terça-feira, 30 de novembro de 2010

ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL

Em preparação ao PRIMEIRO CONGRESSO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL, que acontecerá em Goiânia, GO, nos dias 8 a 12 de outubro de 2011. Irmão Israel Nery fsc, Presidente de SCALA (Sociedade de Catequetas Latino-americanos) e membro do GRECAT (Grupo de Reflexão Catequética da CNBB), concede esta entrevista à Maria Cecília Rover, Assessora Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico Catequética.

Maria Cecília: O Documento de Aparecida fala em “Animação Bíblica da Pastoral”(ABP). Há alguma diferença com relação à Pastoral Bíblica?

Irmão Nery: Há, sim. Vamos por partes. A “Pastoral Bíblica” predominou do Concílio Vaticano II (1962-1965) para cá, fez e faz um enorme bem aos fiéis e à Igreja. Sua função principal é cumprir o que pede o Concílio através da Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus, a Dei Verbum: que todos os fiéis tenham acesso as Sagradas Escrituras. E, nesse ponto, o Brasil foi privilegiado com 17 traduções da Bíblia, várias instituições para ajudar os católicos a terem uma boa introdução à Bíblia. Entre elas se destaca o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI). Mas há numerosas outras iniciativas de oração e vivência da Palavra de Deus, como os Círculos Bíblicos e a Leitura Orante da Palavra.

Maria Cecília: E a Animação Bíblica da Pastoral? Em que consiste?

Irmão Nery: Os Bispos em Aparecida solicitam um passo a mais em relação à Pastoral Bíblica. Não basta que todos os fiéis tenham acesso às Escrituras e tenham uma boa iniciação à Bíblia. É preciso que tudo na Igreja parta da Palavra de Deus, nela se inspire e se fundamente e dela se alimente, desde a vida pessoal de cada fiel até a Igreja como um todo. Que a Palavra de Deus perpasse, portanto, todas as pastorais, congregações religiosas, movimentos, seminários, lideranças da Igreja (bispos, presbíteros, ministros, coordenadores...). Que a Palavra de Deus passe a ser a alma que dinamize profunda e abrangentemente a Igreja.

Maria Cecília: Você poderia destacar os números onde, no Documento de Aparecida, fala em Animação Bíblica da Pastoral, neste sentido a que o senhor se refere?

Irmão Nery: Primeiramente há, no nº. 99, um reconhecimento que esta Animação Bíblica da Pastoral já existe em algumas Igrejas na América Latina e no Caribe: “Devido à Animação Bíblica da Pastoral, aumenta o conhecimento da Palavra de Deus e do amor por ela”. Depois, os bispos dão, no nº. 248 do Documento, preciosas orientações. “Os discípulos de Jesus desejam (...) que os textos bíblicos (...) sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos. Por isso, a importância de uma “pastoral bíblica” entendida como animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada e proclamação da Palavra. Isso exige, da parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra, uma aproximação à Sagrada Escritura que não seja só intelectual, mas com coração “faminto de ouvir a Palavra de Deus” (Am 8, 11).

Maria Cecília: Que riqueza de orientações e que impulso, não é mesmo?

Irmão Nery: Sem dúvida. E gostaria de destacar alguns elementos nesse texto de Aparecida: 1) A Palavra de Deus como “alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus”; 2) “Pastoral Bíblica” entendida como “Animação Bíblica da Pastoral” (ABP); 3) três ingredientes simultâneos e complementares para a animação: a) conhecimento e interpretação da Palavra de Deus; b) A Palavra de Deus como melhor caminho de comunhão com o Senhor; c) A palavra de Deus como base principal da evangelização inculturada; 4) a necessidade de converter as lideranças da Igreja (bispos, presbíteros, diáconos, ministros leigos..) para um novo modo de ler, interpretar e pregar a Palavra de

Deus, a fim de que esse processo de animação bíblica da pastoral se torne uma realidade.

Maria Cecília: A Animação Bíblica da Pastoral vai ajudar no processo de conversão dos próprios católicos?

Irmão Nery: Sem dúvida. Aparecida insiste na necessidade de um processo novo para formar discípulos missionários de Jesus Cristo, para evangelizar verdadeiramente a sociedade: é a Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal e a conversão da pastoral. Ora, dentro da pastoral orgânica e segundo a eclesiologia de comunhão e participação, a ABP tem por objetivo maior revigorar com a Palavra de Deus escrita, proclamada, meditada e vivida a cada fiel para ser um dinâmico discípulo missionário e, também, a toda instância pastoral de modo a fazer com que tudo na Igreja favoreça e aprofunde o “encontro pessoal com Jesus Cristo vivo”, caminho para “um autêntico processo de conversão, comunhão e solidariedade” (cf. João Paulo II, Ecclesia in America, 3, 8).

Maria Cecília: Mas já há Animação Bíblica da Pastoral no Brasil?

Irmão Nery: Sim. Alguns passos já foram dados e outros estão sendo propostos. Há publicações que ajudam a esclarecer a diferença e complementação entre Pastoral Bíblica e Animação Bíblica da Pastoral. Há seminários e encontros com esta finalidade. Há, inclusive, dioceses e regiões pastorais que formaram a Comissão de Animação Bíblica da Pastoral. O Primeiro Congresso Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral, com uns 500 participantes, vindos dos 17 regionais de CNBB, em outubro de 2011 será um momento de síntese avaliativa da caminhada e de um especial impulso à ABP. E, sem dúvida, toda a mobilização sobre a ABP será uma preciosa contribuição para a renovação da Igreja sob o impulso de Aparecida e da Missão Continental.

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