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e pronunciou a bênção. Depois, partiu o pão e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo’. Em seguida, tomando um cálice, depois de dar graças, deu-lhes, dizendo: ‘Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, derramado por muitos, para o perdão dos pecados’” (Mt 26,26ss; cf. Mc 14,22-24; Lc 22,19s; 1Cor 11,24s).

- para a penitência: “E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18s); “Após essas palavras, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados. A quem não perdoardes os pecados não serão perdoados’” (Jo 20,22s).

- para a confirmação: “Quando os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ouviram que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram uma oração pelos novos fiéis a fim de receberem o Espírito Santo, visto que ainda não havia descido sobre nenhum deles. Tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus” (At 8,14ss); “Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. 6 Pela imposição das mãos, Paulo fez descer sobre eles o Espírito Santo. Falavam em línguas e profetizavam” (At 19,5s).

- para a ordem: “E tomando um pão, deu graças, partiu-o e deu-lhes dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim’” (Lc 22,19); “Por este motivo eu te exorto reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos” (2Tm 1,6).

- para o matrimônio: “Não lestes que no princípio o Criador os fez homem e mulher e disse: Por isso o homem deixará o pai e a mãe para unir-se à sua mulher, e os dois serão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu” (Mt 19,4-9); “Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. Maridos, amai vossas esposas, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Decerto, ninguém odeia sua própria carne mas a nutre e trata como Cristo faz com sua Igreja, porque somos membros de seu corpo. Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne .Grande é este mistério. Quero referir-me a Cristo e sua Igreja” (Ef 5, 21-32).

- para a unção dos enfermos: “Há algum enfermo? Mande, então, chamar os presbíteros da Igreja, que façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o levantará e, se tiver cometido pecado, será perdoado” (Tg 5,14s).

Vejam bem: estes textos não são provas do momento em que os sacramentos foram instituídos! Eles simplesmente mostram como o embrião de cada ação sacramental da Igreja estava presente na ação de Cristo e dos Apóstolos por ele enviados! Assim, todos e cada sacramento remota a Cristo, que fez de sua Igreja sacramento de salvação!

Por agora, basta. No próximo artigo continuaremos: como a Igreja chegou a compreender estes sete gestos sagrados como sacramentos: por quê sete? e para quê?

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE

Fonte: http://www.domhenrique.com.br/

domingo, 29 de maio de 2011

Cristo, sempre presente na sua Igreja

Vimos, no artigo passado, que a Igreja é sacramento de Cristo, sinal real, eficaz de sua presença. Agora perguntamos: onde, em que momentos Cristo está presente na sua Igreja?

Para compreender bem isto é necessário recordar o que vimos no artigo passado: Cristo está presente na Igreja pela potência do Espírito Santo: ele partiu para o Pai, mas nos deu o seu Espírito, que é sua própria vida ressuscitada, sua energia, sua potência salvadora, sua força no caminho. É assim que ele, na Glória, age continuamente sobre nós e em nós: “Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre” (Jo 14,16). “Eu vos digo a verdade: é do vosso interesse que eu parta, porque se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas seu eu for, enviá-lo-ei a vós!” (Jo 16,7). É isto que significam aquelas palavras da Escritura: “Eu sou a videira. Todo ramo em mim que não produz fruto ele o corta... Permanecei em mim, como eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Ei sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,1-5). Vejamos bem: Jesus imagina nossa união com ele não simplesmente como um afeto, uma emoção, um sentimento, uma lembrança, uma união de ideal e de ação. É algo muito mais forte e real: ele quer que sua vida ressuscitada, gloriosa, esteja em nós; ele deseja que nós, realmente, vivamos nele, dele e por ele! Por isso a alegoria da videira: como os ramos vivem da seiva do tronco, nós vivemos da seiva de Jesus. Esta seiva é o Santo Espírito. Sem ela, não há Igreja, não há vida de Cristo para nós! Sem o Espírito agindo constantemente na Comunidade dos discípulos, a Igreja seria somente a Fundação Jesus de Nazaré, ou o PJN: Partido de Jesus de Nazaré, um personagem do passado, vivo somente na nossa lembrança! Mas, não é assim: os cristãos, membros da Igreja, estão enxertados em Cristo, são com ele uma só coisa, vivem a vida dele! São Paulo ensina a mesma coisa com outra imagem: “Ele é a Cabeça da Igreja, que é seu corpo (Cl 1,18). (O Pai) o pôs acima de tudo, como cabeça da Igreja, que é seu corpo” (Ef 1,22). “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos!” (Ef 4,4-6). “Ele (Cristo) é que concedeu a uns ser apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, a outros pastores e mestres, para aperfeiçoar os santos (os cristãos) em vista do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo” (Ef 4,11-12).

Em todos estes textos aparecem de modo claro algumas idéias importantes:

1) Cristo é Cabeça da Igreja. Para a medicina do tempo de Paulo, a cabeça dava vida, crescimento, harmonia e direção ao corpo. Paulo pensa Cristo exatamente com esta função capital (=capital, do latim caput = cabeça). Os teólogos da Idade Média falavam até em graça capital: a graça que Cristo Cabeça (caput) derrama sobre o Corpo, que é a Igreja!

2) Cristo Cabeça age no seu Corpo, que é a Igreja, pela energia, pela potência do seu Espírito Santo. Assim ele, do céu, onde está à direita do Pai, enche continuamente o seu Corpo com a sua vida divina, com a sua força, fazendo-o crescer, permanecer unido e no caminho certo. O Espírito é a Presença de Cristo entre nós e em nós!

3) Este Espírito que torna o Cristo presente e atuante na Igreja, dá aos discípulos a santidade de Cristo, fá-los permanecer firmes na única fé e numa só esperança, suscita os vários ministérios e carismas... tudo para que a Igreja vá sendo edificada cada vez mais como Corpo do Senhor e possa crescer sempre mais na direção do Cristo Cabeça.
Então, podemos concluir algo importantíssimo: toda a vida da Igreja, tudo quanto ela faz, tudo que ela é, está impregnado do Espírito Santo e, portanto, da presença do Cristo Ressuscitado. Ele age sempre na Comunidade de seus discípulos. Em certo sentido, tudo na vida da Igreja é um sacramento de Cristo.

Eis alguns exemplos:

- Cristo está presente na Comunidade reunida para rezar, para refletir e, sobretudo, para celebrar a Eucaristia: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome...”

- Está presente na Comunidade que evangeliza e anuncia o Senhor: “Ide! Eu estarei convosco...”

- Está presente nos irmãos, sobretudo nos mais pequeninos e necessitados: “O que fizerdes a eles, a mim o fizestes”.

- Está presente na Palavra santa proclamada, meditada, partilhada e sobretudo anunciada e comentada na homilia da Celebração eucarística: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós!”

- Está presente nos ministros sagrados, sobretudo naquele que preside à Eucaristia, o Bispo diocesano e seus presbíteros: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos recebe a mim recebe”.

- Está presente no Bispo de Roma, sucessor de Pedro: “Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas! Confirma teus irmãos!”

- Está presente de modo especial nos sacramentos e, de modo único, e excelente na Eucaristia!

Então, a presença de Cristo, graças à ação do Espírito, está em toda a Igreja, em cada um de nós. Por isso mesmo é toda a Igreja e a Igreja toda que é sacramento do Senhor Jesus!
No entanto, o Senhor Jesus, pelos seus próprios gestos enquanto viveu entre nós, inspirou sua Igreja a ver em sete momentos particulares, momentos de celebração, uma presença especial, intensíssima do Cristo, pela potência do Espírito. Estes sete momentos são o que chamamos sacramentos! Assim, chegamos aos nossos conhecidos sete sacramentos: Batismos, Confirmação Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Lembre-se que o número sete significa na Bíblia plenitude. Pois bem: estes sete momentos celebrativos dão-nos, de verdade, na força do Espírito do Ressuscitado, a plenitude da graça, da vida que o Cristo recebeu do Pai na ressurreição! Por eles, nós vivemos intensamente a vida do próprio Senhor Jesus, sacramento do Pai!

No próximo artigo vamos estudar melhor o significado dos sete sacramentos: como Cristo os instituiu? Como entender este conjunto de sete gestos? Quem celebra os sacramentos? Para quê? Somente depois de compreendermos bem isto é que estudaremos cada sacramento em separado!

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE

Fonte: http://www.domhenrique.com.br

sábado, 28 de maio de 2011

Um lugar chamado... Catequizando


No começo de nossa caminhada catequética nos deparamos com inúmeros questionamentos. Somos pequenos aprendizes, caminhando nesse lindo projeto evangelizador que Deus confiou a cada um. São os planejamentos anuais, os métodos de encontro, celebrações, etc. Contudo, devemos estar cientes de que existe uma peça fundamental nesse contexto em que Jesus é o protagonista: o catequizando.

Somos catequistas de realidades diversas. De casas simples no campo a prédios luxuosos nas grandes cidades. Nossos grupos de catequese são formados por crianças, jovens e adultos que mesmo em contexto coletivo, estão isolados em seus mundos. Alguns questionamentos atravessam muitos catequistas: nossa maneira de evangelizar atinge a cada indivíduo? Como eles chegam ao encontro? E como saem depois?

Antes de se preocupar com a elaboração do encontro, o catequista deve lembrar sempre do grupo a quem vai se falar. Para muitos esta não é nenhuma novidade. Porém os catequistas já se perguntaram, por exemplo, se existe algum analfabeto no grupo. Caso exista, é preciso trabalhar de uma forma que não se utilize leituras longas e que nem o exponha a sua sensibilidade.

Tomando como base o exemplo acima, nos perguntamos por que o nosso catequizando está nessa situação. Serão as condições financeiras? Nunca teve incentivo de ir à escola?  Daí surge a importância de se preocupar com cada um. Aquele mais tímido será só personalidade? O bagunceiro não está tentando chamar sua atenção por algum motivo? Devemos como catequistas conhecer cada um dos nossos catequizandos, saber sua realidade, sua família, enfim, o mundo que o cerca.

Lembremos de Jesus e Zaqueu. “Desça depressa, porque hoje preciso ficar em sua casa” (Lc 19,5). Cristo foi ao encontro, entrou na casa, foi conhecer. Mesmo diante da crítica dos outros: “Ele foi se hospedar na casa de um pecador!” (Lc 19,7).

Temos que seguir o Mestre. Fazer uma catequese que vá além dos muros das igrejas e que chega a cada pessoa. Conhecer seus sonhos, seus medos e com isso ajudá-la no caminho à salvação.

Por Marcos Filipe Sousa

Formado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e membro da Coordenação Arquidiocesana de Catequese de Maceió.

Diocese de Campina Grande prepara Diretório Pastoral para os Sacramentos .


Após anos de estudos entre comissões, intensificados ano passado, a diocese de Campina Grande (PB) finalizou o processo de construção do seu Diretório Pastoral para os Sacramentos. Este documento tem a finalidade de ser um guia que venha harmonizar o modo como devem ser trabalhados os Sacramentos na Diocese. Ele surge da necessidade de atualização das ações pastorais e das dúvidas que foram surgindo ao longo do tempo com as mudanças na sociedade.
 
Para dom Jaime Vieira Rocha, bispo de Campina Grande, “o Diretório é sinal visível do dinamismo e crescimento pastoral e evangelizador da Igreja, um instrumento norteador para prática sacramental na Igreja diocesana”. Ainda de acordo com o bispo, o Diretório “não é taxativo, mas uma guia para orientação pastoral”.

O Diretório Pastoral para os Sacramentos vem sendo estudado há anos, mas desde a chegada de dom Jaime à diocese, os estudos de elaboração foram intensificados. No último sábado, dia 21, aconteceu uma Assembleia Extraordinária com a participação de todo o Clero (presbíteros regulares e seculares em exercício na diocese), coordenadores diocesanos das Pastorais do Batismo, Catequese, Crisma, Familiar e da Saúde, além dos diáconos, seminaristas, religiosas e secretários paroquiais.

Nesta Assembleia foram apresentados os principais pontos abordados no Diretório, que agora está com um Canonista (especialista em Direito Canônico) e depois será entregue a um especialista em Língua Portuguesa para as devidas correções. Durante a Assembleia, dom Jaime esclareceu que o Diretório é “uma fonte inspiradora para uma Pastoral de conjunto” e que, com a divulgação e utilização do mesmo, “haja a superação de práticas pastorais impostas aos fieis que não são exigidas pela Igreja diocesana e nem constam no Direito Canônico, garantindo assim, os direitos e deveres nas relações entre sacerdotes e fiéis, tornando, cada vez mais, a igreja servidora, adulta e amadurecida”.

A Igreja, o Sacramento de Cristo

Vimos no artigo passado o que significa um sacramento: um sinal eficaz; sinal que torna presente a graça, a glória, a vida de Deus. Vimos, então, que o Cristo Jesus é o Sacramento de Deus: nele Deus fez-se presença pessoal no nosso meio. Assim, Cristo é o Sacramento primordial de Deus; ele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Demos agora um passo adiante. O Filho de Deus feito homem, Jesus, presença viva e pessoal de Deus entre nós para nos salvar, viveu num tempo e num espaço: viveu há dois mil anos na Terra Santa. Ele entrou uma só vez na nossa história, no nosso mundo, no nosso tempo. Mas ele veio para todos, em todos os tempos; ele deseja tornar-se presente a todo instante e estar bem perto de todos os corações: seu desejo é entrar em contato conosco e que nós entremos em contato com ele, com sua palavra santa e com sua vida divina. Por isso ele fundou a Igreja! Ela é sacramento (sinal eficaz, real) de presença de Cristo no mundo; ela é Cristo continuado, corpo de Cristo crucificado e vivificado pelo Espírito na Ressurreição! No Concílio Vaticano II os Bispos do mundo inteiro, sucessores legítimos dos Apóstolos, ensinaram: “A Igreja é, unida a Cristo, como que um sacramento, isto é, um sinal e instrumento da íntima união com Deus e de todo o gênero humano” (Lumen Gentium 1).

Isso quer dizer que a Igreja vive de Cristo. Na sua Ressurreição, ele derramou sobre sua Igreja o seu Espírito Santo – o mesmo Espírito com o qual o Pai o ressuscitou dos mortos. Assim, a Igreja vive do Espírito de Cristo e no Espírito de Cristo... como o corpo, que vive da vida da cabeça, como os ramos que vivem da seiva do tronco: “Ele é a Cabeça da Igreja, que é seu corpo” (Cl 1,18). “(O Pai) o pôs acima de tudo, como cabeça da Igreja, que é seu corpo” (Ef 1,22). “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor. Eu sou a videira e vós sois os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,1.5). Estes textos são importantes porque nos mostram que há uma união real, concreta, verdadeira, entre Cristo e a comunidade de seus discípulos, que é a Igreja. Ele realmente está presente na sua Igreja, vivificando-a, sustentando-a, agindo nela! A Igreja está ligada ao seu Senhor Jesus como o corpo está ligado à cabeça, como os ramos estão enxertados à videira. E o Espírito de Cristo ressuscitado, o Espírito Santo é a seiva, é a vida que vivifica, dirige e faz crescer este corpo, estes ramos! É assim que Cristo permanece vivo na Igreja, atuando nela na potência do Espírito: fala, age, santifica, ensina, exorta, salva pela Igreja! A Igreja é, portanto, um verdadeiro sacramento de Cristo, uma sinal real da sua presença! Ela, Igreja, não existe para si mesma, mas para anunciar Jesus, para provocar o encontro entre Jesus Salvador e a humanidade necessitada da salvação! Ela, a Igreja, não tem nenhuma salvação para dar à humanidade a não ser Jesus Cristo: é ele quem a santifica e a torna instrumento de salvação. Santo Ambrósio, grande bispo de Milão e Doutor da Igreja, dizia, no século IV: “A Igreja é a verdadeira lua. Da luz imorredoura do sol, ela recebe o brilho da imortalidade e da graça. De fato, a Igreja não reluz com luz dela mesma, mas com a luz de Cristo. Ela busca seu esplendor no sol da justiça, que é Cristo, para depois dizer: Eu vivo, mas não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim!” A Igreja é, portanto, o “ambiente”, o “clima”, o “espaço”, a “atmosfera” do nosso encontro com o Deus vivo, presente em Jesus Cristo. Ela é o sinal privilegiado através do qual Deus demonstra suas atenções para conosco e sua fidelidade a toda humanidade.

Mas, como disseram os Bispo do Vaticano II, ela é também sacramento da íntima união de todo o gênero humano. Isso mesmo: reunidos pelo Pai através da Palavra do Senhor Jesus, reunidos no Santo Espírito do Ressuscitado nós somos um novo povo – o Povo de Deus da nova e eterna Aliança, o povo no qual toda a humanidade é chamada a entrar para ser filha do mesmo Pai, imagem do único Filho pela ação potente do único Espírito que nos une num só Corpo de Cristo! Por isso, a Igreja é já sacramento (sinal verdadeiro, eficaz) da união de toda a humanidade com Deus e dos homens entre si, como deverá ser um dia, na Glória do Pai.

Por tudo isso, um monge do século IV saudava assim a santa Igreja: “Que jamais te eclipses na escuridão da lua nova, ó Lua sempre irradiante! Ilumina-nos o caminho por entre a impenetrável escuridão divina das Escrituras! Que jamais deixes, ó esposa e companheira de viagem do Sol que é Cristo, o qual como esposo da lua, te envolve em sua luz! Sim, que jamais deixes de enviar-nos da parte dele, nosso Salvador, os teus raios luminosos, a fim de que ele, por si mesmo e através de ti, santa Igreja de Cristo, transmita às estrelas a sua luz, acendendo-as de ti e por ti!”

Pois bem, depois de termos visto que Cristo é o sacramento do Pai e que a Igreja é o sacramento de Cristo entre nós, continuaremos no próximo artigo...

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE

Fonte: http://www.domhenrique.com.br/

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cristo Jesus, o Sacramento Primordial

Com este artigo vamos começar uma série de meditações sobre os sacramentos. O que são? quem os instituiu? qual o sentido de cada um deles? como são celebrados? como bem participar deles? São questões que veremos nesta nova série de temas teológicos.

Antes de mais nada é importante compreender que não podemos falar corretamente dos sacramentos sem começar falando de Jesus Cristo: é ele o sacramento primordial, a fonte de todos os sacramentos. Vejamos bem isso!

Que é um sacramento? É um sinal eficaz da presença de Deus no nosso meio. Observe bem: é um sinal, ou seja, recorda, comunica, exprime, evoca, torna-nos presente uma realidade que de outro modo poderia estar ausente; este sinal é eficaz: não somente recorda, não somente torna presente na lembrança, mas realmente faz acontecer, faz agir aquilo que significa. É por isso que dizemos que o sacramento é um sinal eficaz. Tomemos como exemplo a bandeira do Brasil: “a lembrança da Pátria nos traz!” A bandeira é um sinal do Brasil; mas não é um sinal eficaz: a bandeira é a bandeira e o Brasil é o Brasil! Ela é um sinal meramente convencional, exterior. Já com os sacramentos a coisa é diversa: a Eucaristia, por exemplo: aquele pão representa Cristo, é sinal de Cristo... mas, não é somente um sinal... é, realmente, Cristo presente no seu Corpo ressuscitado! Então, o sacramento sinaliza e faz acontecer o que foi sinalizado! “Re-presenta”, ou seja, torna realmente presente! É esta a primeira idéia que devemos ter quando falamos em sacramentos.

Como foi dito acima, o Sacramento primordial é Cristo Jesus: ele é o Sacramento do Pai: “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15), ele é a presença real, eficaz, verdadeira do Pai entre nós: “Quem me vê, vê o Pai; eu estou no Pai e o Pai está em mim” (cf. Jo 14,9,10). Nas palavras de Jesus é o Pai quem nos fala, nos seus gestos é o Pai quem nos estende a mão, no seu carinho para com os pobres, os fracos, os pecadores, é o Pai quem manifesta a sua ternura... em toda a sua vida entre nós é o Pai quem nos reconcilia consigo. Muitíssimas vezes a Escritura afirma isso: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus... e o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória. A graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está voltado para o seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo 1,1.14.17-18). Jesus é Deus como o Pai; nele, Filho amado, é a própria vida, a própria presença do Pai que nos é dada; por isso o Evangelista diz: a graça e a verdade do Pai nos vieram por Jesus Cristo!

Outro exemplo desta realidade maravilhosa está na exclamação do próprio povo diante das ações de Jesus: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7,16). Quando Jesus curou o endemoninhado de Gerasa, dá a seguinte ordem ao homem curado: “Vai para tua casa e para os teus e anuncia-lhes o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia” (Mc 5,19). Em Jesus é o Senhor (o Pai) quem age! Por isso mesmo o próprio Jesus, quando foi criticado porque acolhia os pecadores, justificou sua atitude contando as três parábolas da misericórdia, mostrando que ele era amigo dos pecadores porque seu Pai também o era (cf. Lc 15). Tantas frases de Jesus mostram que ele é esta presença de Deus: “O meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo 5,17). “Eu falo o que vi de meu Pai” (Jo 8,38). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim. As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim realiza suas obras” (Jo 14,10-11).

Por tudo isso, Jesus Cristo é o sacramento do Pai: nele está a vida que vem do Pai (cf. Jo 1,4). Entrar em contato com o Cristo morto e ressuscitado é entrar em contato com a vida do próprio Deus, a vida que o Pai derrama sobre seu Filho na potência do Espírito Santo. Já vimos isso muitas vezes nos artigos passados: o Filho Jesus morto e ressuscitado como homem, recebeu do Pai o Espírito Santo, Espírito de vida, força e poder, e derramou sobre nós: “Exaltado pela direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,33). Então, o caminho pelo qual a humanidade pode caminhar para realmente encontrar Deus é Jesus, sacramento (sinal eficaz, verdadeiro, potente, ativo) da presença divina entre nós. É por tudo isso que dissemos que Jesus é o Sacramente primordial de Deus! Não adianta pedir como Filipe: “Mostra-nos o Pai e isto nos basta!” (Jo 14,8). A resposta será sempre a mesma: “Quem me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em mim. Eu e o Pai somos um!” (Jo 14,9-11).

No próximo artigo continuaremos, desenvolvendo este tema! Somente assim você poderá compreender bem o significado e a importância dos sete sacramentos! Até lá!

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar de Aracajú-SE


Fonte: http://www.domhenrique.com.br/

A Igreja no Brasil e os atuais desafios


Adicionar legenda
Além dos campos da pobreza e da violência, temos igual preocupação com a fragilidade ética diante do bem comum e com as notícias de corrupção

Um olhar responsável para o presente e para o futuro do Brasil percebe, ao mesmo tempo, preocupações e esperanças. Alegra-se com um país que se empenha em se modernizar, tornar-se uma nação cada vez mais influente nos destinos do mundo, para que a amplitude territorial corresponda à importância política, social e econômica.

Estamos vivendo o primeiro semestre dos novos governos federal e dos Estados. A possibilidade, portanto, de muito se fazer em benefício do país e de seu povo é grande. As maiores preocupações encontram-se nos campos da pobreza e da violência. Dados oficiais indicam que mais de 16 milhões de brasileiros ainda vivem em situação de extrema pobreza.

A violência permanece ativa em suas variadas formas, desde aquelas mais agudas, como o massacre de crianças numa escola do Rio de Janeiro, até a violência cotidiana, por exemplo, dentro dos lares, nas relações pessoais, no comércio de drogas, nas chacinas e na facilitação em se conseguir armas.

Preocupam igualmente a fragilidade ética diante do bem comum e as constantes notícias de corrupção. Neste ano, com a Campanha da Fraternidade, a Igreja no Brasil alertou a respeito da responsabilidade ecológica de todos, com risco até de destruição do planeta.

A tudo isso soma-se o que se convencionou chamar de mudança de época. Experimentamos aguda alteração nos valores, nas atitudes e nas referências. Muito do que, até pouco tempo, servia para orientar, sustentar e reagir diante dos problemas tem perdido vigor, trazendo, a pessoas e grupos, a forte sensação de perplexidade diante de como pensar, sentir e agir.

Ao lado dessas preocupações, o mesmo olhar responsável encontra inúmeras iniciativas que fazem brotar a esperança. Percebe-se, por exemplo, o esforço por novas formas de vida comunitária, relações econômicas que não se escravizam ao lucro, revalorização da família, grupos organizados na sociedade civil investindo na reintegração humana, ações nos campos da saúde, da educação ou da alimentação.

As duas leis de iniciativa popular, tanto a nº 9.840, sobre corrupção eleitoral, quanto a da Ficha Limpa, mostraram até onde se pode chegar quando a consciência do bem comum, a responsabilidade ética e a organização se articulam.

Como se vê, há muito pelo que agradecer a Deus, mas também há muito a ser feito. A Igreja sabe que não depende somente dela realizar o futuro. Num tempo de pluralidade e parcerias, a Igreja é consciente de que sua presença haverá de ser, ao mesmo tempo, firme na própria identidade e incansável no diálogo.


Em sua identidade, a Igreja tem a máxima certeza de que lhe cabe a irrenunciável tarefa de anunciar Jesus Cristo e o reino de Deus, tirando, desse anúncio, as consequências para cada uma das situações concretas que o dia a dia vai apresentando. Ao fazê-lo, a Igreja sabe que, em decorrência do próprio Jesus Cristo, haverá de dialogar com todos os que, de coração sincero, buscam o bem comum.

As diretrizes gerais para ação evangelizadora, aprovadas na última assembleia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), indicam alguns desses desafios e apontam, à luz do Evangelho, caminhos a serem percorridos.

Indicam uma Igreja que se firma no discipulado de Jesus Cristo, voltando-se ainda mais às fontes da fé.

Uma Igreja que se coloca, de modo inquestionável, ao lado da vida, em especial a vida fragilizada, ameaçada e desrespeitada.

Uma Igreja samaritana, irmã dos mais pobres e que se quer cada vez mais aberta ao diálogo ecumênico e inter-religioso. Uma Igreja, enfim, em que cada batizado reconhece e assume o valor testemunhal de sua própria vida.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo Metropolitano de Aparecida e Presidente da CNBB

quinta-feira, 26 de maio de 2011

VII SULÃO DE CATEQUESE

A Igreja vem se preocupando com o processo formativo de seu povo, dando um destaque especial para a dimensão bíblico-catequética. Destacamos aqui o “Sulão de Catequese” na realização de mais uma das suas edições. Desta vez, nos dias 19 a 21 de agosto de 2011, na cidade de São José do Rio Preto,SP, com a participação dos catequistas dos cinco regionais:
Oeste 1- Mato Grosso do Sul
Sul 1- São Paulo
Sul 2-  Paraná
Sul 3- Rio Grande do Sul
Sul 4- Santa Catarina

O VII Sulão de Catequese tem como tema”Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas” e lema: “Encontramos o Senhor! Vem e vê” (Jo 1,41b.46c). O tema faz uma abordagem  da  mística que permeia a experiência do  encontro com  a pessoa de Jesus Cristo, fazendo um resgate da espiritualidade dos primeiros cristãos, que tinham  como centralidade o Mistério Pascal, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O lema destaca o evangelho segundo João, são palavras do apóstolo André ao encontrar-se com seu irmão Simão, e palavras de Filipe para Natanael. É o anúncio, o Kerigma, realizado pelas testemunhas que encontraram Jesus. Esse anúncio acontece de uma forma contagiante e que chega ao coração dos ouvintes, faz “Arder o coração”.  É o  anúncio que vem revestido da experiência do encontro, do  encantamento inicial capaz de “CONTAGIAR” e fazer  novos discípulos.
O evento terá como objetivo contribuir numa reflexão bíblico-catequética em vista da formação iniciática do catequista-mistagogo. Para isto, é preciso entender o contexto da transmissão da fé, os problemas e desafios de uma sociedade cada vez mais plural e secularizada. Neste contexto a transmissão da fé não é mais garantida pela família, escola e sociedade e se restringe ao âmbito pessoal. Transmitir a fé significa  criar em cada lugar e em cada tempo as condições para que o encontro entre a humanidade e Jesus Cristo aconteça. Nesta perspectiva, transmitir a fé em Cristo significa criar as condições para uma fé pensada, celebrada, vivida e anunciada: isto significa  a inserção na comunidade, na vida da Igreja. Embora seja uma experiência pessoal, necessita ser aprofundada e deitar suas raízes na comunidade. O objetivo é apontar caminhos para a formação do/a catequista-mistagogo que toca o coração e a mente dos seus interlocutores, os catequizandos.
Que o VII Sulão de  Catequese esteja presente nas nossas orações, para que a Trindade Santa conduza e inspire todas as iniciativas e propostas deste evento, tão importante para a caminhada catequética de toda a Igreja do Brasil.

ORAÇÃO DO VII SULÃO (cf Jo 1,35-49)


Nós te agradecemos, ó Pai,
Senhor do céu e da terra,
porque em teu Filho Jesus
nos revelaste o mistério de teu amor.
João Batista o chamou de Cordeiro de Deus.
Quando ouviram isso, os discípulos de João
seguiram Jesus, conheceram sua morada e ficaram com ele.
Teu filho os transformou, então, em seus discípulos,
discípulos-missionários, que passaram a testemunhar:
“Encontramos o Cristo!”
Hoje, Pai, somos nós catequistas,
que ouvimos o apelo de teu Filho: “Segue-me!”
Nós desejamos segui-lo,
para entrar na intimidade de seu coração
e poder também proclamar a todos:
“Encontramos Jesus de Nazaré!”
Pai santo, faze de nós fiéis discípulos-misssionários de teu Filho;
Transforma-nos com a força do Espírito Santo,
para que, como Jesus,
anunciemos tua misericórdia
e trabalhemos para a vinda de teu Reino,
Pela intercessão de Maria, a virgem do silêncio e do serviço.
Amém.


Dom Murilo S.R.Krieger, scj
Arcebispo de Salvador - BA

quarta-feira, 25 de maio de 2011

AS SETE FACES DO AMOR

 Nosso sucesso está em amar os outros!

Estas reflexões estão fundamentadas em G. Chapman, no livro “O Amor como Estilo de Vida”. Ser amado, deixar-se amar, crer no Amor de Deus constituem a alegria de viver. Só os amados mudam. O amor é uma força transformadora e propulsora. Nosso sucesso está em amar os outros. O amor não é só uma emoção, mas, decisão, atitude, ação. Portanto, decidimos amar, escolhemos amar, optamos por amar. É preciso esforço para sermos pessoas capazes de amar.

Eis as sete faces do amor:

1. A gentileza. É a alegria de ajudar os outros, ou ainda, é reconhecer e acolher com afeto as necessidades dos demais. A gentileza transforma encontros em relacionamentos. A pessoa gentil quer servir o próximo porque o valoriza e o respeita como pessoa. Gentileza é gesto de amor altruísta e por isso transforma as pessoas. As palavras gentis têm grande poder de cativar e até de curar porque expressam reconhecimento, respeito, atenção pelo outro, são palavras construtivas, cativantes, salvadoras. A gentileza faz bem para nós e para os outros, causa-nos alegria e dá importância aos outros. Gentileza é cortesia, generosidade, respeito, amabilidade. Os gestos mais comuns da gentileza são: agradecer, ajudar, saudar, informar, sorrir, atender, elogiar, pedir desculpas.

2. A paciência. Consiste em compreender e aceitar as imperfeições dos outros. É permitir a alguém ser imperfeito. É entender o que se passa dentro do outro, acolher seus sentimentos e os motivos de suas atitudes. Paciência não é concordar, é compreender; não julgar e não condenar. Nossa paciência permite ao outro crescer, mudar, ter nova chance para melhorar. Quem tem consciência das próprias imperfeições e cultiva um espírito positivo, tem condições de ser paciente. A humildade nos torna pessoas dotadas de paciência, porque saímos de nós mesmos, sofremos com a situação dos outros e os acolhemos.

3. O perdão. Perdoar não é fácil, mas é atitude sábia e saudável. Quem perdoa oferece ao ofensor a chance de ele melhorar. O perdão nos livra de doenças, insônias, vinganças, ódios, que são sentimentos destrutivos, e possibilita a convivência, a saúde e a felicidade. Perdoar é reencontrar a alegria, a paz interior e social. Perdoar é ter amor de mãe, amor sem medidas, amor de misericórdia que reata amizades e relacionamentos. Quem perdoa faz bem a si mesmo, compreende as limitações alheias e constrói a reconciliação e a paz social.

4. A cortesia. Significa tratar os outros como amigos porque toda pessoa é digna, original, única, valiosa. A cortesia no trânsito, no ônibus, nas filas, no relacionamento com os vizinhos, no dedicar tempo aos outros, no receber bem os que chegam, no saber agradecer, prestar atenção, pedir desculpas, são inestimáveis gestos de amor. No cotidiano podemos praticar a cortesia por meio de uma conversa; pedir licença, ajudar idosos ou alguém em dificuldades, aceitar as incompreensões dos outros.

5. A humildade. É saber reconhecer os próprios valores e imperfeições e acolher os valores e fraquezas dos demais. Humildade é autenticidade, verdade e realismo. A palavra "humildade" vem de "húmus" (barro, terra), que é a raiz da palavra “homem”. Somos todos de barro. A humildade está nessa igualdade de dignidade, na irmandade que formamos a partir do barro, do pó e até da lama. Aceitar a ajuda dos outros, reconhecer os erros, afirmar os valores dos outros, alegrar-se com o sucesso de nossos próximos e de seu bem-estar, tudo isso é humildade.

6. A generosidade. Define-se pela doação aos outros, é o amor que se doa, que sabe servir, dedicar tempo aos demais, ter a coragem do desapego de si e das coisas para partilhar. A generosidade é gêmea da solidariedade, da dádiva, do dom. "Há mais alegria em se doar que em receber", ensina a Palavra de Deus. A pessoa generosa é capaz de renúncias e de sacrifícios pelo bem alheio.

7. A honestidade. É dizer a verdade com amor, não inventar desculpas para justificar os próprios erros, falar os próprios sentimentos e emoções, aceitar as limitações pessoais, como também os dons, as qualidades, os sucessos. A integridade da pessoa honesta está na veracidade das palavras, na transparência das atitudes, no compromisso com a verdade.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina - PR

Diocese de Limeira publica subsídio catequético

A Comissão de Animação Bíblico-Catequética da diocese de Limeira (SP), lançou um subsídio em preparação ao Encontro Diocesano de Catequistas, que acontecerá dia 28 de agosto, em Cordeirópolis – (SP). Com o título “Catequista Mistagogo – conduzindo todos ao Mistério de Deus”, o subsídio está organizado em seis encontros: Mistagogia: o que é?; Nosso tempo conduz a Deus?; Jesus Mistagogo do Pai: formando e formador; Catequista Mistagogo; Catequese Mistagógica; Comunidades Mistagógicas.

O objetivo é favorecer o aprofundamento do tema Mistagogia entre os catequistas de toda a diocese dando continuidade às reflexões iniciadas com o estudo do livro “Iniciação à Vida Cristã: um processo de inspiração catecumenal”, da coleção Estudos da CNBB, nº 97. Numa linguagem popular, com dinâmicas envolventes o subsídio traz experiências bem sucedidas de catequistas que enveredaram pelo caminho da catequese catecumenal.

Pedidos podem ser feitos para a Comissão Diocesana através do Paulo César Vitorino: (019) 3554.1007 ou mailto:mpaulocesarvitorino@hotmail. com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou na própria Cúria Diocesana.

Animação Bíblica da Pastoral


Quem lê atentamente o Documento de Aparecida surpreende-se com algumas constatações corajosas a que a Igreja se propõe. Será necessário um tempo longo, paciente, assinalado por muita perseverança, para integrar à nossa vivência eclesial aquelas percepções tão verazes e, ao mesmo tempo, muito impregnadas das características genuínas dos cristãos dos primeiros dias da Igreja. Ao escrever este parágrafo, penso na ênfase a temáticas tão relevantes e de grande recorrência como “encontro pessoal com Cristo”, “conversão pastoral”, “conhecimento da Palavra”, anseio dos discípulos de Jesus em “alimentar-se com o Pão da Palavra”... As citações poderiam se enumerar e alongar. Estas menções pretendem apenas lembrar que se está tocando em questões e possibilidades sem as quais a Igreja poderia desfigurar gravemente sua própria identidade de discípula e missionária.

Ao mesmo tempo, muito já se falou que a humanidade atravessa um severo processo de transformação cultural. O mesmo já recebeu muitos nomes. Aqui, para simplificar, será mencionado apenas aquele já bastante conhecido: a chamada mudança de época. E este fenômeno é impossível mensurar. Tampouco se pode freá-lo. Seus desdobramentos suscitam, a cada dia, novas surpresas e perplexidades. Em meio a toda esta ebulição, quase tudo faz pensar que nos encaminhamos para a passagem de uma realidade de cristandade para outra de diáspora. Há muitos elementos a nos sugerir que, em termos de evangelização, teremos muitas proximidades com os caminhos e situações do cristianismo primitivo. E tudo isso está a instar os discípulos missionários do nosso tempo a indagações sobre os melhores percursos a palmear quando se trata de “transmitir a fé”. Afinal, é ela, a transmissão da fé em Jesus Cristo, a razão fundante de toda a ação evangelizadora.

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Dom José Antonio Peruzzo
Bispo da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão
Referencial da Catequese do Regional Sul II

terça-feira, 24 de maio de 2011

Caminho, Verdade e Vida

Três palavras envolventes, relacionadas a realidade de cada pessoa humana, que marcam o perfil de sua identidade e de seu próprio ser. A prática de cada uma delas depende da forma da ação humana a partir da liberdade e da capacidade de atuação.

A Sagrada Escritura dá a Jesus Cristo e a sua missão como Filho de Deus o qualificado de Caminho, Verdade e Vida. De "Caminho" quando Ele mesmo diz: "Segue-me...". De "Verdade" tendo como base a sua coerência nas ações. E de "Vida" quando na cruz venceu a morte ressuscitando.

Na origem de tudo está o exercício responsável de nossas ações. Isto tanto na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, no mundo da cultura, etc. Toda pessoa deve agir de forma coerente na construção de uma realidade nova.

Podemos aqui falar da dimensão de pastor e ovelha, de assentimento mútuo, englobando Caminho, Verdade e Vida. É uma porta de entrada no ambiente saudável, sem corrupção, sem inverdades e de respeito incondicional à vida, seja de pastor e de ovelha.

Temos modos de proceder que implicam moralidade e responsabilidade nos seus frutos. O que deve estar em jogo é o valor da vida e da verdade como o fez Jesus na prática de construção do Reino de Deus. Isto supõe amor e fidelidade até o fim.

O nosso modo de agir cristão deve ter um selo de garantia, de atuação do Espírito de Deus em Jesus Cristo como Caminho, Verdade e Vida. Não podemos trair a nossa fé, jogando por terra as habilidades que recebemos como virtudes e dons para o bem comum.

As atitudes desumanas desabonam o nosso caminho e nos deixam fragilizados para produzir os frutos que contribuem com a vida como Dom de Deus. Assim sendo, deixamos de ver "além de nossos horizontes", e a vida perde o seu real sentido.

Ser cristão não é apenas proclamar um credo de voz alta, ou de pertencer a alguma instituição, mesmo religiosa, mas colocar na própria vida as riquezas do Deus Amor, que significa trilhar os caminhos, a exemplo de Jesus Cristo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José de Rio Preto.

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