quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

V SEMINÁRIO NACIONAL DE CATEQUESE JUNTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Igreja e a Pessoa com Deficiência”.

É grande, em nosso país, a quantidade de pessoas com deficiências. Elas têm o mesmo direito à catequese, à vida comunitária e sacramental. Particularmente a partir do século XX em seus documentos catequéticos, a Igreja vê a necessidade de lhes dar a devida atenção e fazer esforços para superar todo tipo de discriminação.
Esta catequese supõe uma preparação específica dos catequistas, pois cada necessidade diferente exige uma pedagogia adequada. O Diretório Nacional de Catequese nos alerta para o reconhecimento da quantidade de pessoas com deficiências em nosso país. E afirma que a Pessoa com Deficiência têm o mesmo direito à catequese, à vida comunitária, ao trabalho, à educação e participação ativa na sociedade. Em nossas Comunidades muitas pessoas se sentem chamadas para o trabalho junto às pessoas com deficiência; há inclusive catequistas e agentes de pastoral com algum tipo de deficiência.
          A Campanha da Fraternidade-2006 com o Tema: Fraternidade e Pessoas com Deficiência e lema: “Levanta-te, Vem para o Meio!”, despertou e trouxe vários desdobramentos para a situação e inclusão das pessoas com deficiência na Igreja e sociedade. As ações sócio-educativas-evangelizadoras suscitadas pela CF e pelos seminários anteriores precisam continuar, por isso a realização do V Seminário de Catequese junto à Pessoa com Deficiência, com o tema: “Igreja e a Pessoa com Deficiência” e lema: “Levanta-te e Anda”(At 3,6), a ser realizado nos dias 25 a 27 de março de 2011 no Centro de Pastoral Sta Fé, na cidade de São Paulo.
          Para isso CONVOCAMOS À IGREJA DO BRASIL através dos seus regionais e dioceses à participar e promover atividades em vista desse Seminário que traz a marca de uma catequese diferenciada e promotora da dignidade humana.
           Com as bênçãos da ternura e bondade da Trindade Santa nos colocamos à caminho do V Seminário de Catequese Junto à Pessoa com Deficiência, contando sempre com a presença materna e cuidadosa de nossa Mãe Maria, que nos quer discípulos missionários.

Fraternalmente,

Dom Eugênio Rixen
Presidente da Comissão para Animação Bíblico-Catequética.

Pe. Jânison: Doutor em Sagrada Teologia

Pe. Jânison de Sá Santos, que foi assessor da Comissão para animação Bíblico-Catequética no quadriênio de 2001 a 2007, defendeu sua tese doutoral no dia 14 de janeiro na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma. A tese intitulada: “A formação para a maturidade na fé: contributo do movimento catequético brasileiro de 1997 a 2007” é, com certeza, mais um documento de inestimável valor para nossa pastoral.  Ao ser proclamado Doutor em Sagrada Teologia, com ênfase em Catequese e Pastoral Juvenil, a Igreja no Brasil, especialmente, a CATEQUESE e a JUVENTUDE, se alegram por poder contar com o seu contributo tanto no meio acadêmico como na pastoral. Desde já sinta-se acolhido entre nós. É admirável a fecundidade do Espírito, que suscita vocações e ministérios para dar continuidade a missão de Jesus Cristo, no caminho desafiador e fascinante do discipulado.
Congratulamo-nos pelo seu empenho e dedicação e suplicamos todas as bênçãos da Trindade, a proteção da Mãe Aparecida na sua missão de presbítero apaixonado pela CATEQUESE.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA DO REGIONAL SUL II INICIOU ATIVIDADES DA ESCOLA CATEQUÉTICA EMAÚS

A Animação bíblico-catequética do Regional Sul II, Paraná, retomou as atividades da Escola Catequética Emaús no dia 13 de janeiro de 2011. Esta iniciativa esteve em operação por pelo menos 15 anos, cessando suas atividades nos últimos três para avaliação e reformulação do projeto. Participam desta iniciativa, aproximadamente, seis representantes de cada Diocese do Regional. Confira parte do projeto:

I - JUSTIFICATIVA
A Escola Regional Bíblico-Catequética Emaús do Regional Sul II por muito tempo atuou na preparação de catequistas para o exercício do ministério da coordenação nas dioceses, e na formação permanente de catequistas do Paraná.
Cumprida sua função inicial, retoma suas atividades com novas características e novo projeto diante da necessidade mais urgente de catequistas para a Catequese de Iniciação Cristã e de propostas para a metodologia catecumenal, as quais exigem uma formação específica e mais exigente quanto ao conteúdo, ao método e à forma de organização para aqueles que vão atuar como formadores nas escolas catequéticas.
Assim, a partir do Projeto de Formação de Catequistas do Regional Sul II, propõe-se a realização da Escola Regional Bíblico-Catequética Emaús, como uma escola formadora de discípulos missionários de Jesus Cristo para uma Igreja trinitária, libertadora e ministerial, de participação e de comunhão.
II - OBJETIVO GERAL
Proporcionar formação aos catequistas e agentes de pastoral para atuar como formadores nas dioceses, atendendo às exigências do Projeto de Formação de Catequistas do Regional Sul II, tendo em vista a Catequese de Inspiração Catecumenal.
III - OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Preparar catequistas-formadores missionários de Jesus Cristo, para que testemunhem com suas vidas a adesão ao projeto do Reino.
2. Oportunizar aos catequistas-formadores condições para comunicar eficazmente a Mensagem de Jesus Cristo, sua Pessoa, pedagogia, método e metas, contribuindo na formação de novos formadores.
3. Habilitar catequistas-formadores para planejar, executar e avaliar projetos de Iniciação Cristã em suas dioceses, segundo as diretrizes propostas pelo Regional Sul II. Catequese.
IV - PERÍODO DE REALIZAÇÃO E PERIODICIDADE
A Escola Regional Bíblico-Catequética Emaús irá desenvolver atividades presenciais em três módulos, com início às 14h da quinta-feira e término às 12h do domingo. Os módulos serão oferecidos nas seguintes datas:
Módulo I: 13 a 16 de janeiro de 2011
Módulo II: 14 a 17 de julho de 2011
Módulo III: 12 a 15 de janeiro de 2012
V - EIXOS DE FORMAÇÃO
  1. Bíblico-catequético
  2. Metodológico-catequético
  3. Litúrgico-catequético
O conteúdo da formação irá contemplar os eixos e as disciplinas definidos para as escolas diocesanas e paroquiais nas quais irão atuar os catequistas-formadores que concluírem a Escola Regional Bíblico-Catequética Emaús. Em cada eixo, em todas as disciplinas, a transversalidade da Catequese de Iniciação Cristã de Inspiração Catecumenal será contemplada, de modo a atender os objetivos estabelecidos para Escola Regional Bíblico-Catequética Emaús, conforme as diretrizes do Regional Sul II.


Fonte: CNBB – Regional Sul II

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ANO NOVO NO TERCEIRO MILÊNIO

D.Walmor Oliveira de Azevedo
O ano de 2011, terceiro milênio, situa a sociedade, de novo, diante da contagem do tempo. Mais um ano vai começar. A queima de fogos, os brindes, shows, danças e folguedos familiares nos clubes, nas ruas e em todo lugar não permitem a ninguém safar-se da inexorabilidade do tempo que passa. A chegada do novo ano, portanto, não pode ser saudada simplesmente como o começo de uma nova contagem do tempo.
Vale, pois, dar consideração não só festiva ao tempo do ano de 2011, que vai começar daqui a pouco, mas também elaborar uma consciência mais refinada de que se está no terceiro milênio, e que dele já se passou uma década. Discernimento que remete os cidadãos todos a se confrontarem com seus valores, e a aceitarem o desafio de uma avaliação a respeito de tudo que estamos vivendo na segunda década do século XXI, no terceiro milênio. Um milênio que teve sua virada marcada não por simples mudanças, como é inevitável no tempo que passa, mas também por grandes transformações afetando a vida de todos, levando ao já conhecido refrão de que esta não é só uma época de mudanças. Trata-se do desafio da mudança de época. Na verdade, estão desafiadas a humanidade e suas sociedades num discernimento particular dos sinais dos tempos.
Essas transformações, diferentemente das ocorridas em outras épocas, são mudanças que têm alcance global. A contagem regressiva que marcará um grito de entusiasmo e euforia de milhares de pessoas por todo canto, contracenando com o silêncio orante e contemplativo de outros nas capelas, mosteiros e igrejas, remete todos à realidade do tempo que já se viveu e ainda do que há para se viver.
O tempo é um desafio enorme emoldurando o dom da vida, as responsabilidades confiadas à sociedade, os serviços prestados e o modo de viver de grupos, de culturas. E também de cada indivíduo, na sua condição de sujeito de processos, responsável por escolhas e desafiado por atitudes que pautam a vivência de sua cidadania em todas as circunstâncias. O tempo não é, portanto, um dia após o outro, revelando a impotência humana para detê-lo ou controlá-lo com a soberba contemporânea, no que pese os avanços científicos e tecnológicos que têm dado uma configuração fantástica, revolucionária e surpreendente, em dinâmica e interação aos cenários atuais.
A realidade fugaz do tempo é uma complexidade que não se explica e não se entende por um conceito apenas. Só a simplicidade que desveste o coração humano de toda pretensão, cria a possibilidade de não ter o tempo como um aguilhão que adverte ou como mecanismo que revela a verdade de cada um. Só a singeleza comprova os enganos das escolhas ou desmascara as farsas que enganam até as mais aguçadas inteligências, rompendo o cerco de estratégias miméticas nas suas metas.
A peculiaridade do tempo é tratada sob diversas concepções e investigações, têm ponto de vista metafísico, ontológico, histórico, epistemológico, psicológico, biológico ou físico, e também sob o olhar do senso comum. O problema do tempo, portanto, pode e deve ser abordado e entendido sob vários aspectos.
Não é fácil, talvez seja impossível, agrupar sistematicamente as concepções e investigações sobre o tempo e alcançar um conceito unificado que valha para as intuições do senso comum e ajude a sustentar o desafio de enfrentar o tempo. Vale, às vésperas do ano de 2011, na segunda década do século XXI, no terceiro milênio, ter presente que o tempo é nossa dimensão existencial fundamental. Reconhecer, com nova consciência, que é preciso banhá-lo com valores, conceitos e perspectivas que permitam a contemporaneidade do tempo atual e não dos velhos tempos que não voltam mais. Os valores do Evangelho de Jesus Cristo, riqueza ética, moral, inesgotável e insubstituível, garantem a referência para fecundar o tempo no qual se tem a graça de estar vivendo.
É anacrônico ver pessoas emitindo juízos, pautando suas vidas, conversando e percebendo as coisas do mesmo lugar de um tempo que passou. O prejuízo é grande, compromete a cultura com retrocessos, numa política enfadonha e nefasta. Aprisiona instituições em atendimentos de necessidades mesquinhas, alimentando alienações perversas.
Os votos são para que a partir desta reflexão tenhamos consciência apurada de que tudo e todos sejam deste tempo em 2011, do terceiro milênio.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte


O USO DO PROJETOR DE MULTIMIDIA NA LITURGIA

Transcrição de parte do documento originado na 48ª Assembléia Geral da CNBB, realizada de 4 a 13 de maio de 2010, que trata de assuntos de liturgia.
Dentre os assuntos abordados no documento, está o "Uso de Multimídias na Liturgia", citado abaixo em sua totalidade.

Elementos para reflexão:

1.    O uso do projetor multimídia na liturgia é hoje uma realidade frequente em nossas comunidades. Por se tratar de uma realidade relativamente recente e ainda pouco refletida em nosso meio, causando discussões e até mesmo divergências de opinião, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB quer oferecer, com a presente nota, alguns elementos para uma reflexão e futuros aprofundamentos da parte do episcopado nacional, dos liturgistas, dos párocos e todos os agentes de pastoral litúrgica em nosso país e, sobretudo, daqueles que utilizam o projetor multimídia como recurso para a liturgia.
2.    A partir do Concílio Vaticano II e da reforma litúrgica dele derivada, como compreender esta realidade? Seria esta uma simples adaptação à cultura moderna? Apenas uma moda, como foi com o retroprojetor, que depois caiu em desuso? Uma criatividade litúrgica? Quais os motivos da introdução deste meio na liturgia? Seria o projetor multimídia algo a ser realmente necessário na liturgia?
Vendo a realidade do uso do projetor multimídia na liturgia
3.    Em diferentes comunidades, o projetor multimídia vem sendo utilizado como recurso audiovisual para, por exemplo:
•    projetar cantos num telão ou numa parede da igreja, inclusive fazendo correção de textos durante a ação ritual;
•    projetar as orações presidenciais, inclusive a oração eucarística, enquanto o presidente as proclama;
•    projetar as leituras bíblicas enquanto são proclamadas;
•    projetar a homilia ou parte dela, de forma esquemática, enquanto é proferida, chegando até mesmo a ser acompanhada por trilha sonora;
•    projetar, durante a homilia e a oração eucarística, imagens ou vídeo de Jesus retratando ações correspondentes a estes momentos rituais como, por exemplo, cenas da última ceia projetadas durante a narrativa da instituição, no momento em que Jesus parte o pão;
•    projetar ícones em diferentes momentos da celebração, bem como mensagens após a comunhão;
•    e também projetar os textos da liturgia das horas.
Estes exemplos - como outros que poderiam ser citados -, nos servirão de referência para refletirmos sobre a complexa realidade do uso do projetor multimídia na liturgia.
Justificativas comumente dadas para o uso
4.    São várias as justificativas apresentadas por aqueles que se utilizam deste meio. Dentre elas, elencamos algumas:
•    Por questões econômicas e ecológicas (menos custos e gastos de papel), a utilização do projetor multimídia leva a eliminar o uso dos “folhetos litúrgicos” e livros de cantos.
•    É mais prático, tendo os textos em um só lugar e projetá-los, do que multiplicar e distribuir papéis, como aqueles usados para os cantos.
•    O uso do projetor multimídia ajuda e facilita a participação da assembleia na liturgia, porque ela (a assembleia) se vê livre e despreocupada de manter folhas e objetos nas mãos.
Elementos para reflexão sobre essa realidade
5.    É compreensível a iniciativa do uso do projetor multimídia com as suas justificativas, pois revelam zelo e preocupação pastoral em relação à liturgia. No entanto, do ponto de vista teológico-litúrgico, tudo isso demanda revisão, reflexão e aprofundamento, tendo em vista, sempre, a participação plena da assembleia.
6.    Na reflexão sobre esta realidade, um primeiro elemento a ser considerado é a noção de participação ativa na liturgia. O que é mesmo participar de uma ação litúrgica? É participar da salvação (cf. Sacrosanctum Concilium, SC, 2) que sempre de novo nos é dada através dos ritos e sinais sensíveis da liturgia da Igreja (cf. SC 5-7), pelos quais somos incorporados à morte e ressurreição de Cristo em seu mistério pascal (cf. SC 5-7).
7.    Os ritos têm o seu espaço próprio, cujo centro são as duas mesas: a da Palavra e da Eucaristia. A mesa da Eucaristia deve ocupar “um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda a assembleia dos fiéis” (Instrução Geral ao Missal Romano, IGMR, n. 299). Isso significa que nada deve nos distrair deste centro. Caso contrário, a participação ativa ficará comprometida.
8.    A ação salvadora de Deus se dá, sobretudo, quando, em torno à mesa eucarística, é proclamada a grande ação de graças da Igreja ao Pai, por Cristo e no Espírito Santo. De fato, a oração eucarística é o “centro e ápice de toda a celebração” (IGMR n. 78), quando a mente e o coração de todos devem se voltar para o alto, isto é, para Deus. Portanto, no momento da sua proclamação, é importante que o foco das atenções esteja no altar para acompanharmos e participarmos deste momento ritual. Por isso, não convém que a assembleia acompanhe o texto da oração eucarística, seja ele impresso ou projetado, mas, com os olhos voltados para o altar, ouça a voz do presidente que proclama a solene ação de graças. Neste momento, não pode a assembleia centrar-se em imagens ou filmes projetados no telão. As aclamações da assembléia poderiam ser proferidas ou cantadas pelo diácono ou outro ministro e repetidas pelo povo.
9.    O que foi dito sobre mesa eucarística, pode-se também dizer sobre a mesa da Palavra, como nos ensina a Igreja: “A dignidade da Palavra de Deus requer na Igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra” (IGMR n. 309). Consequentemente, a Palavra de Deus, quando proclamada e comentada pela homilia, exige de nós a atitude discipular de escuta. Na liturgia, ela está para ser proclamada e ouvida. Assim sendo, estaria muito mais de acordo com a natureza da liturgia a assembleia voltar-se para o ambão, com olhos e ouvidos atentos ao ministro que proclama a Palavra “em voz alta e distinta” (cf. IGMR 38), em vez de acompanhá-la com os olhos fixos num texto impresso ou em projeções no telão.
10.     A participação ativa na liturgia exige uma interação entre quem proclama a Palavra e a assembleia que a escuta, entre a presidência e assembleia, entre esses e o próprio Deus, entre Deus e o seu povo, por força das ações rituais. Ao mesmo tempo, exige o uso cuidadoso dos livros litúrgicos, porque eles “lembram aos fiéis a presença de Deus que fala a seu povo... e são sinais e símbolos das realidades do alto na ação litúrgica” (Introdução ao Lecionário da Missa, ILM, 35), não devendo por isso ser “substituídos por outros subsídios de ordem pastoral” (ILM 37).
11.     O Concílio Vaticano II resgatou a ampla compreensão de presença real de Jesus Cristo na liturgia (no ministro, na Palavra, na assembleia orante, nos sacramentos, sobretudo nas espécies eucarísticas), proclamando que Cristo mesmo age nas ações litúrgicas (cf. SC 7). A Igreja nos convoca, pois, a valorizar estas diversas presenças. Imagens projetadas durante a celebração desviam a nossa atenção da ação de Jesus Cristo, aqui e agora, na própria ação ritual. Além disso, sendo o filme, ou vídeo, um acontecimento em si mesmo, não se destina a ilustrar outro acontecimento que é o mistério de Cristo e da Igreja na própria ação ritual em ato.
12.     O ministro, tanto no momento de proclamar a Palavra como na ação ritual de presidir a Eucaristia, age in persona Christi. O Cristo assume a voz, o olhar, o rosto, os braços, o corpo todo do ministro para, por ele, se comunicar com o povo cristão reunido em assembleia e, na unidade do Espírito Santo, glorificar ao Pai. Então, como fica quando a assembléia se vê obrigada a ter que desviar sua atenção para o telão, exatamente quando teria de contemplar a ação do Cristo vivo na pessoa do ministro? E como fica aí a “participação ativa”, no verdadeiro sentido teológico-litúrgico, pedida com insistência pelo Vaticano II?
13.     O uso do projetor multimídia na liturgia, como estamos vendo, além de interferir na ação ritual, entra em competição com a liturgia, gerando distração.
14.     O uso didático do projetor multimídia, utilizando aparelhos (computador, fiação, projetor, mesa, telão), sem dúvida interfere na composição e na estética do próprio espaço celebrativo enquanto “sinal e símbolo das coisas divinas” (cf. IGMR 288). Dependendo da localização, não seria o projetor multimídia um elemento estranho ao espaço celebrativo, dificultando a execução das ações sagradas e a ativa participação dos fiéis? Na verdade, com o uso desses aparatos corre-se inclusive o risco de tornar o espaço celebrativo em quase “sala de aula”, de “conferência”, ou uma extensão da minha “sala de TV”.
15.     Além do mais, com o uso de projetor multimídia na liturgia, não se corre o risco da acomodação, no sentido de não se precisar mais investir na formação litúrgica e nem mesmo buscar uma melhor qualidade do espaço celebrativo e, sobretudo, dos ministérios?
16.     O problema maior, talvez, está na falta de iniciação litúrgico-ritual. Qual o lugar que a liturgia ocupa na catequese? O que normalmente se ensina aos agentes de pastoral e comunidades? Quem o faz e que metodologia utiliza? Como estão sendo formados os futuros presbíteros e diáconos? A formação litúrgica muitas vezes fica reduzida a teoria, sem a devida formação para a ritualidade conjugada com a espiritualidade. Resultado: Recorre-se a folhetos, ao uso do projetor multimídia etc., desfocando assim a atenção da assembleia daquilo que é central na celebração. Liturgia é eminentemente ação, celebração: ação de Cristo e da Igreja, ação da assembleia em Cristo e no Espírito. Assim sendo, não tem como ser ela acompanhada por outra ação paralela assistida no telão. Não somos expectadores mas participantes.
17.      Enfim, podem as novas tecnologias colaborar em favor de uma liturgia participativa, pascal, simbólica e orante? É possível? Com certeza, e muito! Onde? Na catequese como preparação para o bem celebrar, nos cursos em preparação ao batismo e ao matrimônio, bem como nos cursos de formação litúrgica em geral. Aí, nestes espaços, o projetor multimídia presta, sem dúvida, um notável serviço à sagrada liturgia.
18.      Que o Espírito Santo nos ilumine, para que, a partir de uma séria reflexão sobre o uso do projetor multimídia em nossas liturgias, possamos qualificar sempre mais nossas celebrações e todos os seus ministérios. Tudo para que nossas assembléias litúrgicas, corpo eclesial de Cristo, possam sentir-se plenamente sujeito das ações rituais e, ao mesmo tempo, todas as pessoas que as compõem sintam-se envolvidas pelo mistério da salvação e glorifiquem ao Pai por uma vida santa.

FONTE: CNBB - Comissão Episcopal - Liturgia
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