sábado, 30 de abril de 2011

Comitiva brasileira em Roma para a beatificação de João Paulo II .

A comitiva brasileira chefiada pelo vice-presidente Michel Temer, está em Roma para a beatificação de João Paulo II. Na noite desta sexta-feira, o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, convidou os representantes do governo brasileiro para um jantar de recepção à comitiva e, principalmente, em homenagem a João Paulo II.
Entre os religiosos, estavam presentes o arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor de Azevedo,;o arcebispo emérito de Salavador (BA), cardeal Geraldo Magela; o arcebispo emérito de Belo Horizonte, cardeal Serafim Fernandes de Araújo; o arcebispo de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno e o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer.

Ao final da cerimônia, o vice-presidente concedeu entrevista exclusiva à Rádio Vaticano.

"O Brasil é um país em que a grande maioria é católica de modo que não poderia deixar de mandar um representante. Aliás, a primeira hipótese seria de vir a presidente Dilma Rousseff, mas que em razão dos últimos acontecimentos no Brasil e uma série de reuniões importantíssimas, não pode comparecer e pediu-me que visse chefiando essa delegação. Essa é uma homenagem a alguém que, no futuro, será Santo, em face da canonização iniciada agora pela beatificação. Acho que foi santo enquanto viveu", afirmou Temer.

Em 1997, quando era presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer teve a oportunidade de receber João Paulo II em uma de suas visitas ao Brasil, no Rio de Janeiro.

"A primeira impressão que eu tive – e tenho que seja também a sensação do povo brasileiro – é de alguém que tinha uma serenidade, no olhar, no gesto, nas palavras. Eu acho que ele deixou essa sensação, a sensação de uma grande liderança. A Igreja Católica também precisa de grandes líderes para divulgar seus ensinamentos e o papa João Paulo II fez muito adequadamente este papel", disse o vice-presidente.

Ao final da entrevista, o vice-presidente mandou uma mensagem ao povo brasileiro.

"Que a beatificação se espalhe como uma benção para todo o povo brasileiro. Que o povo brasileiro continue como é hoje, muito otimista, muito confiante, e a confiança deriva muito da fé e a fé é algo que só a religião nos ensina. Então que o ato da beatificação seja também uma benção par ao povo brasileiro", concluiu Michel Temer. (RB)

O milagre que tornou possível a beatificação de João Paulo II .

A cura inexplicável de uma religiosa francesa que sofria de mal de Parkinson abriu o caminho para a beatificação do Papa João Paulo II, morto em 2005 após um longo calvário provocado justamente pelas conseqüências da doença.

A freira francesa, Marie Simon-Pierre, enfermeira de profissão, segundo a Congregação para a Causa dos Santos, curou-se inexplicavelmente depois de orações e pedidos dirigidos a João Paulo II, poucos meses após a morte do pontífice.

Para a beatificação, primeiro passo, no longo caminho até a canonização, é demonstrar que o candidato a santo intercedeu por um milagre.

Coincidência

Marie Simon-Pierre, na época com 40 anos, trabalhava em um hospital de Aix-en-Provence, no sul da França, quando foi diagnosticada em 2001 com Parkinson.

Em 2007, a religiosa decidiu contar à imprensa como havia melhorado "milagrosamente" depois que a doença se agravou, em 2005, ano da morte de João Paulo II.

Após dias de rezas e pedidos de toda a comunidade ao papa polonês, Marie Simon-Pierre conta ter deixado de sentir os sintomas da doença na madrugada entre os dias 2 e 3 de junho.

"Eu me senti completamente transformada. Senti que estava curada", contou.

O caso da freira, que viu João Paulo II uma única vez em 1984, foi submetido à análise da Congregação da Causa dos Santos, que examinou e aprovou o milagre, após consultas junto a um conselho de especialistas médicos e teólogos.

O processo sofreu atrasos porque a congregação vaticana fez questão de considerar qualquer possível objeção, submetendo o caso a vários peritos.

De acordo com Dom Slawomir Oder, encarregado da documentação para a canonização de João Paulo II, a religiosa enferma seguiu o conselho de sua madre superiora, que sugeriu que ela escrevesse em um pedaço de papel o nome de João Paulo II.

Depois de uma "súplica extrema" e ao longo de uma "noite de pregação", Marie Simon-Pierre teria então se curado, segundo Oder, destacando que entre os documentos que comprovam o milagre estão exemplos da caligrafia da religiosa antes e depois da cura misteriosa.

"A mudança na letra é impressionante: de ilegível a normal", afirmou.

Ciência

Para não deixar dúvidas sobre a confiabilidade de seu depoimento, a religiosa se submeteu também a um exame psiquiátrico, contou Oder.

O prelado explicou ter escolhido o milagre da francesa entre outros atribuídos a João Paulo II para demonstrar que o papa sentia na própria pele "a batalha pela dignidade da vida". Em 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI aprovou "as virtudes heroicas" de Karol Wojtyla.

O processo de beatificação foi iniciado por Bento XVI dois meses depois da morte de seu predecessor, um prazo excepcionalmente breve.

Durante as dezenas de homenagens fúnebres a João Paulo II na praça de São Pedro, em Roma, milhares de fiéis clamaram pela canonização do pontífice.

Uma vez beatificado, é preciso provar que João Paulo II intercedeu em um segundo milagre para que seja canonizado. (RB/AFP)

Tudo pronto para a 49ª Assembleia Geral da CNBB .

Começa, na próxima quarta-feira, 4, em Aparecida (SP), a 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Esta será a terceira vez que a CNBB faz sua Assembleia em Aparecida. As duas anteriores aconteceram em 1954 e 1967, respectivamente, 2ª e 8ª Assembleias.

Dois temas marcarão, de forma especial, a assembleia deste ano: as eleições e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Serão eleitos, para um mandato de quatro anos, o presidente, vice-presidente e secretário geral.

Além destes, os bispos elegerão, também para um mandato de quatro anos, os presidentes das Comissões Episcopais Pastorais, que atualmente são dez. Estes presidentes de Comissões com os três membros da Presidência formam o Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (Consep).

O texto das novas Diretrizes, que também têm duração de um quadriênio, foi elaborado por uma Comissão de bispos, presidida pelo arcebispo de São Luís (MA), dom José Belisário da Silva, e assessorada por peritos. A base do texto são as atuais Diretrizes, aprovadas em 2008 incorporando o conteúdo do documento final da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe, realizada em 2007, em Aparecida (SP), e outros documentos da Igreja publicados desde então, como a recente Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Verbum Domini” do Papa Bento XVI.

Outros temas estarão na pauta dos bispos como as Diretrizes para o Diaconato Permanente, assuntos de liturgia, assuntos da Comissão Pastoral para a Doutrina da Fé, situação dos povos indígenas, análise da conjuntura eclesial e social, assuntos de Comunicação, Jornada Mundial da Juventude, 5ª Semana Social Brasileira.

A Igreja no Brasil tem 456 bispos, sendo 301 na ativa e 155 eméritos. Estão inscritos para a Assembleia 336 (296 da ativa e 40 eméritos). Outras 119 pessoas participam da Assembleia como assessores, peritos, convidados, colaboradores, prestadores de serviço, totalizando 455 pessoas.

Programação

Os trabalhos começarão todos os dias com a missa às 7h30, no Santuário Nacional de Aparecida, com transmissão pelas TVs e rádios de inspiração católica. No domingo, 8, a missa será ao meio dia. As demais atividades ocorrerão no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho, no pátio do Santuário. Serão duas sessões de trabalho pela manhã, começando às 9h15, e duas à tarde, começando com a oração às 15h30 e terminando às 19h30.

No sábado, 7, só há trabalho pela manhã porque à tarde tem início o retiro espiritual dos bispos, que será orientado pelo prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet. O retiro termina no domingo com a missa ao meio dia no Santuário.

Todos os dias (exceto sábado e domingo), às 15h, haverá Coletiva de Imprensa, na Sala de Imprensa da Assembleia. Serão designados três bispos para atender à imprensa. A coletiva será coordenada pelo porta-voz da Assembleia, dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação da CNBB.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O que é a Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?

Segundo o artigo 27 do Estatuto Canônico da CNBB, a Assembléia, órgão supremo da CNBB, “é a expressão e a realização maiores do afeto colegial, da comunhão e co-responsabilidade dos Pastores da Igreja no Brasil”. Reúne-se ordinariamente, uma vez por ano e, extraordinariamente, quando para fim determinado e urgente, sua convocação for requerida (cf. art. 31 Estatuto Canônico da CNBB).

De que trata a Assembléia Geral?

De assuntos pastorais de ordem espiritual e de ordem temporal e dos problemas emergentes da vida das pessoas e da sociedade, na perspectiva da evangelização. (Estatuto Canônico da CNBB, artigo 29).

Quem participa?

O artigo 33 do Estatuto Canônico da CNBB diz que “todos os membros da CNBB são convocados para a Assembléia Geral”. Também podem ser convidados os bispos eméritos e bispos não-membros da CNBB, “de qualquer rito, em comunhão com a Santa Sé e tendo domicílio canônico no País” (artigo 106).

Assembléia Eletiva

A presidência da CNBB permanece no cargo apenas por dois mandatos consecutivos. A cada quatro anos a Assembléia Geral da CNBB elege nova presidência. Em votações separadas são eleitos o presidente, o vice-presidente e o secretário-geral da Conferência. (Estatuto Canônico da CNBB, artigo 43). Também são eleitos os presidentes das Comissões Episcopais de Pastorais.

Segundo o artigo 143 do Estatuto Canônico da CNBB, “as eleições quadrienais devem ser precedidas na Assembléia eletiva: a) pelo relatório da Presidência sobre a vida, as atividades pastorais e a administração patrimonial da CNBB, durante o quadriênio cessante; b) pela avaliação da Assembléia sobre o desempenho da CNBB e de seus responsáveis, no mesmo período; c) pela discussão e votação das diretrizes gerais para a Pastoral Orgânica do quadriênio que se inicia”.

O Artigo 148 do Estatuto afirma ainda que as “eleições serão realizadas em clima de intensa comunhão eclesial, contribuindo para isso o dia de espiritualidade”.

A posse da nova presidência e dos novos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais acontece antes do término da Assembléia. (Estatuto da CNBB, Art. 154)

49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

A 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontecerá de 4 a 13 de maio, em Aparecida (SP), deverá reunir mais de 300 bispos de todas as dioceses do Brasil. Para que os fiéis possam se sentir um pouco mais perto desse grande evento da Igreja no Brasil, a CNBB está lançando o subsídio de oração “Rezemos com os Bispos do Brasil Reunidos em Aparecida”.

Segundo o subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Ademar Agostinho Sauthier, o subsídio serve não apenas para oração, mas também de base para uma reflexão maior dos temas ligados à Igreja no Brasil. “Propomos, com essa cartilha, temas para conversas, partilha de experiência, reflexão e oração, a serem usados em cada dia, como um modo de acompanhar fraternamente os nossos bispos. Reúna-se, acompanhe as notícias da Assembleia e faça suas reflexões e orações espontâneas a partir dos textos propostos para cada dia”, ressaltou.

A cartilha contém orações para todos os dias da Assembleia. No próprio subsídio, que pode ser encontrado gratuitamente no site da CNBB (www.cnbb.org.br), destaca-se que todos são convidados a sentirem-se mais próximos dos bispos reunidos em Aparecida.

“Você, sua família, sua comunidade, são especialmente convidados a entrar em sintonia com os nossos bispos reunidos em oração e a acompanhar dia a dia, passo a passo, o desenrolar dos acontecimentos da Assembleia Geral. É nosso jeito de afirmar que todos nos sentimos responsáveis pela Igreja, em comunhão uns com os outros e com os nossos pastores, unidos numa corrente de fé”, diz um trecho da cartilha.

A cartilha já foi enviada a todas as dioceses do Brasil para que os padres façam a divulgação do material nas missas.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Regional Nordeste 2 realizará encontro de Coordenadores Diocesanos de Catequese

A Comissão do Regional Nordeste 2 de Catequese estará realizando no dia 30 de junho do corrente ano um encontro para Coordenadores Diocesanos de Catequese, na cidade de Pesqueira-PE. O tema a ser trabalhando será o RICA/CATECUMENATO, tendo como assessor o Pe. Luiz Baronto (Liturgista).

Local: Seminário São José - Pesqueira
End: Rua Comendador José Didier, s/n Centro
CEP 55.200-000 - Pesqueira PE
Fone: (87) 3835-3199
Início: jantar dia 30/06 (quinta-feira)
Término: Almoço dia 03/07 (domingo)


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Setor de Ensino Religioso da CNBB inaugura Biblioteca Virtual

De 2008 até os dias atuais, o Setor de Ensino Religioso da CNBB tem se preocupado em revisar e recuperar todo o acervo correspondente as ações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por mais de três décadas, sobre o Ensino Religioso no Brasil.

Após esses três anos de pesquisa, encabeçada pela assessora do Setor Ensino Religioso, professora Anísia de Paulo Figueiredo, em conjunto com o bispo referencial do Setor, dom Eurico dos Santos Veloso, arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG), que a CNBB inaugura a Biblioteca Virtual. Nela (Biblioteca Virtual) está todo o itinerário percorrido durante 30 anos do Ensino Religioso no Brasil, com foco na recuperação, revisão, elaboração e divulgação de documentos inéditos. Outros destaques da Biblioteca ficam por conta dos oito projetos e respectivos programas do Setor, contidos em dois Planos de Pastoral do Secretariado Geral: o 19º - 2008; o 20º, em 2009 – 2011.

Além da assessora do Setor e do bispo referencial, outras pessoas trabalharam na construção do acervo: o arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura, Educação e Comunicação Social da CNBB, dom Orani João Tempesta; a Comissão de Trabalho de Bispos sobre o Ensino Religioso da CNBB; o Grupo de Assessoria e Pesquisa sobre o Ensino Religioso; Consultores “AD DOC” para assuntos específicos do momento e o Grupos de Apoio Técnico.

A Cartilha da Caminhada

Pensando no mês da Bíblia de 2011

Tema: A Cartilha da Caminhada
(Êxodo 15-18)

 


Nossa realidade nesse campo

A Bíblia é mais reverenciada do que conhecida. Houve muito progresso na leitura porque os nossos melhores biblistas de fato fizeram opção preferencial pelo povo. Mas ainda há muito desconhecimento da evolução da mensagem, da interpretação de acordo com o gênero literário e o contexto. De vez em quando deparamos de novo com aqueles velhos problemas que já deviam estar resolvidos. E, como hoje há mais liberdade para questionamentos, o catequista precisa estar mais seguro e atualizado.

O mês da Bíblia dentro da nossa Pastoral

Esse trabalho é

 Parte da pastoral de conjunto: a Bíblia é livro de todos

 Ligado ao que se faz durante o ano: CF, missão, catequese, organização paroquial...

 Um caminho de formação continuada

 Uma oportunidade para criar grupos bíblicos

 Um instrumento para valorizar o conjunto da Bíblia

 Um convite à oração a partir dos textos

A compreensão da Revelação na história

Nosso livro sagrado é especialmente “encarnado”, não veio do céu ditado por anjos. É fruto da percepção da ação de Deus na história. Ele vai sendo gerado por tradição oral e responde às necessidades de cada fase da caminhada do povo. Com isso, ele nos convida sempre a descobrir também o que Deus está nos comunicando agora, na história de cada um e da sociedade.

O Êxodo na tradição do Antigo Testamento

É um livro com um destaque muito especial. Ele trata do fato fundante mais básico da história de Israel. Se todos se consideram “filhos de Abraão” , as regras da vida judaica e a própria construção da identidade desse povo se alicerçam em Moisés. O próprio Deus se identifica a partir dos fatos narrados no Êxodo: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da escravidão.” (Ex 20,1) E assim esse será lembrado, tanto em outros textos bíblicos, como nos momentos de aflição que o povo judeu viveu na sua longa história de perseguições e martírio.
No modo judaico de entender a história, todos os judeus, de todas as épocas, são chamados a se sentir presentes na libertação, na caminhada pelo deserto, na Aliança feita no Sinai.
Duas idéias são básicas e entrelaçadas no Êxodo: libertação e direito a uma terra. Ambas têm a ver com identidade. Ambas são interdependentes: de que serviria uma libertação sem o direito a um lar? E como esse lar seria diferente da escravidão se não se desenvolvessem aí valores de solidariedade, justiça e fraternidade?
Se quiséssemos comparar com o Novo Testamento diríamos que lá também temos duas idéias de efeito semelhante: redenção feita por Jesus (libertação do mal que pode nos seduzir e nos afastar de Deus e do irmão) e proposta de construção do Reino (uma “terra prometida” mais ampla, universal, definitiva).

A transmissão da mensagem gerando identidade e coesão no povo

A catequese judaica é – até hoje- narrativa. No Êxodo isso fica bem explícito: “E quando teu filho, amanhã, te perguntar: que significa isso? Tu lhe dirás: com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da casa da escravidão.” Ex 13,14
Na parte final do livro do Êxodo temos todas as recomendações para o culto, templo etc (coisas que evidentemente não poderiam ser feitas no “deserto” e configuram uma projeção do presente no passado). É de um modo muito bonito de dizer algo que os judeus repetem até hoje: a libertação liderada por Moisés não deve ser vista como um fato do passado. Todo judeu deve se considerar participante de tudo o que está descrito no Êxodo.
A tradição judaica diz que estavam lá até as almas dos que não haviam nascido.
Hoje, quando fazemos leitura orante, somos convidados a embarcar nesse tipo de viagem, a estar lá onde as coisas aconteceram. Isso é um instrumento poderoso na construção da identidade humana e religiosa.

A estrutura da narrativa do Êxodo

Podemos perceber 6 grandes blocos dentro do livro:


Evidentemente algumas partes desse texto não se relacionam de fato ao que podia acontecer no deserto mas projetam aí o que ia acontecendo depois do exílio com a reconstrução do templo. São fruto de uma tradição posterior, apresentada como algo alicerçado na história e na autoridade de Moisés. Tudo isso, porém, tem uma grande unidade porque se trata daquilo que constitui o fundamento da identidade do povo.

A parte que vamos estudar neste mês da Bíblia

Vamos tratar do segundo bloco, do capítulo 15 ao 18. É um período intermediário entre a libertação e o recebimento da Lei. É interessante chamar isso de “A Cartilha da Caminhada”´, um título que evoca nossa caminhada de hoje, a preparação para o discipulado mas também para a própria vida numa comunidade religiosa. O texto nos mostra algumas dificuldades, crises, dúvidas, mas também soluções que caberiam bem no nosso trabalho pastoral de hoje. É nessa ótica que vamos examinar o que o mês da Bíblia nos propõe.

Capítulo 15: precisam de água

Começa com um canto de louvor ao Deus “guerreiro”, ainda dentro do espírito do bloco anterior. É interessante observar que neste poema se pergunta “Quem entre os deuses é como tu? – algo que tem a ver com a gradual descoberta da identidade do Deus único, que se completará mais tarde.

Celebrada a vitória, agora os caminhantes têm que enfrentar as conseqüências da liberdade. Falta água no deserto. E agora? A água que conseguem encontrar é amarga. Na Bíblia a água aparece tanto como fonte de vida como de morte ( e até hoje não é assim?). Em qualquer conquista importante, de vez em quando vamos perceber que falta “abastecimento” ou que está a nosso dispor uma “água” que não é saudável. O povo resmunga nessa hora. E quem de nós já não viu algo parecido?

Moisés não resmunga, vai ao dono de todas as fontes. Deus lhe indica um jeito de tornar a água sadia. O texto relaciona essa água purificada com os mandamentos e leis do Senhor (que ainda não tinham sido solenemente entregues). Deus se apresenta como caminho saudável: Eu sou o Senhor que te cura. Não é uma cura milagrosa, no sentido sensacionalista, é a cura que vem de organizar a vida de acordo com os preceitos de Deus, que só quer o nosso bem e sabe o que é melhor para nós.

O capítulo termina com uma linguagem simbólica bem típica da Bíblia: chegam a um lugar com 12 fontes de água(número do povo, vida para todos) e 70 (sinal de plenitude no resultado da “água”) palmeiras.

Em nossa caminhada de hoje, poderíamos refletir:

 Que “águas amargas” de vez em quando aparecem? Como lidamos com isso?

 Em nossa catequese as leis de Deus aparecem como caminho de cura ou como testes de um juiz que pode nos ameaçar?

 Se quisermos fazer uma ligação com a CF: como andam as águas do planeta? O que fazer para que a terra seja esse lugar com “12 fontes e 70 palmeiras”?

Capítulo 16: as codornizes e o maná

De novo o povo reclama: “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxeste a este deserto? Para matar de fome toda essa gente?” A maioria, ontem e hoje, quer conquistas fáceis e “confortáveis”, que não custem sacrifícios. Alguns talvez até prefiram opressão com acomodação, como o povo que vive querendo “favores” dos nossos parlamentares em vez de lutar por direitos. E lá se vai Moisés conversar com o Senhor. Deus manda as codornizes à noite e o maná no dia seguinte. É um sinal do que Deus fez e faz com a humanidade: Ele nos dá o que o ser humano precisa e muitas vezes nem sabe reconhecer.

Os estudiosos têm explicações menos “milagrosas” para as codornizes e o maná: as aves estariam em processo normal de migração, cansadas como seria normal e o maná seria algo natural produzido na região mas desconhecido para aquele povo. Isso não diminui, mas até enriquece a mensagem: Deus nos sustenta com aquilo que Ele mesmo já providenciou no processo “normal” da criação ( ou seja: teremos que agradecer pelo pão do nosso café matinal como o povo deveria fazer pelo “milagre’ do maná). Mas é preciso saber usar o que Deus nos dá.

Aí o texto vem com duas lições importantíssimas:

a) o recurso da natureza (representado no maná) é para ser usado , não abusado; é suficiente mas não deve ser alvo de ganância acumulativa; quem quer tomar demais para si vai ter um produto apodrecido. No uso dos bens que Deus nos dá temos que saber partilhar em fraternidade. A vida certamente será melhor e mais segura se todos tiverem o suficiente e ninguém quiser ser o “dono” do supérfluo.

b) Para guardar o sábado é lícito colher o dobro na sexta feira. Destaca-se o respeito ao sábado ( do qual até a natureza= maná faz parte) e indica-se a exceção por motivo justo. Isso nos faz até lembrar a fala de Jesus dizendo que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.

Essa parte do texto foi bem trabalhada no texto base da CF 2011, aplicando-se aos recursos do planeta o que está simbolizado no uso do maná. Mas esse símbolo não serve só para a questão ecológica, diz respeito a todos os exageros egoístas que podem estragar a vida. Deus nos quer como uma grande família, onde todos cuidam de todos e ninguém busca acumular o que não precisa. A partilha e a necessidade de todos devem estar acima de qualquer acumulação egoísta. A questão do sábado também tem a ver, não somente com um tipo de adoração que um Deus exigente poderia desejar, mas com o bem de cada ser humano que precisa de ritmos significativos em sua vida. Nem só de “produção” vamos viver: precisamos de pausas, interiorização, enriquecimento interior. O sábado, nesse sentido, é mais um dom do que uma obrigação ( e que tal aplicar isso ao nosso domingo e nossa missa?)

Então caberia refletir:

 Como educamos para o uso fraterno e responsável do planeta?

 Percebemos (e ajudamos a perceber) as leis de Deus como algo que nos indica um modo melhor de viver?

 Vamos planejar a CF e o mês da Bíblia dentro de um trabalho orgânico, percebendo o fio condutor que une a reflexão?

Capítulo 17, 1-7: Olha a água de novo!

Falta água outra vez e o povo pergunta de novo: Por que nos fizeste sair do Egito? Em nossa caminhada também nãp é só uma vez que vamos sentir falta de algo essencial.

Falta confiança em Deus e reconhecimento da importância da caminhada que vai concretizar a libertação. Muita gente prefere acomodação, mesmo com horizontes bem estreitos, já sabemos.

Deus vai repetir o fornecimento de água, que dessa vez virá de um rochedo no monte Horeb (outro nome para o Sinai, o monte dos mandamentos) no qual Moisés vai bater com a mesma vara com que tinha feito prodígios no rio do Egito. O povo deve reafirmar a sua fé e sentir que Deus está com ele.

Reflexões para hoje:

 O que os Moisés de hoje deveriam fazer para que o povo se sinta acompanhado por Deus?

 Quais são as “sedes” que precisam ser aplacadas hoje com testemunho de amor e fraternidade?

Capítulo 17, 8-16: Sustentamo-nos uns aos outros?

No meio do caminho (como costuma acontecer na vida de todos) há uma batalha, há uma vitória que precisa ser conquistada. Os amalecitas atacam o povo. Josué fica no comando dos lutadores e Moisés, sinal da ligação com Deus, fica no alto da montanha de mãos erguidas. As mãos levantadas de Moisés levavam o povo á vitória mas quando ele se cansava o povo começava a perder a luta. Então Aarão e Hur, um de cada lado, sustentavam as mãos do líder e contribuíram desse jeito para a vitória.

Moisés apoiava o povo, Hur e Aarão apoiavam Moisés. Nossa vida, nossa pastoral, nossa família, nosso trabalho, nosso ecumenismo, nossa luta pela cidadania são batalhas assim, em que um precisa sustentar, apoiar o outro. Não dá para fazer grandes conquistas sozinho. Triste é a paróquia em que cada líder está sozinho, desligado dos companheiros! Pior ainda é quando, por ciúme, um se alegra com o fracasso do outro!

Reflexões para hoje

 A pastoral de conjunto, de que tanto necessitamos, exige uma espiritualidade que cultive o apoio mútuo. Estamos sabendo fazer isso?

 Quem já sustentamos em momentos difíceis?

 Como líderes, sabemos pedir socorro aos companheiros?

Capítulo 18, 1-12: Uma família se reagrupa

Jetro chega com sua filha Séfora e os dois filhos de Moisés (Gerson e Eliezer): a família se reúne, quer participar do que está acontecendo. A caminhada do povo é também a caminhada conjunta das famílias, que vão formar comunidade, que vão se ajudar mutuamente. Jetro era estrangeiro, sacerdote madianita, mas era sogro de Moisés e, como tal, faz parte da história do povo. Há partilha de notícias, Moisés conta a Jetro o que aconteceu na caminhada. O reencontro é celebrado com uma refeição comunitária, “na presença de Deus”.

Reflexões para hoje

 Como estamos contribuindo para a união das famílias?

 Como aceitamos em nosso meio a presença dos “estranhos, diferentes” que poderiam caminhar conosco?

Capítulo 18, 13- 27: distribuindo tarefas com equipes subsidiárias

Moisés estava tendo um comportamento centralizador, atendendo sozinho todos os problemas do povo, de manhã até a tarde. Jetro lhe diz que isso não está certo, que isso acabará esgotando Moisés e sendo ruim para o povo (por muito que Moisés seja visto como grande líder, íntimo de Deus, com uma história respeitável...). Sugere divisão de responsabilidades: homens de valor dentro do povo ficarão responsáveis como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. E para Moisés ficarão só as questões mais graves, que exigirem uma autoridade maior. Moisés aceitou a orientação e assim foi feito. Depois Jetro voltou para sua terra.

Nem é preciso dizer o quanto, como Igreja, estamos necessitados desse exemplo. Uma pastoral de conjunto se faz com tarefas divididas mas não isoladas. Organização não é o mesmo que centralização. Se nem Moisés devia ser um “faz tudo” , o que dizer de nossas lideranças: Dar oportunidade a outros é, além disso, um caminho inteligente para descobrir talentos escondidos e alimentar a solidariedade fraterna. Os destinos do povo devem ser decididos por todo o povo porque o Espírito de Deus repousa sobre todo o povo e não apenas sobre alguns (Cf Nm 11, 24-30).

Reflexões para hoje

 Como anda a divisão de tarefas em nossas comunidades?

 Na hora de fazer um planejamento participativo, como as pessoas se comportam?

 Moisés recebeu bons conselhos de alguém de fora. Sabemos aproveitar talentos que estão além do nosso grupo?

Refletindo sobre esses aspectos, podemos fazer do mês da Bíblia uma oportunidade importante para crescer tanto no amor à Bíblia como na espiritualidade que nos faz ser comunidades fraternas e solidárias. Estamos também numa caminhada rumo a um outro tipo de terra prometida, um mundo melhor guiado pelos valores do Reino. Juntos estaremos mais seguros, mais felizes e mais capazes de realizar nossa missão.









SUBSÍDIOS PARA O MÊS DA BÍBLIA

Em 2011, o texto proposto para ser aprofundado no estudo bíblico é o livro do Êxodo nos seus capítulos de 15 a 18.
Estamos oferecendo alguns textos motivadores, a publicação do subsídio com os círculos bíblicos, logo mais estará à venda pelas Edições CNBB.

Pensando no planejamento para 2011
O mês da Bíblia dentro da Pastoral de Conjunto

Queremos nossas comunidades animadas num trabalho bem planejado. Sabemos que a Bíblia, além de ser “o livro da catequese por excelência”, é também fonte de inspiração para o trabalho da Igreja em todas as áreas. Há bastante tempo nos acostumamos com o mês da Bíblia, em setembro. É importante ter uma atividade assim, aprofundando a cada ano algo da mensagem bíblica. Muitos frutos preciosos vêm sendo colhidos, ao longo do tempo, com esse trabalho que nos dá oportunidade de mergulhar no texto bíblico e fazer crescer tanto o amor à Palavra de Deus como um conhecimento mais atualizado de sua interpretação.

A Bíblia não é só livro de estudo, é fonte de oração, de questionamento, de amadurecimento do povo de Deus, de transformação de vida. Quando uma comunidade realmente alimenta sua intimidade com a Bíblia, mudanças muito significativas acontecem, não só na catequese e na vivência da oração e da liturgia, mas em todos os aspectos da vida cristã. Por isso é importante que essa atividade não fique separada das outras, que se ligue ao que a Igreja faz, em todas as suas áreas e que se relacione com o que será refletido em outros projetos durante o ano. Pastoral de conjunto não é apenas uma técnica a ser considerada no planejamento, é um jeito de ser Igreja que de fato nos ajuda a ser visível comunidade de irmãos e discípulos.

Tema e lema para 2011

Em 2011, o texto proposto para ser aprofundado no estudo bíblico é o livro do Êxodo nos seus capítulos de 15 a 18. Ali encontramos episódios muito significativos da caminhada do povo pelo deserto:

- Cântico de Moisés e Miriam (lembrando a necessidade de celebrar o que vivemos)

- água amarga que se torna doce, um lugar com doze fontes (Ex 15) e água que brota do rochedo (Ex 17)

- reclamações do povo diante das dificuldades encontradas no deserto

- alimento fornecido por Deus (codornizes e maná) para ser consumido com responsabilidade, sem acumulação

- destaque para o sábado como dia de pausa nas atividades (não se colhe maná nesse dia)

- uma batalha em que a vitória acontece porque Moisés, que anima o povo, tem suas mãos sustentadas por Aarão e Hur (Ex 17)

- Jetro ensinando Moisés a partilhar a liderança, formando equipes (Ex 18)

Além disso, a caminhada pelo deserto, no seu conjunto, é um símbolo potente da construção da identidade do povo, que se vai moldando ao regulamento da Aliança.

Considerando esse panorama, foram escolhidos o tema e o lema do nosso próximo mês da Bíblia:

Tema: Travessia: passo a passo o caminho se faz

Lema: Aproximai-vos do Senhor (Ex 16,9)

O tema do mês da Bíblia dentro da reflexão sobre iniciação à vida cristã

Se estamos querendo de fato uma Pastoral de Conjunto, não podemos tratar o mês da Bíblia como algo isolado. No momento, estamos refletindo muito, em todas as áreas da Igreja, sobre a necessidade de uma boa iniciação à vida cristã , nesse nosso novo tempo caracterizado como “mudança de época”. Então, é dentro desse panorama que vamos inserir o mês da Bíblia.

Iniciação tem a ver com formação de uma identidade, vivida como experiência transformadora de compromisso com um projeto de Deus que atinge por inteiro a vida da pessoa. A caminhada do povo de Deus pelo deserto tem função bem semelhante: é um caminho, que se faz passo a passo (como se vê no enunciado do tema do mês da Bíblia) , na direção da formação de um povo com consciência da importância da missão que lhe foi dada por Deus. As leis que vão orientar o povo são dadas nesse caminho e vão formar uma identidade religiosa capaz de enfrentar muitos desafios; até as dificuldades que o povo encontra nesse processo podem servir como ponto de reflexão sobre a caminhada de quem quiser hoje se tornar cristão, discípulo verdadeiro de Jesus.

Travessia – outra palavra que aparece no tema – significa passagem de uma situação a outra, algo que se relaciona muito bem com a tão falada “mudança de época” , contemplada em nossa reflexão sobre iniciação á vida cristã.

O mês da Bíblia e a Campanha da Fraternidade de 2011

Nossa Campanha da Fraternidade de 2011 vai alertar sobre aquecimento global e uso predatório dos recursos do planeta. O texto do mês da Bíblia mostra o povo no deserto, precisando do essencial (não do supérfluo). Esse essencial está bem representado na necessidade de água e de comida. Uma água amarga se torna potável e parece que nós hoje estamos fazendo o contrário, tornando a água imprópria para consumo. O maná é o alimento essencial suficiente. Pode ser visto como símbolo dos recursos naturais que Deus nos deu no planeta para a sustentação da vida. Mas não pode ser desperdiçado nem acumulado. Não seria isso uma boa continuação da reflexão feita na Campanha da Fraternidade? O povo no deserto caminha com a promessa de uma terra onde mana leite e mel ( um lugar bom para se viver). E nós, para onde caminhamos se não aprendermos a cuidar bem do planeta?

Vida em comunidade e Pastoral de Conjunto

O próprio método de desenvolvimento do mês da Bíblia deve refletir nosso desejo de ser comunidade em unidade, propiciando a participação de grupos variados , a partir de um bom processo de planejamento. Mas, mesmo dentro do tema, temos oportunidade de refletir sobre a importância do trabalho conjunto. O povo ganha uma batalha porque seu líder – Moisés – além de estar intimamente ligado a sua gente, é sustentado por dois companheiros. Depois Jetro vai ensinar a Moisés como é bom dividir tarefas para envolver mais gente e não sobrecarregar ninguém. Que tal partir daí para incentivar ainda mais o planejamento participativo que leva à Pastoral de Conjunto? É bom lembrar também que nossos bispos, na sua 49ª Assembléia Geral, produzirão novas Diretrizes Gerais para a nossa ação pastoral. O mês da Bíblia vai ser desenvolvido dentro do clima global dessas orientações.

Resumindo: o caminho se faz com um passo ligado aos outros

Contamos com vocês, catequistas e todos os outros agentes de pastoral, para dar ao trabalho proposto para 2011 uma unidade que nos faça perceber um caminho coerente de crescimento na fé, na oração, no conhecimento da Bíblia, no diálogo com os que podem construir conosco um mundo melhor, na ação em favor do nosso povo, na partilha de talentos, no relacionamento comunitário. O mês da Bíblia é um tijolo valioso dentro dessa construção.



quinta-feira, 21 de abril de 2011

PRECE DE UM CATEQUISTA

Quero partilhar com os catequistas esta oração
que brotou do meu coração que pulsa
100% CATEQUESE.


Quero ecoar vossa Palavra Senhor
Com a coragem daqueles que amam
Com a sabedoria necessária para fazer crescer
Com a fé sincera que fecunda a vida;

Sou tua testemunha Senhor
Em um mundo que parece te esquecer
Preciso fazer de minha vida um serviço
Que cative e entusiasme os outros a segui-lo.

Sou teu Profeta Senhor
Em uma realidade que não quer te escutar
Tenho que gritar, proclamar tua vontade
Que é Caminho, Verdade, Vida, Amor e Fé.

Sou teu amigo Senhor
Que procura na singeleza do que sou
Trazer outros amigos para junto de Ti
E juntos possamos viver na plenitude
E madurecer na fé e para a vida.

Amém!

Pe. Elison Silva
Da Arquidiocese de Maceió
Articulador de Catequese da Província Eclesiástica de Maceió

quarta-feira, 20 de abril de 2011

CARTA AOS BISPOS


Caríssimos Bispos,

Saudações Fraternas.

Estivemos reunidos, cerca de 170 participantes, no V Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência, representantes dos Regionais Norte 1, Norte 2; Nordeste 1, Nordeste 2, Nordeste 3, Nordeste 5; Leste 1, Leste 2; Oeste 2; Sul 1, Sul 2, Sul 3, Sul 4; Noroeste, Centro Oeste, de Pastorais e Movimentos: Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FCD), Movimento Fé e Luz, Pastoral dos Surdos, Pastoral das Pessoas com Deficiência, presbíteros, religiosas, catequistas, sob a coordenação da Equipe Executiva Nacional de Catequese Junto à Pessoa com Deficiência e de Dom Eugênio Rixen, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico Catequética, no Centro de Pastoral Santa Fé, São Paulo, no período de 25 a 27 de março de 2011.

Sinais e vozes, olhares e atitudes, silêncio e diálogo foram os instrumentos de linguagens utilizadas durante o evento eclesial, cujo tema —“A Igreja e a Pessoa com Deficiência” e o lema: “Levanta-te a Anda”— retoma o grande tema da Campanha da Fraternidade de 2006.

Sem medir esforços e superando barreiras e distâncias, uma parcela da Igreja Católica se fez presente para avaliar os planos da ação evangelizadora-catequética junto àqueles que necessitam de metodologia e de cuidado especiais. A caminhada é longa, os desafios também, e sabemos que tudo isto é inerente à missão da Igreja presente no mundo.

O processo de conversão/transformação e testemunho do anúncio do Kerigma é tarefa do Povo de Deus, presbíteros e leigos, bispos e religiosas, catequistas e pessoas com alguma deficiência. Todos são chamados, de maneiras diferentes, com dons e talentos diversos, formando um só Corpo Místico (I Cor 12,4-31).

O medo do novo, o preconceito ou a falta de conhecimento não devem impedir a tomada de atitudes e aproximação junto às muitas pessoas com deficiência que se encontram sentadas à Porta do Templo, (cf, At 3,1-10), excluídas do processo de evangelização.

A Igreja é peregrina e necessita da graça para transformar o mundo e as pessoas em todas as suas dimensões humanas. As pessoas com deficiência presentes neste V Seminário (cegos, surdos, cadeirantes, paralisados cerebrais, pessoas com deficiência intelectual, ouvintes, andantes) afirmam e acreditam na necessidade de romper ainda muitas barreiras, de conquistar espaços e oportunidade dentro das comunidades eclesiais.

O Mandamento de Jesus: “Ide a todos e pregai o Evangelho, e façam meus seguidores” (Mt 28,19), implica repensar estruturas físicas, atitudes e valores em nossas comunidades paroquiais e em nossas Igrejas Particulares.

O acolhimento desta parcela da Igreja Católica, de cidadãos cônscios de seus direitos e deveres, sabedores de seu múnus batismal, é a primeira atitude, a primeira mensagem que é registrada na mente e no coração das pessoas com deficiência.

Já marcados pela dor do preconceito e do sofrimento que a sociedade lhes impõe, é certamente na Comunidade de Cristãos que as pessoas com deficiência buscam o alimento e a água viva, Jesus Cristo (Jo 7, 38).

Agradecemos todo apoio, a acolhida dessas pessoas na comunidade eclesial e, ao mesmo tempo, solicitamos dos Senhores Bispos abertura ainda maior e presença mais efetiva nas atividades de evangelização, catequese e de convivência junto àquelas pessoas, diletas do Senhor, para que sejam INCLUÍDAS na elaboração do Plano de Pastoral de Conjunto, Diretórios e orientações pastorais, das respectivas Igrejas Particulares.

Certos de que a Graça e a Força Divina de Jesus, Filho de Maria, Mãe da Ternura, impulsionam e nos apontam para a plenitude, “já ainda não”, do Projeto do Pai, juntos aos seus filhos, rogamos copiosas bênçãos e agradecimentos.

São Paulo, 27 de março de 2011.

Participantes do V Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Feliz Páscoa

Divulgado documento final do 5º Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência

Os participantes do 5º Seminário Nacional de Catequese junto à Pessoa com Deficiência, realizado entre os dias 25 e 27 de março, em São Paulo (SP), “A Igreja e a Pessoa com Deficiência”, divulgaram o documento final do evento, “Catequese é Vida”.
No texto, os participantes destacam que a Igreja se propõe à inclusão das pessoas com deficiência para que os “jovens e adultos com deficiência façam parte das ações evangelizadoras com protagonismo, autonomia e independência”.
O documento também propõe que a Igreja, em nível nacional e regional, no âmbito da CNBB, “seja constituída uma Pastoral das Pessoas com Deficiência, com pessoal, meios e recursos necessários com vistas a desenvolver trabalhos de inclusão desse segmento na sociedade e na Igreja”.

Leia abaixo o texto:

DOCUMENTO CATEQUESE É VIDA

1.    Considerando:

o    O resultado do Censo 2000 realizado pelo IBGE que teve como resultado de que há no país cerca de 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, correspondendo a 14,5% da população;
o    A realização pela CNBB, em 2006, da Campanha da Fraternidade “Fraternidade e Pessoas com Deficiência”, onde houve a possibilidade de uma tomada de consciência maior sobre a condição social dessas pessoas;
o    A aprovação pela Organização das Nações Unidas – ONU da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, e sua ratificação pelo Estado brasileiro em 2008,  tornando-se a referência maior em nível legal para promoção dos direitos e da inclusão social dessas pessoas;
o    Que a Igreja tem, cada vez mais, se organizado para promover a o direito à religiosidade e à espiritualidade e à Catequese dessas pessoas, entendendo que “o Corpo Místico de Cristo e a Sociedade não estão completos sem a participação das Pessoas com Deficiência”;
o    Que ainda há muito a construir para promover a inclusão dessas pessoas no seio da Igreja;

2.    Propõe-se que:

o    Todas as crianças católicas com deficiência sejam incluídas nas ações de catequese;
o    Esta inclusão seja realizada, prioritária e preferencialmente juntamente com as crianças sem deficiência;
o    Os jovens e adultos com deficiência façam parte das ações evangelizadoras com protagonismo, autonomia e independência;
o    Seja assegurada acessibilidade Física e da Comunicação em todos os espaços da Igreja;
o    Que os princípios da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência sejam incorporados também como princípios da Igreja.
o    Que em nível nacional e regional, no âmbito da CNBB, seja constituída uma Pastoral das Pessoas com Deficiência, com pessoal, meios e recursos necessários com vistas a desenvolver trabalhos de inclusão desse segmento na sociedade e na Igreja;
o    Esta Pastoral possa contar com os Movimentos e Pastorais hoje existentes, como a Pastoral dos Surdos, o    Movimento Fé e Luz, a Arca, a Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência e outros;

3.    Reivindica-se que:

o    Os órgãos Públicos implementem políticas de Atenção às Pessoas com Deficiência conforme preconizadas pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, pelo Sistema Único de Saúde – SUS, pelo Sistema Único de Assistência Social – SUAS e pelas demais políticas públicas de atenção aos direitos de cidadania dessa população;
o    Que o Congresso Nacional suspenda a tramitação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, até que seja promovido um amplo debate do mesmo com o segmento e que sejam respeitados os preceitos constantes da Convenção Internacional da ONU.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Estimados/as Participantes do V Seminário de Catequese junto à Pessoa com Deficiência

Paz e Bem!

É como muita alegria que fazemos chegar até vocês as conclusões finais do V Seminário.  Agora, só nos resta concretizar com nossa prática e testemunho o que foi refletido, avaliado, retomado...

Agradeço a presença efetiva e afetiva de cada um de vocês que tornou possível a realização de mais esse evento tão importante para a Igreja e sociedade.
Foram momentos intensos de partilha e compromisso com a VIDA muitas vezes ameaçada e ferida, é pelo REINO DA VIDA que lutamos e TEIMOSAMENTE RESISITIMOS, porque nossa fé, nossas convicções estão enraizadas na ESPERANÇA QUE NÃO ENGANA. É na luz do RESSUSCITADO que confiamos e continuamos a caminhada como discípulos missionários.



FELIZ PÁSCOA NA ESPERANÇA QUE NÃO ENGANA,

NA LUZ QUE NASCE DA NOITE ESCURA, JESUS RESSUSCITOU!

Carinhoso abraço.

Ir. Zélia Maria Batista
Assessora da Comissão para Animação Bíblico-Catequética da CNBB

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo


A paixão do Senhor nos apaixona por Deus e nos enche de compaixão pelos irmãos. Os evangelhos da paixão são carregados de amor e por si mesmos comovem e convertem. Meditemos o drama da paixão de Jesus.
1. O Pai silencia. Jesus faz a experiência da noite escura, ou seja, do silêncio de Deus. O Pai parece esconder-se e a solidão se abate sobre o Filho de Deus. O silêncio do Pai é uma experiência da espiritualidade cristã, cuja pedagogia consiste em que O procuremos mais intensamente. Após a escuridão vem a luminosidade mais intensa.
2. O diabo tenta. Jesus é tentado pelo diabo também na sua paixão. A traição, as zombarias, as humilhações que Jesus suportou, são tentações, sofrimentos morais e interiores. Jesus resiste, vence, o maligno é derrotado.
3. Os discípulos dormem. Na hora mais intensa do sofrimento de Jesus, na hora suprema da salvação, na oblação total do amor de Jesus, os discípulos dormem. São sentinelas dorminhocos, guardas sonolentos. Esta realidade ainda se perpetua. A Igreja ou é missionária ou dorminhoca.
4. Os amigos fogem. Os Doze se dispersam. João permanece ao pé da Cruz. Na hora do sofrimento a fuga dos amigos é uma dor e uma decepção muito profunda. ''Ferirei o pastor, dispersar-se-ão as ovelhas''. Como é dolorida a fuga dos amigos na hora em que mais precisamos deles. É preciso amar até o fim.
5. As autoridades condenam. Jesus inocente, justo e santo, agora é réu condenado como blasfemo e como agitador do povo. Barrabás, bandido, salteador, homicida é absolvido e Jesus condenado porque passou fazendo o bem. Os tribunais que condenaram Jesus tinham interesses políticos e religiosos. A corrupção do poder condena inocentes, justos e absolve culpados.
6. Os soldados torturam, zombam, cospem, flagelam, humilham a Jesus. Tecem uma coroa de espinhos e revestem-no com um manto vermelho. Jesus os perdoa e pergunta a um deles: ''Por que me bates?''. Jesus o catequiza. Zombaria e agressão são armas dos fracos e fracassados.
7. A multidão grita: Crucifica-o. A manipulação do povo pelos detentores do poder é sempre um trunfo para seus objetivos. O povo é manipulado e condicionado a fazer o que eles querem. Estas manobras e espertezas se repetem na história da humanidade. O que querem é usar o povo para interesses pessoais.
8. Cirineu ajuda Jesus. É um homem do campo. Obrigaram-no a ajudar Jesus, e assim crucificá-lo vivo. Se Jesus morresse no caminho a frustração dos perseguidores seria grande. Cirineu é um estranho, alguém que veio de fora, um camponês cheio de bondade e sensibilidade que ajudou Jesus. Cirineus existem, mas são rejeitados pelos que não aceitam ajuda. Jesus aceitou ser ajudado.
9. Verônica enxuga o rosto de Jesus. Mulher sensível, humana, corajosa, Verônica tem a iniciativa de ir ao encontro de quem sofre e oferecer o que ela possui, uma toalha. Os pequenos gestos tornam-se grandes quando feitos por amor. Deus a recompensou. Imagem de Deus é toda pessoa humana que espera por Verônicas solidárias.
10. O bom ladrão se arrepende. Ele reconheceu sua própria culpa e a inocência de Jesus. Ele declarou Jesus como aquele que não fez o mal, pronunciou a sentença da inocência do Senhor. Fez o que Pilatos devia ter feito. Já os sumos sacerdotes, escribas, anciãos zombam, escarnecem e insultam o Filho de Deus.
11. Maria, mãe de Jesus, está ao pé da cruz. As mães padecem com seus filhos e não arredam os pés de onde eles se encontram. Maria sofre, mas não se desequilibra. Sua fé a deixa de pé. Antes de ser senhora nossa, ela é senhora de si mesma, mãe fiel, companheira e consoladora de seu Filho. Que as mães permaneçam de pé e sejam solidárias com seus filhos sofredores.
12. José de Arimatéia desce Jesus da Cruz. Era rico, honrado, bom, justo, membro do sinédrio. Oferece a Jesus o seu túmulo. Eis o rico solidário.

DOM ORLANDO BRANDES
Arcebispo de Londrina

5º SEMINÁRIO NACIONAL DE CATEQUESE JUNTO A PESSOA COM DEFICIÊNCIA

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Dom Vilson
Dom Vilson 2
Tuca 1
Tuca 2
Tuca 3
Carmem Ventura 1
Carmem Ventura 2
Padre Geraldo 1
Padre Geraldo 2
Padre Geraldo 3
Xico Esvael
Thaís Rufatto






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