quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MENSAGEM FINAL DO ENCONTRO SUL AMERICANO DAS COMISSÕES EPISCOPAIS DE CATEQUESE

Brasília,DF, 01 de novembro de 2010.


Caríssimos/as Bispos, Coordenadores e Catequistas

Convocados pelo Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, Seção Catequese, cujo presidente é dom Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis (MT), a Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética representadas pelo seu Presidente dom Eugênio Rixen, a Assessora, Ir. Zélia Maria Batista, CF e o catequeta Pe Luis Alves Lima, SDB, participou nos dias 17 a 21 de outubro na sede da Conferência Episcopal da Colômbia na cidade de Bogotá, do Encontro Sul Americano das Comissões Episcopais de Catequese. As conclusões e propostas desse importante evento para a Igreja da América Latina estão explicitadas na mensagem final que compartilhamos com todos.


Fraternalmente,


Dom Eugênio Rixen.


MENSAGEM ÀS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS, ÀS COMISSÕES NACIONAIS DA AMÉRICA DO SUL E A SECÇÃO DE CATEQUESE DO CELAM


01. Convocados em Bogotá pela Secção de Catequese do Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, nós – bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos – responsáveis pela animação nacional da catequese dos países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai), e no contexto da celebração do bicentenário da Independência de nossos países da América Latina e Caribe, iluminados pelo acontecimento de Aparecida e comprometidos no movimento da Missão Continental, após uns dias de estudo e reflexão, queremos partilhar com todos as nossas preocupações e esperanças em torno da Iniciação à Vida Cristã e da formação iniciática de catequistas discípulos missionários.

VER
No caminho falavam sobre o que havia acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o mesmo Jesus se aproximou
e continuou caminhando com eles (Lc 24, 14-15)

02. Constatamos, nos relatórios apresentados por todos os responsáveis das Comissões Nacionais de Catequese, um avanço, graças à ação do Espírito Santo, à entrega generosa de catequistas e ao crescente interesse em dinamizar a ação evangelizadora, de acordo com as orientações do Documento Conclusivo da Conferência Geral de Aparecida. Isso está refletido na importância dada:

a) em garantir o encontro pessoal com Jesus Cristo e o chamado à conversão;
b) ao anúncio do Querigma;
c) à tomada de consciência sobre a centralidade da Palavra de Deus na vida e missão da Igreja;
d) à opção por uma iniciação à vida cristã com prioridade pelos adultos;
e) à implementação de processos de inspiração catecumenal;
f) à catequese permanente dirigida às famílias e às pequenas comunidades cristãs;
g) à elaboração de orientações, manuais, itinerários e abundantes subsídios para a formação de catequistas e para o desenvolvimento do catecumenato com adultos, jovens e crianças.

03. Também subsistem dificuldades:

a) a catequese continua preocupando-se com a transmissão de conteúdos e não com a experiência de vida cristã pela qual se forma discípulos entusiasmados;
b) pressupõe-se a existência de um povo convertido porque há expressões de piedade popular, porém não se dão passos para iniciar à plena vida cristã;
c) em alguns setores do clero não se valoriza suficientemente a prioridade pelos adultos e se enfatiza uma catequese doutrinal e não a iniciação à vida cristã;
d) ainda não se chegou a uma adequada articulação entre Bíblia, catequese e liturgia;
e) cresce a indiferença religiosa na sociedade atual, especialmente entre os jovens;
f) embora persista a boa vontade dos catequistas, eles carecem de uma formação sólida e um adequado acompanhamento;
g) alguns planos de formação propostos para catequistas não tomam em consideração os critérios apresentados para a catequese pelo magistério eclesial atual.

ILUMINAR – JULGAR

Então, começando por Moisés
e continuando por todos os profetas,
Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura
que falavam a respeito dele (Lc 24, 27)

04. Jesus está no centro da Vida (Jo 1, 14). Encontrar-se com Ele é motivo de festa e compromisso. Estamos convencidos de que Ele continua chamando a todos e todas nas várias circunstâncias da vida. À esse chamado corresponde, no discípulo, uma escuta com todo o ser: “bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc, 11, 28). Escutar constitui a primeira forma de adorar, contemplar e aderir ao Projeto de Deus, como o fez Maria (cf Lc 1, 26-38; 2, 51b).

05. Ao voltar o olhar para Jesus histórico, descobrimos que chamou seus discípulos para estarem com Ele, partilhar sua vida e segui-Lo em seu caminho. Ao anunciar a proximidade do Reino de Deus, Jesus utilizou uma pedagogia encarnada na realidade de seu povo e mostrou ser um comunicador eficaz: anuncia, questiona, promete, transmite aquilo que vive. Suas palavras e obras estavam intimamente relacionadas. Amou até o fim, entregando-se a Deus e aos irmãos, principalmente aos mais pobres e excluídos.

06. A Iniciação à Vida Cristã supõe colocar-se em caminho com Jesus, relacionar-se pessoalmente com Ele, compreender progressivamente seu Mistério, viver em comunidade e preparar-se para a missão. Ser discípulo missionário implica proximidade e experiência vital. Assim Jesus declara: “vinde e vede” (Jo 1, 39), “ide e anunciai” (Mc 16, 15).

07. A perícope de Emaús é paradigmática, pois descreve como Jesus educou gradualmente seus discípulos na descoberta do Mistério de sua pessoa, paixão, morte e ressurreição. Como discípulos missionários somos convidados a percorrer novamente o caminho de Emaús junto com nosso povo, escutando seus clamores, iluminando sua realidade com a Palavra e partilhando o Pão que dá Vida.

08. Para nos aproximarmos mais da prática de Jesus Evangelizador e Formador de discípulos, a Igreja propõe hoje o retorno ao catecumenato inicial da Igreja primitiva, com adaptações para o mundo atual. O processo iniciático, sugerido pelo Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), é profundamente valioso e inspirador para desenvolver itinerários de Iniciação à Vida Cristã e catequese.

09. A metodologia da Iniciação à Vida Cristã implica um processo longo e gradual que evidencia a íntima união entre Palavra de Deus, catequese e liturgia:

a) é animada pela leitura assídua da Palavra de Deus;
b) supõe tempos a serem cumpridos (pré-catecumenato, catecumenato, iluminação-purificação e mistagogia) e etapas a serem alcançadas (admissão ao catecumenato, eleição-preparação próxima para os sacramentos e celebração sacramental);
c) dá importância aos escrutínios que acentuam a presença de Deus e validam o crescimento pessoal;
d) utiliza ritos e símbolos que acentuam a dimensão orante e celebrativa;
e) potencia a presença e participação da comunidade, com todos seus ministérios, na animação dos iniciandos.

10. Hoje, após Aparecida, só se pode entender o complexo processo de inspiração catecumenal, a partir de uma Igreja profundamente missionária que tem como tarefa primordial a formação inicial e permanente de seus discípulos-missionários.

AGIR

Então um disse ao outro:
“Não estava o nosso coração ardendo
quando ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as escrituras?”
Na mesma hora, eles se levantaram
e voltaram para Jerusalém... (Lc 24, 32-33).

11. Para colocar em prática essas convicções propomos:

a) Superar uma visão de cristandade que pressupõe a fé. Isso exige de nós intenso anúncio querigmático de Jesus Cristo, que leve ao encontro pessoal com Ele e à conversão;
b) Assumir a Iniciação à Vida Cristã como a modalidade básica para educar na fé nos diversos países da Igreja na América Latina e Caribe, tendo como destinatários tanto os adultos e jovens não batizados como os batizados não suficientemente evangelizados.
c) Dar à Palavra de Deus o lugar central como fonte vital dos processos de catequese e de celebração da comunidade.
d) Cultivar uma sólida identidade cristã a partir do dinamismo da Missão Continental, mediante processos de educação na fé baseados nos critérios da Iniciação à Vida Cristã para que assim nossas comunidades sejam missionárias.
e) Garantir para nossos catequistas uma adequada formação de inspiração catecumenal, elaborando itinerários adequados que correspondam à realidade humana e de fé que estão vivendo, e garantindo, nesse processo, o acompanhamento pessoal e a animação da comunidade.
f) Partindo da Pedagogia de Jesus, apresentar o Evangelho como Boa Nova significativa para o mundo de hoje pela atenção às suas experiências e expectativas de vida, usando com competência as novas tecnologias da comunicação.
g) Exortar as Comissões Episcopais que ainda não elaboraram o próprio diretório ou orientações nacionais para a Catequese, que iniciem esse processo.
h) Pedir à Secção de Catequese do CELAM que faça a atualização do documento La catequesis en América Latina: orientaciones comunes a la luz del Directorio General para la Catequesis , agora à luz de Aparecida e sua posterior divulgação.

12. Com Maria, presente durante nossa reunião, agradecemos a Deus a experiência de encontro e formação que partilhamos. Animamos às Conferências Episcopais, às Comissões Nacionais de Catequese de nossos países e à Secção de Catequese do CELAM a continuar dando passos afim de acompanhar adequadamente esses processos e assim poder continuar oferecendo o presente mais valioso que já recebemos: Jesus Cristo, esperança e vida de nossos povos (cf Aparecida 29).


Bogotá, aos vinte e um dias de outubro de dois mil e dez.


Dom ADOLFO EDUARDO JOSÉ BITTSCHI MAYER, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Sucre. Responsável da Secção de Bíblia y Catequese da Área de Evangelização da Conferência Episcopal da Bolívia.
Dom EUGÊNE LAMBERT ADRIAN RIXEN, Bispo de Goiás. Presidente Comissão Bíblica y Catequese do Brasil.
Dom SEBELIO PERALTA ALVAREZ, Bispo de Villarica. Presidente da Comissão Episcopal de Catequese do Paraguay.
Dom DIEGO RAFAEL PADRÓN SANCHEZ, Arcebispo de Cumaná. Presidente da Comissão Episcopal de Catequese da Venezuela
Dom ORLANDO ROMERO CABRERA, Bispo Emérito de Canelones. Presidente Departamento de Catequese da Conferência Episcopal do Uruguai.
Pe. OSVALDO CESAR NAPOLI, Secretario Executivo da Comissão Episcopal de Catequese y Pastoral Bíblica da Argentina
Lic. PEDRO DURAN OSINAGA, colaborador Pastoral da Área de Evangelização: Secção Bíblia e Catequese da Bolívia.
Irmá ZÉLIA MARIA BATISTA, cf. Assessora Nacional de Catequese. Conferência Nacional de Bispos do Brasil.
Pe. JOSE CARRARO B., sdb. Diretor da Comissão Nacional de Catequese do Chile
Pe. FRANCISCO EMILIO MEJIA MONTOYA, Diretor do Departamento de Catequese-Bíblia da Conferência Episcopal da Colômbia.
Sra. GLADYS CARMITA CORONADO NUÑEZ, Responsável – Coordenadora Nacional de Catequese do Equador.
Sr. Diácono IGNÁCIO MEDINA, Membro Assessor da Coordenação Nacional de Catequese da Conferência Episcopal do Paraguai.
Ir.. ELEANA SALAS CACERES, fma. Secretaria Executiva Comissão Episcopal de Animação Bíblica, Catequese y Pastoral Indígena do Peru.
Pe. ANDRÉ DOMINIEK BOONE VERVUST, sdb. Membro da Equipe Nacional de Catequese do Uruguai
Ir.. MARIA IRENE NESI, fma. Diretora doDepartamento de Catequese - SPEV. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Pe. JOSE LUIS QUIJANO, Reitor do Instituto Superior de Catequese da Argentina.
Pe. LUIZ ALVES DE LIMA, sdb. Observador e palestrista convidado.
Ir. ENRIQUE GARCIA AHUMADA, f.s.c. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Ir. BALBINO JUÁREZ, f.m.s. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Frei CARLOS RAIMUNDO ROCKENBACH, ofmcap. Secretário Executivo do Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM.

Tradução do Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

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