sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CARTA AOS CATEQUISTAS - MÊS MISSIONÁRIO


CARÍSSIMOS/AS
CATEQUISTAS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

Dou graças a meu Deus todas as vezes que me lembro de vós. Sempre, em todas as minhas orações, rezo por vós com alegria, por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do evangelho, desde o primeiro dia até agora”. (Fl. 1,3-5).

Inspirada pela carta amorosa e transbordante de ternura que Paulo dirige ao povo de Filipos, pensei em cada um de vocês, catequistas, ao refletir essa leitura durante a Celebração Eucarística que nós, assessores, participamos todos os dias, aqui na CNBB.
Nesse mês missionário, somos convocados a REFLETIR a nossa vocação de discípulo missionário, conforme nos aponta o Documento de Aparecida.  Muito mais que refletir, somos convidados a nos RE-ENCANTAR, isto é, criar espaço para as moções do Espírito, entrar nesse movimento dinâmico e inovador, deixar-se CONDUZIR para que o encantamento inicial, a admiração, tome conta do nosso SER CATEQUISTA. Que tal voltar às fontes e fazer memória desse CHAMADO, desse ENCONTRO que marcou definitivamente a sua existência como catequista?

Tenho certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus.” Fl. 1, 6

Aquele que é razão desse encantamento, Jesus Cristo, que um dia nos chamou pelo nome lá onde nos encontrávamos, no cotidiano das nossas vidas, é fiel, continua presente de uma forma discreta e sutil, é o Deus da caminhada, da travessia, que pedagogicamente vai se revelando, é o Deus de Jesus Cristo.  Revela-se do seu jeito não do nosso, por isso é sempre surpreendente e inusitado.
Como catequista, quais os SINAIS de Deus, da sua ação amorosa, que lhe confirmam na MISSÃO?

É justo que eu pense assim a respeito de vós todos, pois a todos trago no coração,porque, tanto na minha prisão como na defesa e confirmação do evangelho, participais na graça que me foi dada”.F1. 7

A filiação divina nos faz participantes da mesma GRAÇA, somos filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos de Jesus Cristo, irmanados pelos laços do Espírito possibilitamos que a TRINDADE SANTA faça morada em nosso corpo, em nossa existência e na fragilidade das nossas limitações, expressamos a totalidade do amor de Deus.  Comungamos da mesma GRAÇA, que nos possibilita realizar a missão com leveza e gratuidade, descobrindo em cada desafio, que o Senhor nos capacita com seus dons. Na sua missão como Catequista, você se sente agraciado, amado e capacitado por Deus?

“Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós com a ternura de Cristo Jesus. E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor”. Fl. 1, 8-10.

A relação que Paulo estabelece com as comunidades é extremamente afetiva e terna, sente saudade, porque criou laços...Preocupa-se, porque sabe das dificuldades e das limitações humanas, por isso, exorta-os para que o amor cresça, supere as diferenças e seja determinante nas escolhas.
Aprendemos de Paulo, que a vocação é expressão do amor de Deus e que o seguimento a Jesus Cristo concretiza-se nas relações que somos capazes de estabelecer com os outros.  Será que a nossa catequese é capaz de possibilitar momentos de interação, de partilha, onde se acolhe e respeita o SER do/a catequizando/a na sua totalidade?  Qual a nossa postura como catequistas, diante de uma sociedade discriminatória e excludente?
Querido/as catequistas, agradecemos pelos catequistas discípulos missionários, DOM-GRAÇA, derramada sobre as nossas comunidades como expressão da fidelidade Daquele que vos chamou.

Pela Comissão, Ir. Zélia Maria Batista, CF.

A MISTICA DO DISCÍPULO-MISSIONÁRIO

1. VOCAÇÃO DE PAULO

São três elementos que caracterizam a vocação no Novo Testamento:

- Encontro
- Chamado
- Reação

Jesus caminha à beira do Mar da Galiléia e vê Simão e o irmão deste, André, e, em seguida, os filhos de Zebedeu, Tiago e João. (Mc 1,16-20). Há um encontro, um chamado e uma reação ao chamado. O encontro se dá no contexto corriqueiro do dia-a-dia, em meio aos árduos trabalhos da pesca. Ao responder ao chamado de Jesus, deixaram tudo e o seguiram. O ENCONTRO COM JESUS foi tão profundo que deixaram a família, a segurança por um futuro incerto. Onde e quando terminará este caminho? Não o sabem. Estão apenas no começo, mas já sentem no fundo da alma que não haverá mais volta.

Na vocação de Saulo há os mesmos três elementos: o encontro, o chamado e a reação ao chamado, embora em circunstâncias bem diferentes. Em Atos 9,1-22, encontramos a vocação de Paulo. Jesus entra na vida de Saulo e o derruba, faz com que caísse por terra. Jesus o agarrou, o cativou, dominou, conquistou (Fl. 3,12). Não foi uma idéia, uma visão atualizada da conjuntura, uma nova compreensão da história, um estudo bíblico, que o levaram a abandonar o velho caminho e mudar de rumo na direção oposta. "Alguém" entrou em sua vida e causou um verdadeiro terremoto na sua existência. É uma pessoa que o chamou. O Documento de Aparecida n° 12 diz o seguinte: "A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva".

A luz que envolveu Paulo naquele meio-dia diante dos muros de Damasco, impregnou de modo indelével o sinal da presença do Cristo glorioso. Doravante dará testemunho do Senhor "Como se visse o Invisível" (Hebreus 11,27). Jamais esquecerá a hora de Damasco como João nunca esqueceu a hora em que pela primeira vez encontrou o Mestre. (Jo 1,39)

Santo Agostinho descreve a profundidade desse ENCONTRO: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me, nada belo, ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz".

A chave para compreendermos com que força o chamado do Senhor transformou a vida de Saulo está em 1Cor 9,16 "Evangelizar não é título de glória para mim, é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não evangelizar".

Paulo fala de sua missão de apóstolo como uma experiência de conversão, entrega total ao Senhor. Nada no mundo poderá separá-lo do Senhor. (Rm 8,35). Quem bebeu desta fonte, mergulhou neste amor jamais será o mesmo. "Tudo que para mi era lucro, tive-o como perda, por amor de Cristo" (Fl. 3,7). Esta é a mística da VOCAÇÃO de Paulo e não existe outra MÍSTICA a não ser esta que é capaz de motivar e sustentar a vocação do discípulo, do missionário, da missionária. "Por Ele, perdi tudo" (Fl. 3,8). Esta é a verdadeira e única base de toda vocação: "Por Ele", esta é sua mística e motivação existencial. Não tem como deixar este caminho, deixar de anunciar o evangelho, como diz a canção: "Tenho que gritar, tenho que arriscar, ai de mim se não o faço. Como calar se tua voz arde em meu peito". Paulo não consegue mais viver sem fazer de sua vida um ardoroso anúncio do Evangelho, um testemunho de sua fé, esperança e caridade. É impossível deixar de bradar pelo mundo afora, nas praças e nas ruas, nos lares e nas igrejas, de dia e de noite, que "Jesus Cristo é o SENHOR, para a glória de Deus Pai .” (Fl. 2,11).

E, exatamente esta é a reação de Paulo ao chamado de Jesus, "imediatamente", sem mais delongas. "Mãos à obra", sem hesitação, receio, sem meias-palavras, sem tibieza ou moleza. A V Conferência em Aparecida "deseja despertar a Igreja na América Latina e no Caribe para um grande impulso missionário. Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de sentido, de verdade e de amor, de alegria e esperança”.

Somos testemunhos e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos "areópagos" da vida pública, das nações, nas situações estremas de existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja". (DAp 548)

2. PAULO - SEPARADO PARA O EVANGELHO DE DEUS

Paulo escreve aos Gálatas; "Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim seu Filho, para que eu o evangelizasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue", (Gl. 1,15-16) Paulo usa a mesma linguagem das vocações profética do AT. Com isso, mais uma vez, põe em evidência, que tornar-se apóstolo não é iniciativa particular, pessoal, mas desígnio, obra, graça de Deus. Deus toma a iniciativa. É Ele quem chama e envia. "Desde o seio materno o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe pronunciou o meu nome" (Is 49,1b).

A história da vocação de Jeremias (Jr 1,4-19) se repete na vida de Paulo, Deus conhece, consagra e constitui profeta. O verbo consagrar significa "Separar" do mundo, tirar das circunstâncias normais para uma pessoa e destinar para o ministério profético.

A reação de Jeremias é muito humana: "Eu não sei falar, porque sou ainda uma criança". O Senhor, porém, responde solenemente como o mandato "A quem eu te enviar, irás e o que te ordenar, falarás" Deus sabe do futuro de seu profeta, antevê as angústias e perseguições que sofrerá por causa deste mandato. É por isso que acrescenta: "Não temas diante deles, pois eu estou contigo para te salvar". Deus jamais abandona seu profeta.

A história de Paulo será semelhante a do profeta Jeremias. Sofrerá muito na missão para a qual Deus o separou e quase recebe do Senhor a promessa: "Certa noite, numa visão o Senhor, disse a Paulo: Não tenhas medo: continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo..." (At. 18, 9-10).

"Eu estou contigo!". O apóstolo não é separado do mundo para ficar só. Não se trata em primeiro lugar de uma renúncia a tudo que o mundo oferece. É sempre o amor maior que vence! Deus nunca promete tirar todos os obstáculos, resolver todos os problemas, aplainar todos os caminhos. Deus simplesmente fala "Eu estarei contigo" e essa promessa do Senhor atravessa toda a Bíblia Sagrada.

Sempre quando o Senhor escolhe alguém para uma missão especial, a pessoa chamada ouve a promessa. Mas em todas as circunstâncias, ele sempre contará com a proximidade do Senhor. Moisés reclama: "quem sou eu para ir ao Faraó? Deus simplesmente responde: Eu estarei contigo".

Paulo, "separado para o Evangelho de Deus", nos fornece um relato de sua vida de Servo de Cristo Jesus, chamado a ser apóstolo". São Servos de Cristo" muito mais pelos trabalhos, pelas prisões, por excessivos açoites (2Cor 11,23-28).

O cristão suporta tudo, sem perder o entusiasmo, sem esfriar a paixão, não pode ser por outra coisa, a não ser a promessa do Senhor "Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo.." (At. 18,9-10).

(Adaptação do Texto de Dom Erwin Krautler refletido na 46ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil).


3. VOCAÇÃO DO/DA CATEQUISTA:

Profeta (aquele/la que fala em nome de Deus), porta-voz, arauto do Evangelho, a iniciativa sempre parte de Deus, portanto, o chamado a ser catequista, não é algo pessoal, mas obra divina, graça. A missão do catequista está na raiz da palavra CATEQUESE, vem do grego e quer dizer (fazer eco), logo, catequista é aquele/la que se coloca a serviço da Palavra, torna-se instrumento para que a Palavra ecoe. O Senhor lhe chama para que através da sua comunicação, da sua voz, a Palavra seja proclamada, Jesus Cristo seja anunciado e testemunhado.

"Fazer Ecoar a Palavra ", se dá num processo permanente da educação da fé, portanto a catequese é concebida como educação da fé, e o catequista é o educador da fé, o mistagogo, aquele/la que conduz para dentro do Mistério, que possibilita a experiência do encontro com Jesus, respeitando a individualidade, a realidade em que a pessoa se encontra.

Não é transmissor de idéias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência fundante está no ENCONTRO PESSOAL com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência é comunicada pelo SER, SABER e SABER FAZER em comunidade (DNC 261). O ser e o saber do catequista, sustentam-se numa espiritualidade, da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o SENHOR está presente, é fiel.

3.1) IDENTIDADE O DISCÍPULO MISSIONÁRIO SEGUNDO Mc 3, 14-15

Para ajudar a compreender e viver essa nova proposta para a formação de catequista há importantes referências inspiradoras no chamado ou convite de Jesus para o discipulado missionário, conforme o relato de Marcos 3,14-15 “Subiu à montanha, foi chamando os que quis, e foram com ele. Nomeou doze para que convivessem com ele e para enviá-los a pregar com poder para expulsar demônios”. Destacam-se cinco dimensões que, bem compreendidas e assumidas, podem revolucionar o modo de formar catequista no Brasil:

1) ENCONTRO: ser cristão não é simplesmente aceitar uma doutrina e ser fiel a determinadas normas, mas é seguir uma pessoa que nos atrai a si e conquista o nosso coração: JESUS DE NAZARÉ. É responder ao chamado de Jesus e colocar-se a caminho, seguindo seus passos, movido pela força de seu Espírito. É entrar na dinâmica processual do discipulado. Importância de uma catequese querigmática, que suscita o ENCANTAMENTO e faz arder o coração.
O seguidor deve reproduzir a estrutura fundamental da vida de Jesus: encarnação, missão, cruz e ressurreição e, ao mesmo tempo, atualizá-la, inspirado e animado pelo Espírito de Jesus e de acordo com as exigências do contexto em que vive. O itinerário de Iniciação à Vida Cristã vai configurando e moldando a identidade cristã, conforme o mantra: “Até que Cristo se forme em vós, em mim, em ti, em nós” – Gl 4,19

2) CONVERSÃO: É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nele pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir após ele, mudando sua forma de pensar e viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No batismo e no sacramento da reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo.

3) DISCIPULADO: “nomeou doze para que convivessem com Ele”, é a relação entre Mestre e discípulo. Catequese é lugar privilegiado para levar o catequizando a colocar-se na escola do Mestre Jesus e assimilar seus ensinamentos, mais do que isso assumir uma postura de vida um MODO DE SER E VIVER. Dinâmica processual e transformadora que abarca todas as dimensões da realidade humana, com o objetivo de assimilar os ensinamentos de JESUS e tornar-se semelhante a ele, dando continuidade a sua missão.

4) COMUNHÃO: esse aspecto marca o desejo de partilhar com outras pessoas essa graça extraordinária da experiência de estar e viver com o Senhor e, também de experimentá-lo comunitariamente com outros discípulos missionários, na fraternidade, na alegria, na oração, no compromisso.

5) MISSÃO: os 12 escolhidos por Jesus poderiam se acomodar na felicidade de terem sido eleitos e de estarem usufruindo da convivência com o Mestre. A dimensão missionária é constitutiva do seguimento de Jesus. Cada discípulo atrai outros, para anunciar juntos a boa nova e depois fazer discípulos em todos os povos.

3.2) UM NOVO PERFIL DE CATEQUISTA PARA INICIAÇÃO CRISTÃ:

É necessário o acompanhamento na formação do catequista para a catequese iniciática. Não queremos mais pensar em uma formação como simples repasse de conceitos, alguém que repete o que ouviu nos cursos e congressos. Mas nosso horizonte maior será formar catequistas competentes, capazes de responder aos inúmeros desafios da nossa realidade atual. (DAp,n.12).

O catequista é um anunciador da Palavra de Deus. “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo”. (DAp, n.247). Será capaz de narrar com competência as obras do Deus Salvador nas Escrituras, das ações de Jesus Cristo nos Evangelhos e na nossa história de vida pessoal e da comunidade iluminados pelo Espírito Santo. É importante acentuar a centralidade do mistério pascal em nossa narração.

Formar para perceber e ler os sinais dos tempos. Criar a sensibilidade para perceber Deus atuando em nossa história de vida pessoal e também na comunidade de fé. O catequista terá a missão de olhar a realidade na perspectiva propositiva, com olhar crítico e ao mesmo tempo esperançoso. Não é um especialista em determinadas áreas, mas alguém que foi introduzido no Mistério Cristão, fez a experiência do encontro com o ressuscitado e que hoje, como discípulo, se coloca a serviço do Reino com uma grande abertura para se deixar guiar e iluminar pelo Espírito Santo com a missão de educar as futuras gerações à maturidade na fé.

O novo catequista procurará desenvolver um projeto de formação continuada e global, suscitando a conversão e o crescimento na fé. Itinerário sistemático e orgânico com a finalidade de educar à maturidade na fé e a transmissão da mensagem cristã.

Essa mensagem deverá ser gradual, focalizada sempre no essencial, a pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo, favorecendo a dinâmica do encontro e do discipulado. É importante acentuar também a capacidade do catequista de transmitir aos outros suas experiências de vida cristã.

3.3) CATEQUISTA MISTAGOGO:

MISTAGOGIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO DA FÉ

A catequese mistagógica tem a função de anunciar com fervor o Kerigma (AT 8,30-31.334.35).
Anunciar Jesus Cristo vivo é uma tarefa que o batismo nos impõe. Descobrir os “novos areópagos” hoje se constitui num grande desafio para a catequese. É necessário voltar a anunciar JC em nossos ambientes. Trata-se de uma urgência pastoral: ou anunciamos Jesus Cristo novamente ou o mundo já não será mais cristão.

ANÚNCIO COMO MENSAGEM EVANGÉLICA/CRISTÃ: (DNC 97)

“Na catequese, quando se fala em conteúdo, pensa-se em geral na doutrina e na moral”. Mensagem é comunicação de algo importante. João Paulo II afirmou: “Quem diz mensagem diz algo mais que doutrina”. Quantas doutrinas de fato jamais chegaram a ser mensagem. A mensagem não se limita a propor idéias: ela exige uma resposta, pois é interpelação entre pessoas, entre aquele que propõe e aquele que responde. A mensagem é VIDA.

O termo mistagogia vem entrelaçado com o termo iniciação cristã. A mistagogia é vista como processo que conduz ao Mistério, logo INICIAÇÃO CRISTÃ é INICIAÇÃO AO MISTÉRIO.

Mistério: palavra grega (mystérion) usada no Novo Testamento para designar o plano de salvação que o Pai realizou em Cristo Jesus (Ef. 1,3-14), principalmente por sua Morte e Ressurreição, por conseqüência, mistério é tudo o que a Igreja realiza para manifestar e realizar essa salvação divina ao longo da história, sobretudo os sacramentos (a palavra latina sacramento é tradução da palavra grega mystérion). A iniciação cristã é sempre iniciação aos mistérios de Cristo Jesus e de sua Igreja, através, sobretudo, do exercício da vida cristã e da celebração dos sacramentos.

À semelhança da palavra pedagogo, o catequista mistagogo é aquele que introduz o catecúmeno ou catequizando nos mistérios da fé; todos os que trabalham no processo catecumenal são mistagogos: bispo, ministros ordenados, religiosas, catequistas, introdutores, família, pais, padrinhos....

A presença do mistagogo é um elemento essencial para a catequese de iniciação à vida cristã. Ele numa ação dialógica vai conduzindo o catequizando à mistagogia. A ação mediadora entre o mistério e o iniciante é que orienta o processo mistagógico.

O catequista-mistagogo apropria-se da cultura pedagógica da iniciação, pois não entramos no MISTÉRIO através do saber, do conhecimento, o mistério resiste à representatividade, às explicações, se apaga no segredo. No entanto, a gente se deixa penetrar por ele e nele. Não se entra, portanto no mistério. È se INICIADO nele. Que condições a iniciação poderia ser um caminho pedagógico possível e fecundo numa sociedade que não é mais iniciadora, em que se banaliza o sagrado, e a sacramentalização ainda é imperante.

Pela Comissão: Ir. Zélia M.Batista, CF

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS

"Sabe-se que Jesus Cristo não será mais amado simplesmente por ser mais estudado. Mas se Ele, se sua palavra, se sua Igreja, não forem adequedamente conhecidos, com inteligência e com afeição, não será possível lhe dar respostas com fidelidade criativa."

D. José Antonio Peruzzo
Bispo da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão - PR e
Referencial da Catequese do regional Sul II

... falando sobre formação de catequistas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CELAM REÚNE REPRESENTANTES DAS COMISSÕES EPISCOPAIS DE CATEQUESE

O departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, secção Catequese, que tem como presidente Dom Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis-MT, promoveu o Encontro Sul-Americano das Comissões Episcopais de Catequese no período de 17 a 21 de outubro na cidade de Bogotá-Colômbia. O encontro reuniu representantes das comissões de catequese dos seguintes países: Venezuela, Paraguai, Uruguai, Equador, Bolívia, Argentina, Chile, Colômbia e Brasil. Da Comissão para Animação Biblico-Catequética do Brasil participaram Dom Eugênio Rixen, Ir. Zélia Maria e Pe Luis Alves Lima. Ao promover esse o encontro o departamento de Missão e Espiritualidade está respondendo a um dos seus objetivos que é a formação de catequistas discípulos missionários.

Ao descrever a realidade formativa dos catequistas nos seus respectivos países, cada comissão apresentou um panorama da catequese em seu país a partir das propostas do Documento de Aparecida e houve consenso de que as ações desenvolvidas durante o processo formativo fazem parte de um processo mais abrangente de iniciação à vida cristã. Surgem elementos determinantes nesse processo como a centralidade da Palavra de Deus, o encontro e adesão à Jesus Cristo, a liturgia e a vida comunitária.

No desenvolvimento da temática foram apresentadas várias reflexões ministradas por catequetas que recorreram às inspirações bíblicas, o seguimento e discipulado de Jesus Cristo, aos documentos da Igreja e a ação catequética. O tema: “A espiritualidade do catequista se alimenta da Palavra, da Eucaristia e da vida dos pobres”, refletido por Frei Carlos Rockenbach, Secretario Executivo do Departamento de Missão e Espiritualidade (CELAM), lembrou que a espiritualidade do catequista é compreendida a partir de sua experiência de encontro pessoal com Jesus Cristo. Dom Diego Padrón, bispo da Venezuela, ao lembrar o Diretório Geral de Catequese afirma que: “Há necessidade de formar catequistas para esse momento histórico com seus valores e desafios e que a Sagrada Escritura é a alma de toda formação”.

Dom Eugenio Rixen, bispo do Brasil, destaca a importância do seguimento de Jesus Cristo histórico, uma pedagogia encarnada na realidade do povo. Quando se refere aos itinerários de formação de catequistas, insiste que a iniciação à vida cristã é determinante e fundamental na missão de todo catequista e deverá ser assumida como parte de um projeto pastoral mais abrangente e não somente como tarefa da catequese.

A cada bloco de reflexão apresentado os participantes interagiam respondendo as questões que delinearam algumas proposições para a formação dos catequistas e que serão implementadas pela equipe que assumirá o próximo quadriênio nesse serviço de Animação da Missão e Espiritualidade no CELAM.

As conclusões da partilha de experiências das comissões e demais reflexões serão posteriormente publicadas pelo Departamento de Missão e Espiritualidade.


Ir. Zélia Maria Batista

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Juventude: muita reza, luta e festa!

No dia 24 de outubro a Igreja Católica no Brasil comemora os 25 anos do Dia Nacional da Juventude. A data surgiu em 1985, no embalo do Ano Internacional da Juventude. Ao longo deste período, muitas coisas bonitas aconteceram e que nos motivam a comemorar. É por isso que o Dia Nacional da Juventude de 2010 tem por lema Juventude: muita reza, muita luta, muita festa, em marcha contra a violência.

Diferentemente do que ordinariamente se diz, a juventude reza. Ela não gosta de rezar do jeito dos adultos. Também não quer mais rezar do jeito das crianças. Mas os jovens procuram a oração. Eles recorrem à oração diante de desafios a serem enfrentados. Rezam sem muitos formulismos e são ecléticos. Se valem de elementos de várias religiões, sem se preocuparem com a ortodoxia da fé. Quando rezam em grupos, reúnem, sem nenhum escrúpulo, elementos das religiões orientais, cristãs, africanas e indígenas. Para a Igreja fica o desafio de auscultar caminhos para mexer com o coração dos jovens em sua prática religiosa. Já que eles gostam de rezar, cabe a nós ajudá-los a terem uma fé mais esclarecida, oferecendo-lhes espaço para o encontro com o divino.

A humanidade deve muito ao espírito de luta da juventude. É este espírito que impede a humanidade de se acomodar. Sem ele a história teria tomado outros rumos. O movimento estudantil de 1968 tornou-se marca para a democracia. A juventude na rua foi decisiva para a volta das eleições diretas no Brasil, e os jovens com as caras pintadas apressaram a cassação do presidente Collor. A sensibilidade para as causas ecológicas e o grito da juventude em 1992: “Ouça o eco da Vida”, criaram ambiente favorável para a implementação de políticas de preservação do meio ambiente. Nos últimos anos, o clamor contra o extermínio de jovens provocou a adoção de políticas de segurança pública e alertou para o (ab)uso da violência policial contra os jovens, principalmente os negros e pobres. Com razão João Paulo II afirma que “os jovens não temem o sacrifício, mas, sim, uma vida sem sentido”.

Para a juventude tudo é motivo de festa. Ela faz festa com coisas muito simples. Enquanto trabalham e estudam durante a semana, os jovens vão planejando a festa do sábado e do domingo. A própria luta se torna festa. A oração se torna festa. Estar com os amigos é festa para eles. Não se sentem à vontade com pessoas estressadas e preocupadas com o amanhã. Para desespero de muitos adultos, curtir o presente é a receita para construir um amanhã melhor. Acreditam na paz como “dom de Deus” e reivindicam liberdade, dizendo que “a vida floresce quando a liberdade acontece”.

Enquanto saudamos a juventude por seu dia, formulamos votos de que as comemorações do Dia Nacional da Juventude (24 de outubro) motivem nossas lideranças a abrirem as portas das comunidades para que o jeito de rezar, lutar e fazer festa da juventude encontre acolhida no seio da Igreja. E que a partir deste jeito as comunidades se renovem e nos unamos “em marcha contra a violência”!

Dom Canísio Klaus

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

RESGATE DOS MINEIROS NO CHILE


Este vídeo mostra o resgate do segundo minerador preso na mina de San Jose, no Chile. Durante mais de dois meses, 33 mineradores ficaram presos a quase 700 metros da superfície numa minha de cobre no deserto de Atacama. Muitas foram as correntes de oração ao redor do mundo para que todos fossem resgatados com vida. Deus atendeu as preces das famílias, amigos e pessoas solidários. E, um a um os mineiros estão deixando o confinamento a que estiveram forçados.

CRIANÇAS SALTO GRANDENSES - MISSIONÁRIAS DE JESUS

As crianças das comunidades da Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio de Salto Grande – SP, Diocese de Ourinhos, Regional Sul I, estão doando livrinhos de Literatura infantis e brinquedos para as crianças de Japurá, no estado do Amazonas. Domingo próximo na missa da Padroeira vai ser feita a entrega. Esperamos ao longo da próxima semana poder já enviar! Uma iniciativa bonita e um exemplo também para jovens e adultos a partilhar!
Missão e Partilha é o Tema da Campanha missionária 2010!

VIVA as crianças Missionárias!

domingo, 10 de outubro de 2010

COMUNICAÇÃO, RECONHECIMENTO E INFLUÊNCIA


*Alberto Meneguzzi
Meu livro de cabeceira tem sido o Documento de Aparecida. À medida que leio as conclusões da conferência, meu pensamento vai mais longe numa série de situações que norteiam minha caminhada pastoral. Fico procurando fundamentar minhas “teses” sobre comunicação e catequese, confrontando-as com o que diz o documento.

Concluo, pois, que não estou tão “fora” quando critico o atual modelo e sugiro outra postura da Igreja na área de comunicação. Minha crítica não se baseia em “achismo”, mas, sim, em fatos, alicerçada em várias leituras e também naquilo que ouço, assisto e vivo nas minhas atividades pastorais. Baseia-se também na minha troca de experiências com diversos catequistas e lideranças de todo país através da internet. Utilizo essas novas ferramentas, com o MSN, Orkut, Skype e e-mails, também para evangelizar; seria um tolo se não as usasse.

A Igreja não aproveita como deveria as novas tecnologias e muito menos sabe se relacionar de maneira profissional com emissoras de rádio, TV e jornais. Pouco estimula e apóia a criação de meios de comunicação próprios e tem dificuldades em trabalhar de modo mais efetivo a formação de comunicadores leigos para os novos desafios da mídia.

A Igreja ainda não descobriu uma forma concreta de animar as iniciativas existentes na área de comunicação católica, que são poucas, mas importantes. Essa, pelo menos, tem sido a realidade do local onde atuo. Na Diocese de Caxias do Sul, aqui no Rio Grande do Sul, existem 71 paróquias, em torno de mil comunidades, e apenas três possuem sites, sendo que, destes, apenas dois são atualizados frequentemente com notícias, informações, fotos e boletins eletrônicos. E o que diz o Documento de Aparecida sobre a internet?  
A internet, vista dentro do panorama da comunicação social, deve ser entendida na linha já proclamada no Concílio Vaticano II como uma das “maravilhosas invenções da técnica”. [...] A Igreja se aproxima deste novo meio com realismo e confiança. [...] Os meios de comunicação, em geral, não substituem as relações pessoas nem a vida comunitária. No entanto, os sites podem reforçar e estimular o intercâmbio de experiências e informações que intensifiquem a prática religiosa através de acompanhamento e orientações (487-489).

Se a Igreja considera tão importante lidar com os meios de comunicação sociais e incentiva, nos seus últimos documentos, uma relação diferente e mais profissional com a mídia, não apenas com a católica, porque ainda trabalhamos tão mal nessa área? Porque não insistimos que nossas paróquias tenham site? Porque não investimos mais em jornais impressos, nem que seja uma edição por ano? Porque não organizamos mais cursos sobre comunicação para catequistas e lideranças? Por que não estimulamos mais as pastorais de comunicação, que, em muitas dioceses, existem apenas no papel?

O Documento de Aparecida é direto, não faz rodeios quando fala de comunicação. É essa a conclusão e análise de diversos bispos da América do Sul e do Caribe, em conferência no Brasil, que contou inclusive com a presença do Papa Bento XVI:

A importância de sabermos lidar com os novos meios e as novas ferramentas tecnológica implica uma capacidade para reconhecer as novas linguagens, que podem favorecer maior humanização global. Estas novas linguagens configuram um elemento articulador das mudanças na sociedade (883).

Sites parados, sem atualização, representam mudanças na sociedade? Secretarias paroquiais cujas secretárias não possuem acesso à internet simbolizam mudanças para a sociedade? Emissoras de rádios católicas, geridas de forma amadora, que não acompanham os encontros, eventos e palestras da própria Igreja, significam uma comunicação eficiente? Dioceses que não possuem, e não se interessam em possuir, um jornal mensal impresso, elaborado de forma profissional, com uma distribuição feita não apenas aos que freqüentam as celebrações, estão conforme as orientações do Documento de Aparecida?

Claro, além da minha visão de catequista e liderança pastoral, as minhas palavras possuem o ingrediente de ser ditas por um profissional da área de comunicação. Sou jornalista e relações públicas. Trabalhei durante quinze anos em rádio. Sou responsável, atualmente, pela publicação de um jornal católico, que busca apoio de empresas, patrocinadores, e é feito por jornalistas inseridos na comunidade cristã. Talvez por isso a minha indignação mais veemente. Não é regra que a Igreja como um todo trabalhe mal esse aspecto. Algumas dioceses estão caminhando a passos largos para uma comunicação mais eficiente, em todos os níveis. Porém, na grande maioria das paróquias, o que se vê é um marasmo constrangedor diante das mudanças do mundo moderno e do aparecimento das novas tecnologias. É nosso maior problema como Igreja: comunicar efetiva e profissionalmente.

A relação que deveríamos ter, ou pelo menos tentar ter, consta de um triângulo que li num livro sobre liderança. A frase é de Robert Dilenscheneider, da Agência Internacional de Relações Públicas. Tentei relacioná-la com a comunicação da Igreja e o nosso trabalho de evangelização, que, como liderança, pode se tornar mais eficiente e atrativo quando obedecer ao triângulo da comunicação, do reconhecimento e da influência. Se a comunicação é feita de forma eficaz, o reconhecimento surge; e o reconhecimento, por sua vez, leva a influência. Aqui não se trata de reconhecimento pessoal, mas das idéias e objetivos que fazem parte do projeto de Deus, na catequese ou em qualquer outra pastoral, movimento ou serviço.

Se pensarmos bem, não era assim que Jesus fazia?

Comunicava-se muito bem com as pessoas (não sem antes ter se preparado muito para isso), sabia exatamente aonde queria chegar, era persuasivo, obteve o reconhecimento do seu projeto (e com isso também inveja e perseguição), teve seguidores (um líder sem seguidores não é líder) e, assim, conseguiu influência. Suas palavras ecoam até hoje.

Se Ele fez tudo isso sem utilizar internet, jornal, rádio e TV, o que ele faria nos dias de hoje se tivesse acesso a todas essas tecnologias?

E nós, o que estamos fazendo para uma sociedade diferente com os meios e ferramentas de que dispomos?


Texto extraído do livro “Missão de Anunciar”, pg. 92, São Paulo: Paulinas, 2010.

*Alberto Meneguzzi é escritor, jornalista, relações públicas, radialista e catequista. Autor dos livros “Paixão de Anunciar” e “Missão de Anunciar”, publicados pela Editora Paulinas.

sábado, 9 de outubro de 2010

HOMILIA DO DOMINGO

28º. Domingo do Tempo Comum – C
Graça é um benefício de Deus em nosso favor. Tudo o que o senhor realiza em nossa vida é graça, é um presente sem preço. Com Deus não há trocas, não há comércio, não há méritos. Deus nos ama por pura gratuidade. Ama porque é puro amor.
Na primeira leitura, Naamã, considerava que era possível comprar a graça de Deus. Ele tinha dinheiro, tinha poder, no entanto, era leproso. Quando descobriu que a cura se encontrava em Israel, levou dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes de festa para o rei de Israel. Foi curado por Deus por intermédio do profeta, contudo de nada serviu o seu dinheiro. Eliseu fez questão de mostrar que é por graça de Deus que ele recebeu a cura, não aceitando nada em troca e lhe trazendo a cura mesmo sendo Naamã um estrangeiro. A prepotência não pode nos obter a cura. Às vezes achamos que podemos negociar com Deus, que as coisas devem acontecer da maneira que planejamos. Esquecemos de reconhecer que Deus é puro dom.
Não basta ficar feliz pelo bem recebido, é preciso se voltar para o doador da graça. O doador da graça é mais importante do que a graça recebida. Reconhecer que há um Deus que se importa conosco, que nos presenteia, que nos dá vida nova e que cura a nossa lepra é mais importante que a própria cura. No Evangelho, os nove leprosos do Evangelho não perceberam esta dinâmica divina. Foram embora após cura, apenas um voltou agradecido. Os dez foram curados da lepra, porém apenas um foi salvo, pois apenas aquele samaritano se abriu à presença benevolente do Senhor.
Os leprosos eram judeus e, por isso, consideravam que tiveram a cura por direito. Preocupavam-se mais com as obrigações legais do que com o Senhor das graças. Jesus os manda ir aos sacerdotes, pois eles acreditavam em tais fiscalizações de pureza. Enquanto os nove se preocuparam apenas com a prescrição legal sobre a lepra, foi um samaritano, considerado indigno, que voltou para agradecer. Isso nos ensina que ninguém é dono da graça divina. Jesus veio para todos. Hoje não podemos fazer grupos de salvos e indignos, grupos de santos e pecadores, grupos dos que pertencem ou não pertencem. Nossos critérios humanos miram as aparências, enquanto Deus vê o coração de cada ser humano. É sempre recomendável um exame sincero de coração, pois entre nós, muitos católicos de comunhão dominical podem estar leprosos, enquanto muitos ditos pecadores, que não frequentam nossas celebrações, podem estar hoje com o coração agradecido pelas bênçãos que o Senhor derrama em suas vidas por sua misericórdia.
Gratidão é mais do que um sentimento ou uma prece. Gratidão é um estilo de vida. Devemos viver na gratidão, viver na graça. Devemos viver sabendo que tudo o que recebemos vem de Deus, que Ele é graça em nossa história. Olhar para a história, para o presente e para o passado, percebendo as maravilhas que Deus realiza em nós. Agradecer pelas coisas boas: pela família, pela saúde, pelo pão, pelos amigos... Quem vive a vida na gratidão, sabe também agradecer pelas coisas ruins. Todos sofremos, mas podemos sofrer de modo diferente: podemos encontrar no sofrimento alguma lição, podemos crescer na humildade e na compreensão de que a vida nos escapa, de que não somos donos dela, pois só Deus é o dono da vida. Somos inclinados a lamentar e a cair na revolta. São Paulo (2ª. Leitura) soube viver isso na prisão: não se queixou, mas abraçou a cruz de Cristo, afirmando que “se com Ele morreremos, com Ele viveremos”. A graça de Deus supera a nossa própria infidelidade.
“Gratidão, em seu sentido mais profundo, significa viver a vida como um presente para ser recebido com agradecimentos. E a gratidão verdadeira abarca tudo na vida: o bom e o ruim, a alegria e a dor, o santo e o não tão santo” (H. Nouwen).
Pe. Roberto Nentwig
Coordenador da Comissão Pastoral para Animação Bíblico Catequética
Arquidiocese de Curitiba – Pr.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É PRECISO NÃO SÓ LER, COMO TAMBÉM COLOCAR EM PRÁTICA...

Angela Rocha
Logo que iniciei minha caminhada na catequese (sem formação alguma nesse sentido), busquei nos documentos da Igreja orientação para tentar desenvolver a contento o meu papel. Desde que comecei essa “jornada literária” tenho lido muito a expressão Educação para a fé. Segundo o documento Catequese Renovada, a catequese deixa de ser orientada para os sacramentos para ser uma inserção ao mistério de Cristo e à vida na Igreja. A catequese que trabalhamos com nossas crianças é a iniciação à fé, a formação cristã se prolonga pela vida inteira. Precisamos olhá-los até quando adultos.

Isso parece novidade. Mas não é. A Catequese Renovada é um documento criado em 1983. Então porque ainda estamos trabalhando em nossos Centros Catequéticos exclusivamente para que as crianças cheguem ao dia da Primeira Eucaristia? Não importa a que preço. Não importa se elas vão continuar o processo de formação cristã pela vida afora. Não importa se elas vão continuar a fazer parte da comunidade eclesial. Importa que elas decorem direitinho o ato de contrição e todas as orações. Que saibam fazer a primeira confissão sem erro. Mesmo que seja essa a primeira e última confissão que elas façam cara a cara com o padre.

Perdoe-me quem acha o contrário, mas sim, nossa catequese é inteiramente voltada para o sacramento! Ela é uma doutrina imposta. Algo que se tem que cumprir para que se possa realizar o matrimônio (outro sacramento). A preparação para a Crisma também não fica longe desse caminho.

Que orientação é essa tão difícil de entender?  Porque alguns de nossos catequistas, nascidos até posteriormente ao documento Catequese Renovada, ainda estão doutrinando nossas crianças ao invés de educá-las na fé? Talvez não conheçam o documento. Afinal ele é antigo. Mas e o Catecismo da Igreja Católica de 1992, o Diretório Geral para a Catequese de 1997? E as várias exortações, sínodos, conferências? E mais recentemente o Diretório Nacional de Catequese de 2005, o Documento de Aparecida? Não dizem todos a mesma coisa? Mais recentemente, em 2009, o Estudo 97 da CNBB, exorta para que se retorne o processo catecumenal em nossa igreja. Coisa que o DNC e o Documento de Aparecida já pediam. E novamente vemos esse valioso subsídio não sendo valorizado nem pelos padres. Será que somos analfabetos funcionais?

Insistentemente a Igreja vem dizendo que temos que integrar as conquistas das ciências da educação à catequese, particularmente a pedagogia contemporânea e a psicologia, sempre à luz do Evangelho. A catequese deve se realizar num contexto comunitário, deve ser um processo contínuo de inserção na comunidade e a comunidade deve ser catequizadora. É preciso continuar a catequese com as famílias, para que estas sejam catequizadoras. Reclamamos que os pais não participam da catequese dos filhos, mas não nos interessamos em inserir a família na catequese. Para nós o filho deve iniciar a catequese, já pré-formado pelos pais. E se a família não tiver formação para construir esse pequeno cristão?

É preciso refletir estas questões e não esquecer que cabe a nós, catequistas discípulos missionários, fazer cumprir a missão de transformar a catequese num processo permanente de educação da fé.

Ângela Rocha - Catequista

* Analfabetismo funcional : Termo que se refere a pessoa que sabe ler e escrever mas é incapaz de interpretar o que lê. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem ordenar as idéias para que elas façam sentido.

CARTA DE D. EUGENIO RIXEN SOBRE O MOMENTO POLÍTICO

Goiás, 05 de outubro de 2010

Queridos/as irmãos/ãs na fé,

A Igreja tem como dever ser fiel a Jesus Cristo e divulgar a justiça e a verdade.
Diante de falsas denúncias, gostaria, como bispo de Goiás fazer os seguintes esclarecimentos quanto ao 2º turno das eleições, tanto para presidente, como para governador.
A Igreja Católica, como já disse numa carta anterior, não apóia e nem exclui nenhum. Alguns bispos católicos, principalmente do estado de São Paulo ou ligados a movimentos conservadores, declararam publicamente para não votar na candidata do PT. Esta não é a versão oficial da CNBB. Esta, nunca falou que “nem Jesus Cristo tiraria esta vitória”.
A Igreja defende o respeito à vida em todos os aspectos: educação, moradia, trabalho, segurança desde a infância até a velhice.
            O que está em questão nestas eleições são dois projetos diferentes sobre o futuro do nosso país. Um que defende os interesses dos pobres, mais justiça social e melhor distribuição de renda nacional. Outro, quer manter os privilégios daqueles que sempre marginalizaram a classe dos excluídos. Queremos um país com mais justiça social, terra para os pobres, o limite de propriedade de terra, a defesa do meio ambiente, especialmente do cerrado, tão agredido pelo agro negócio.
Queremos votar de maneira consciente e não nos deixar manipular por falsas promessas e informações gananciosas; escolher candidatos que governem com a participação do povo e a sociedade organizada.
Queremos um Brasil mais justo e solidário, onde os pobres também têm direito a uma vida plena.

Assinado pela Assessoria Diocesana de Pastoral

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

FESTA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS - BANDEIRANTES - PR

Em Bandeirantes, interior do Paraná, acontece a Festa de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada face, no dia 01 de outubro. A Santa menina, é padroeira da cidade e, em homenagem a ela, a paróquia foi instituída como Santuário Diocesano em 15 de dezembro de 2007. Este ano, além da tradicional celebração que ocorre todo dia 01 na paróquia, com terço meditado, novena das rosas e missa às 19hs, também aconteceu uma celebração especial para as crianças da catequese, ás 09hs da manhã. Uma bonita festa realizada com a presença maciça de pais, catequistas e crianças.
A Paróquia e Santuário de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face em Bandeirantes - Paraná, conta hoje com a presença e o trabalho de 110 catequistas que atendem as vinte comunidades, contando com a matriz. A paróquia tem também mais ou menos 1.200 crianças inscritas na catequese, entre zona urbana e rural. Mensalmente acontecem encontros de formação com todos os catequistas na matriz da paróquia e, todos os meses, as coordenadoras das comunidades se encontram para trocar partilhas e experiências e também para levar às suas equipes as orientações do pároco e lideranças.
Vale destacar também que todo domingo a catequese é responsável pela missa das 10hs da manhã, reunindo catequizandos e pais para a uma bela celebração dominical.

Santa Terezinha do Menino Jesus, tem para nós, cristãos católicos, um grande significado. Ela dedicou sua vida a rezar pelos missionários e foi escolhida como a Padroeira das Missões. Não pode cumprir sua vontade de estar em missão fisicamente, no entanto, dedicou sua vida à oração pelos outros. Ela nos ensina a simplicidade da infância espiritual e a entrega a Deus de todos os acontecimentos de nossa vida, na confiança de que Ele sempre caminha conosco em meio as nossas profundas limitações.
Contemplemos Santa Terezinha em seu propósito de continuar no céu a missão de interceder pelos pecadores. E Terezinha continua multiplicando suas promessas e as cumprindo. E neste mês, mais do que em todos, vamos rezar, dizendo: Santa Terezinha, muito obrigado. Bendito seja Deus que a colocou em nosso caminho! Rogai por nós!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NAS MÃOS DOS ELEITORES

Sexta, 01 de Outubro de 2010, CNBB


O dia das eleições está chegando. Agora a decisão está nas mãos dos eleitores. O voto é soberano. Ele se constitui no fundamento da democracia. Todo o arcabouço jurídico que o protege tem a finalidade de garantir que ele seja, de fato, a expressão da vontade de cada eleitor. Por isto, o maior atentado contra a democracia é perverter o voto do eleitor, pela compra e venda, ou por qualquer outro expediente.
A sabedoria popular cunhou a afirmação contundente, e acertada: voto não tem preço, tem conseqüências!
A campanha eleitoral deveria fornecer elementos para os eleitores fazerem sua escolha, livremente, a partir das conclusões a que cada um chegar.
Quanto menos a campanha cumpre sua missão, maior a responsabilidade do eleitor. E´ o que se pode dizer da campanha deste ano. Por muitos motivos, ela deixou a desejar. Pouco contribuiu para o debate sereno, claro, objetivo, em torno de propostas de governo para o país. Ficou por demais carregada de ataques pessoais, em tentativas de desmoralizar os adversários.
Por isto, o eleitor tem algumas tarefas a mais, desta vez.
Em primeiro lugar, sacudir o clima de acusações e calúnias perversas e fantasiosas, lançadas não importa contra quem. Precisamos neutralizar estas tentativas de desestabilizar candidaturas com ataques pessoais e acusações infundadas. É necessário desencorajar seus autores. Caso contrário inviabilizamos a prática democrática em nosso país, incentivando os que se escondem no anonimato da internet para desferir seus golpes contra os desafetos de seus preconceitos. Contra o obscurantismo, nada melhor do que a lucidez e a coragem dos eleitores em livrar seu voto da asfixia de acusações gratuitas e injustas.
Urge também depurar as versões da grande mídia, que são no mínimo tendenciosas, para dizer pouco, e para deixar que cada eleitor imagine quais são os interesses que se escondem por trás destas posições veiculadas às vezes com rara virulência contra alguns candidatos. Formar a própria opinião, prescindindo das grandes manchetes, é tarefa difícil, mas não impossível para cidadãos maduros e adultos que queremos ser.
Como a campanha pouco ajudou para compreender o que está se passando em nossa realidade brasileira, nos últimos anos, cabe a nós fazer uma análise ponderada, com a lucidez de nosso bom senso, e conferir o que está no bom caminho, e o que seria possível melhorar. E então, com nosso voto sinalizar em quem depositamos nossa confiança para garantir que nossas expectativas possam, minimamente, se cumprir.
Para esta análise, não pode faltar uma referência às grandes desigualdades sociais que são a marca registrada de nosso país, e perceber como estão sendo enfrentadas. Com nosso voto, precisamos expressar nosso juízo de valor sobre o processo de superação de nossas mazelas sociais, que está em andamento, e dar nosso voto em favor das propostas apresentadas pelos candidatos, não as fantasiosas e irresponsáveis, mas as realistas e consistentes.
Esta campanha não vai deixar saudades para ninguém. Mas o voto tem o poder de redimir até uma campanha mal realizada. Afinal, a responsabilidade recai mesmo sobre cada eleitor. Quanto menos ele precisar de recomendações, melhor será o seu voto.

Dom Luiz Demétrio Valentini

*Dom Demétrio Valentini é Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

OUTUBRO: Mês Missionário


Tema: Missão e Partilha
Lema: "Ouvi o Clamor do Meu Povo" (Ex 3,7b)

Dia Mundial das Missões – Coleta Mundial – 23 e 24 de outubro

Desde 1926, com a instituição do Dia Mundial das Missões, pelo Papa Pio XI, intensificou-se em toda a Igreja, o apelo a renovar e direcionar o próprio ardor e vida missionária para além das próprias fronteiras, em dimensão universal. Também a 5ª Conferência do CELAM, realizada em Aparecida, SP, em maio de 2007, fez um forte apelo a que toda a Igreja, todos os batizados, se tornem discípulos missionários de Jesus Cristo.
"A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que mande operários para a Sua messe." Estas palavras de Jesus em Lucas 10,1ss, continuam válidas. Depois de dois mil anos, a messe continua grande e, os operários, poucos. Há o clamor insistente de milhares de pessoas que querem conhecer Jesus, mas falta quem O anuncie. A colaboração material de cada cristão para as Missões possibilita o envio cada vez maior de missionários "ad gentes". É indispensável a oração insistente e lançar-se mar adentro a anunciar: "Rogate, ergo, et duc in altum!" (cf. Lc 5,4). Nisto consiste o objetivo maior da Campanha Missionária do mês de outubro: despertar para a Missão todos os que dormem.
Para motivar e conscientizar, as Pontifícias Obras Missionárias cuidam de organizar e produzir subsídios para a Campanha de animação e cooperação missionária que se realiza todos os anos em outubro, Mês das Missões, culminando no Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo do mês). Neste dia, todo católico é motivado a dar sua oferta material para as Missões A esta oferta está associada a formação e vivência missionárias, por meio de orações e sacrifícios oferecidos pelas Missões.
As necessidades da Igreja Católica em todo o mundo não param de crescer: constituição de novas dioceses; abertura de novos seminários; regiões destruídas por guerras ou fenômenos naturais, que devem ser reconstruídas; regiões por longo tempo fechadas à evangelização, e que agora se abrem a ouvir a mensagem de Cristo e da Sua Igreja. É por isto que a cooperação dos católicos de todo o mundo é tão urgente e necessária.
Cerca de 1.100 dioceses de territórios de Missão (todo o Continente Africano e o Asiático, bem como a Oceania, parte da América Latina e alguns países da Europa Oriental) recebem regularmente ajuda financeira anual proveniente das doações dos fiéis.
A Coleta feita no Brasil, todo ano, no Dia Mundial das Missões, é destinada ao Fundo Mundial de Solidariedade Missionária. Com estes recursos são financiados projetos fundamentais para a Igreja em todo o mundo. Parte destes recursos, são também destinados a projetos no Brasil. Nos últimos anos, graças ao crescimento da coleta e generosidade do nosso povo, os recursos financeiros do Dia Mundial das Missões celebrado no Brasil têm ajudado projetos para outros países, dentre os quais, Índia, Ruanda, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, República Democrática do Congo, Malavi, Etiópia, Indonésia, Timor Leste, Filipinas e Equador: sinal e gesto concreto de nossa solidariedade universal.
No Brasil, no último Dia Mundial das Missões (18 de outubro de 2009), foram recolhidos, em todo o país, cerca de R$ 5.500.000,00. Mas é ainda muito pouca a nossa oferta, se considerarmos o número de católicos.
A ação missionária é essencial para a comunidade cristã. Pelo Batismo, todo cristão é chamado a reunir-se em comunhão ao redor de Cristo e participar da sua Missão, com o testemunho de vida, o anúncio do Evangelho, a criação das Igrejas locais com o esforço para se inculturar, o diálogo inter-religioso, a formação das consciências para atuarem as orientações da doutrina social cristã, a proximidade aos últimos e o serviço concreto de assistência aos necessitados. A origem, o método e a finalidade da evangelização é o próprio mistério trinitário. A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a bom termo a ação missionária. Deus é o Protagonista.

Fonte: POM – Pontifícias Obras Missionárias, http://www.pom.org.br/
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