sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É PRECISO NÃO SÓ LER, COMO TAMBÉM COLOCAR EM PRÁTICA...

Angela Rocha
Logo que iniciei minha caminhada na catequese (sem formação alguma nesse sentido), busquei nos documentos da Igreja orientação para tentar desenvolver a contento o meu papel. Desde que comecei essa “jornada literária” tenho lido muito a expressão Educação para a fé. Segundo o documento Catequese Renovada, a catequese deixa de ser orientada para os sacramentos para ser uma inserção ao mistério de Cristo e à vida na Igreja. A catequese que trabalhamos com nossas crianças é a iniciação à fé, a formação cristã se prolonga pela vida inteira. Precisamos olhá-los até quando adultos.

Isso parece novidade. Mas não é. A Catequese Renovada é um documento criado em 1983. Então porque ainda estamos trabalhando em nossos Centros Catequéticos exclusivamente para que as crianças cheguem ao dia da Primeira Eucaristia? Não importa a que preço. Não importa se elas vão continuar o processo de formação cristã pela vida afora. Não importa se elas vão continuar a fazer parte da comunidade eclesial. Importa que elas decorem direitinho o ato de contrição e todas as orações. Que saibam fazer a primeira confissão sem erro. Mesmo que seja essa a primeira e última confissão que elas façam cara a cara com o padre.

Perdoe-me quem acha o contrário, mas sim, nossa catequese é inteiramente voltada para o sacramento! Ela é uma doutrina imposta. Algo que se tem que cumprir para que se possa realizar o matrimônio (outro sacramento). A preparação para a Crisma também não fica longe desse caminho.

Que orientação é essa tão difícil de entender?  Porque alguns de nossos catequistas, nascidos até posteriormente ao documento Catequese Renovada, ainda estão doutrinando nossas crianças ao invés de educá-las na fé? Talvez não conheçam o documento. Afinal ele é antigo. Mas e o Catecismo da Igreja Católica de 1992, o Diretório Geral para a Catequese de 1997? E as várias exortações, sínodos, conferências? E mais recentemente o Diretório Nacional de Catequese de 2005, o Documento de Aparecida? Não dizem todos a mesma coisa? Mais recentemente, em 2009, o Estudo 97 da CNBB, exorta para que se retorne o processo catecumenal em nossa igreja. Coisa que o DNC e o Documento de Aparecida já pediam. E novamente vemos esse valioso subsídio não sendo valorizado nem pelos padres. Será que somos analfabetos funcionais?

Insistentemente a Igreja vem dizendo que temos que integrar as conquistas das ciências da educação à catequese, particularmente a pedagogia contemporânea e a psicologia, sempre à luz do Evangelho. A catequese deve se realizar num contexto comunitário, deve ser um processo contínuo de inserção na comunidade e a comunidade deve ser catequizadora. É preciso continuar a catequese com as famílias, para que estas sejam catequizadoras. Reclamamos que os pais não participam da catequese dos filhos, mas não nos interessamos em inserir a família na catequese. Para nós o filho deve iniciar a catequese, já pré-formado pelos pais. E se a família não tiver formação para construir esse pequeno cristão?

É preciso refletir estas questões e não esquecer que cabe a nós, catequistas discípulos missionários, fazer cumprir a missão de transformar a catequese num processo permanente de educação da fé.

Ângela Rocha - Catequista

* Analfabetismo funcional : Termo que se refere a pessoa que sabe ler e escrever mas é incapaz de interpretar o que lê. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem ordenar as idéias para que elas façam sentido.

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