terça-feira, 30 de novembro de 2010

RUMO A UMA ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL

Ultimamente e em todos os continentes, a Igreja fala em Animação Bíblica da Pastoral. Estão em jogo uma nova linguagem e uma nova compreensão. A Proposição 30, do Sínodo dos Bispos sobre a “Palavra de Deus na vida e missão”, realizado em 2008, afirma: “A ‘pastoral bíblica’ não deve ser justaposta com outras formas de pastoral, mas deve ser entendida como ‘animação bíblica de toda a pastoral’”.

Como chegamos à essa Animação Bíblica da Pastoral? Do “movimento bíblico”, antes do Concíliio Vaticano II, passamos para uma vigorosa “pastoral bíblica” com o Documento “Dei Verbum” presenteado à Igreja por esse mesmo Concílio. Mas agora compreende-se que é hora de abraçar uma consistente “animação bíblica da pastoral”. O Sínodo sobre a Palavra de Deus, o Documento de Aparecida e a última Assembléia dos Bispos assinam isso com toda a autoridade.

Tanto o “movimento bíblico” e a “pastoral bíblica” foram passos necessários, importantes e promissores na vida e missão evangelizadora da Igreja. Mas já a “Dei Verbum”, número 21, tinha um espírito mais amplo quando afirma: “toda a pregação da Igreja, como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura”. A Bíblia, enquanto contém a Palavra de Deus - viva e eficaz - nutre a vocação, formação e missão de todo o discípulo missionário, logo de toda a sua ação evangelizadora. Trata-se de compreender que a Palavra de Deus é a alma de toda a pastoral: dimensão bíblica de toda a pastoral - a “Animação Bíblica da Pastoral”.

Na Igreja o discípulo missionário encontra tudo aquilo que alimenta sua vinculação íntima com Jesus Cristo. Ela oferece primeiramente a proclamação da Palavra de Deus e a possibilidade de encontrar Jesus Cristo na Sagrada Escritura, lida na Igreja e no contexto da vida. É indispensável “propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de ‘autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade’” (Ecclesia in America 12, cf. DAp 248). O caminho de encontro com Jesus Cristo mediante a Sagrada Escritura exige, como ensina Bento XVI, “o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus” (Discurso inaugural à V Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe, número 3). O Documento de Aparecida fala de encontros com o Senhor: Nicodemos, Samaritana, Cego de nascimento, Zaqueu.

Assim a Sagrada Escritura se torna fonte e cume de conhecimento, de comunhão e de evangelização da Palavra enquanto mediação insubstituível de encontro com “o Verbo que se fez carne”- Jesus Cristo vivo para continuar sua obra do Reino de Deus. Daí a conclusão: a Palavra de Deus, que a Sagrada Escritura oferece, “deve ser inspiradora de todas as fases da ação evangelizadora nas comunidades, nas paróquias e nas dioceses: a reflexão e o discernimento, a tomada de decisões e o planejamento, a execução e a avaliação “cf. DAp 371).

Dito com uma metáfora: a Palavra de Deus não pode ser um ramo a mais do conjunto da árvore que é a Igreja, mas a seiva que corre por seu tronco e nutre todos os ramos. Os Bispos em Aparecida, por sua vez, aludem à metáfora do farol para falar da Sagrada Escritura que ilumina e guia o caminho e a atuação da Igreja de Cristo (cf. DAp 180). Onde há evangelização aí deve estar a seiva e a luz da Palavra de Deus que, com sua multiforme presença, anima o anúncio e a realização do Reino de Deus.

A Palavra de Deus, contida na Sagrada Escritura, deve suscitar formar e acompanhar a vocação e a missão do discípulo missionário de Jesus Cristo e dar conteúdo às ações organizadas da Igreja em sua missão de ir e fazer “discípulos a todos os povos” (Mt 28,19). Desta forma, além de ser “a alma da teologia” (DV 24), a Palavra de Deus está chamada a converter-se em “alma da ação evangelizadora da Igreja” (DP 372; DAp 248). A propósito: Estamos iniciando uma preparação intensa para o 1º Congresso de Animação Bíblica da Pastoral em outubro do próximo ano.



Dom Jacinto Bergmann, Bispo de Pelotas e Membro da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB.

ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL

Em preparação ao PRIMEIRO CONGRESSO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL, que acontecerá em Goiânia, GO, nos dias 8 a 12 de outubro de 2011. Irmão Israel Nery fsc, Presidente de SCALA (Sociedade de Catequetas Latino-americanos) e membro do GRECAT (Grupo de Reflexão Catequética da CNBB), concede esta entrevista à Maria Cecília Rover, Assessora Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico Catequética.

Maria Cecília: O Documento de Aparecida fala em “Animação Bíblica da Pastoral”(ABP). Há alguma diferença com relação à Pastoral Bíblica?

Irmão Nery: Há, sim. Vamos por partes. A “Pastoral Bíblica” predominou do Concílio Vaticano II (1962-1965) para cá, fez e faz um enorme bem aos fiéis e à Igreja. Sua função principal é cumprir o que pede o Concílio através da Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus, a Dei Verbum: que todos os fiéis tenham acesso as Sagradas Escrituras. E, nesse ponto, o Brasil foi privilegiado com 17 traduções da Bíblia, várias instituições para ajudar os católicos a terem uma boa introdução à Bíblia. Entre elas se destaca o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI). Mas há numerosas outras iniciativas de oração e vivência da Palavra de Deus, como os Círculos Bíblicos e a Leitura Orante da Palavra.

Maria Cecília: E a Animação Bíblica da Pastoral? Em que consiste?

Irmão Nery: Os Bispos em Aparecida solicitam um passo a mais em relação à Pastoral Bíblica. Não basta que todos os fiéis tenham acesso às Escrituras e tenham uma boa iniciação à Bíblia. É preciso que tudo na Igreja parta da Palavra de Deus, nela se inspire e se fundamente e dela se alimente, desde a vida pessoal de cada fiel até a Igreja como um todo. Que a Palavra de Deus perpasse, portanto, todas as pastorais, congregações religiosas, movimentos, seminários, lideranças da Igreja (bispos, presbíteros, ministros, coordenadores...). Que a Palavra de Deus passe a ser a alma que dinamize profunda e abrangentemente a Igreja.

Maria Cecília: Você poderia destacar os números onde, no Documento de Aparecida, fala em Animação Bíblica da Pastoral, neste sentido a que o senhor se refere?

Irmão Nery: Primeiramente há, no nº. 99, um reconhecimento que esta Animação Bíblica da Pastoral já existe em algumas Igrejas na América Latina e no Caribe: “Devido à Animação Bíblica da Pastoral, aumenta o conhecimento da Palavra de Deus e do amor por ela”. Depois, os bispos dão, no nº. 248 do Documento, preciosas orientações. “Os discípulos de Jesus desejam (...) que os textos bíblicos (...) sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos. Por isso, a importância de uma “pastoral bíblica” entendida como animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada e proclamação da Palavra. Isso exige, da parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra, uma aproximação à Sagrada Escritura que não seja só intelectual, mas com coração “faminto de ouvir a Palavra de Deus” (Am 8, 11).

Maria Cecília: Que riqueza de orientações e que impulso, não é mesmo?

Irmão Nery: Sem dúvida. E gostaria de destacar alguns elementos nesse texto de Aparecida: 1) A Palavra de Deus como “alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus”; 2) “Pastoral Bíblica” entendida como “Animação Bíblica da Pastoral” (ABP); 3) três ingredientes simultâneos e complementares para a animação: a) conhecimento e interpretação da Palavra de Deus; b) A Palavra de Deus como melhor caminho de comunhão com o Senhor; c) A palavra de Deus como base principal da evangelização inculturada; 4) a necessidade de converter as lideranças da Igreja (bispos, presbíteros, diáconos, ministros leigos..) para um novo modo de ler, interpretar e pregar a Palavra de

Deus, a fim de que esse processo de animação bíblica da pastoral se torne uma realidade.

Maria Cecília: A Animação Bíblica da Pastoral vai ajudar no processo de conversão dos próprios católicos?

Irmão Nery: Sem dúvida. Aparecida insiste na necessidade de um processo novo para formar discípulos missionários de Jesus Cristo, para evangelizar verdadeiramente a sociedade: é a Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal e a conversão da pastoral. Ora, dentro da pastoral orgânica e segundo a eclesiologia de comunhão e participação, a ABP tem por objetivo maior revigorar com a Palavra de Deus escrita, proclamada, meditada e vivida a cada fiel para ser um dinâmico discípulo missionário e, também, a toda instância pastoral de modo a fazer com que tudo na Igreja favoreça e aprofunde o “encontro pessoal com Jesus Cristo vivo”, caminho para “um autêntico processo de conversão, comunhão e solidariedade” (cf. João Paulo II, Ecclesia in America, 3, 8).

Maria Cecília: Mas já há Animação Bíblica da Pastoral no Brasil?

Irmão Nery: Sim. Alguns passos já foram dados e outros estão sendo propostos. Há publicações que ajudam a esclarecer a diferença e complementação entre Pastoral Bíblica e Animação Bíblica da Pastoral. Há seminários e encontros com esta finalidade. Há, inclusive, dioceses e regiões pastorais que formaram a Comissão de Animação Bíblica da Pastoral. O Primeiro Congresso Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral, com uns 500 participantes, vindos dos 17 regionais de CNBB, em outubro de 2011 será um momento de síntese avaliativa da caminhada e de um especial impulso à ABP. E, sem dúvida, toda a mobilização sobre a ABP será uma preciosa contribuição para a renovação da Igreja sob o impulso de Aparecida e da Missão Continental.

COMISSÃO PREPARA CONGRESSO SOBRE ANIMAÇÃO BÍBLICA PARA 2011

A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB se reuniu, nesta sexta-feira, 26, com o Grupo de Reflexão Catequética (GRECAT) e o Grupo de Reflexão Bíblica Nacional (GREBIN), na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília (DF), para preparar o Congresso de Animação Bíblico-Pastoral e avaliar as atividades dos últimos quatro anos.

“O Congresso será uma oportunidade para aumentar a centralidade da bíblia nas pastorais, e, especialmente, na catequese”, disse o bispo de Pelotas (RS) e membro da Comissão, dom Jacinto Bergmann. Este será o primeiro Congresso de Animação Bíblico-Pastoral, que acontecerá de 8 a 12 de outubro de 2011, em Goiânia (GO). A programação, que ainda está sendo definida, constará de palestras, estudos e leitura orante da bíblia. Os outros detalhes serão divulgados brevemente pela Comissão.

Ainda durante o encontro, os participantes fizeram uma avaliação das atividades da Comissão no último quadriênio (2007-2010), recordando alguns dos projetos realizados, como a 3º Semana Brasileira de Catequese, que aconteceu em outubro de 2009, e o projeto “Lectionautas”, que visa incentivar a leitura da bíblia através da internet.

“A importância dessa reunião é a avaliação da caminhada da Comissão durante este período, além da reflexão sobre a animação bíblica da pastoral da Igreja no Brasil, motivados pela exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini”, disse o presidente da Comissão e bispo de Goiás (GO), dom Eugênio Rixen.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

UM PRESENTE MUITO ESPECIAL


Em março, Deus me presenteou com um catequizando muito especial. Ele é surdo e precisava de Iniciação Cristã. Que desafio!
Washington é seu nome. Um rapaz surdo que queria receber os sacramentos da Eucaristia e do Crisma para se casar em dezembro. A Eucaristia foi marcada para o dia 30 de outubro e a crisma para 07 de novembro durante a missa das 18hs. Seis meses para prepará-lo. Pouco tempo. Mas Washington foi muito presente e participativo e nossos encontros nesses meses, foram verdadeiras bênçãos, e mais rápido do que pensei chegou o dia. Nem sei descrever o quanto foi emocionante. Somente Deus, em sua infinita sabedoria, poderia me dar algo tão valioso, fazer ecoar sua mensagem através de minhas mãos para alguém tão especial.


Deise Ferraz, catequista e intérprete de surdos do Santuário Nossa Senhora de Fátima, Diocese de Santo Amaro.


















Informação da Comissão da CNBB:
Aos catequistas que desejarem subsídios e informações, a Pastoral dos Surdos de Curitiba é muito organizada e pode ser contatada através do seguinte endereço de e-mail:  ppcd@arquidiocesecwb.org.br .



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MENSAGEM FINAL DO ENCONTRO SUL AMERICANO DAS COMISSÕES EPISCOPAIS DE CATEQUESE

Brasília,DF, 01 de novembro de 2010.


Caríssimos/as Bispos, Coordenadores e Catequistas

Convocados pelo Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, Seção Catequese, cujo presidente é dom Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis (MT), a Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética representadas pelo seu Presidente dom Eugênio Rixen, a Assessora, Ir. Zélia Maria Batista, CF e o catequeta Pe Luis Alves Lima, SDB, participou nos dias 17 a 21 de outubro na sede da Conferência Episcopal da Colômbia na cidade de Bogotá, do Encontro Sul Americano das Comissões Episcopais de Catequese. As conclusões e propostas desse importante evento para a Igreja da América Latina estão explicitadas na mensagem final que compartilhamos com todos.


Fraternalmente,


Dom Eugênio Rixen.


MENSAGEM ÀS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS, ÀS COMISSÕES NACIONAIS DA AMÉRICA DO SUL E A SECÇÃO DE CATEQUESE DO CELAM


01. Convocados em Bogotá pela Secção de Catequese do Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, nós – bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos – responsáveis pela animação nacional da catequese dos países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai), e no contexto da celebração do bicentenário da Independência de nossos países da América Latina e Caribe, iluminados pelo acontecimento de Aparecida e comprometidos no movimento da Missão Continental, após uns dias de estudo e reflexão, queremos partilhar com todos as nossas preocupações e esperanças em torno da Iniciação à Vida Cristã e da formação iniciática de catequistas discípulos missionários.

VER
No caminho falavam sobre o que havia acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o mesmo Jesus se aproximou
e continuou caminhando com eles (Lc 24, 14-15)

02. Constatamos, nos relatórios apresentados por todos os responsáveis das Comissões Nacionais de Catequese, um avanço, graças à ação do Espírito Santo, à entrega generosa de catequistas e ao crescente interesse em dinamizar a ação evangelizadora, de acordo com as orientações do Documento Conclusivo da Conferência Geral de Aparecida. Isso está refletido na importância dada:

a) em garantir o encontro pessoal com Jesus Cristo e o chamado à conversão;
b) ao anúncio do Querigma;
c) à tomada de consciência sobre a centralidade da Palavra de Deus na vida e missão da Igreja;
d) à opção por uma iniciação à vida cristã com prioridade pelos adultos;
e) à implementação de processos de inspiração catecumenal;
f) à catequese permanente dirigida às famílias e às pequenas comunidades cristãs;
g) à elaboração de orientações, manuais, itinerários e abundantes subsídios para a formação de catequistas e para o desenvolvimento do catecumenato com adultos, jovens e crianças.

03. Também subsistem dificuldades:

a) a catequese continua preocupando-se com a transmissão de conteúdos e não com a experiência de vida cristã pela qual se forma discípulos entusiasmados;
b) pressupõe-se a existência de um povo convertido porque há expressões de piedade popular, porém não se dão passos para iniciar à plena vida cristã;
c) em alguns setores do clero não se valoriza suficientemente a prioridade pelos adultos e se enfatiza uma catequese doutrinal e não a iniciação à vida cristã;
d) ainda não se chegou a uma adequada articulação entre Bíblia, catequese e liturgia;
e) cresce a indiferença religiosa na sociedade atual, especialmente entre os jovens;
f) embora persista a boa vontade dos catequistas, eles carecem de uma formação sólida e um adequado acompanhamento;
g) alguns planos de formação propostos para catequistas não tomam em consideração os critérios apresentados para a catequese pelo magistério eclesial atual.

ILUMINAR – JULGAR

Então, começando por Moisés
e continuando por todos os profetas,
Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura
que falavam a respeito dele (Lc 24, 27)

04. Jesus está no centro da Vida (Jo 1, 14). Encontrar-se com Ele é motivo de festa e compromisso. Estamos convencidos de que Ele continua chamando a todos e todas nas várias circunstâncias da vida. À esse chamado corresponde, no discípulo, uma escuta com todo o ser: “bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc, 11, 28). Escutar constitui a primeira forma de adorar, contemplar e aderir ao Projeto de Deus, como o fez Maria (cf Lc 1, 26-38; 2, 51b).

05. Ao voltar o olhar para Jesus histórico, descobrimos que chamou seus discípulos para estarem com Ele, partilhar sua vida e segui-Lo em seu caminho. Ao anunciar a proximidade do Reino de Deus, Jesus utilizou uma pedagogia encarnada na realidade de seu povo e mostrou ser um comunicador eficaz: anuncia, questiona, promete, transmite aquilo que vive. Suas palavras e obras estavam intimamente relacionadas. Amou até o fim, entregando-se a Deus e aos irmãos, principalmente aos mais pobres e excluídos.

06. A Iniciação à Vida Cristã supõe colocar-se em caminho com Jesus, relacionar-se pessoalmente com Ele, compreender progressivamente seu Mistério, viver em comunidade e preparar-se para a missão. Ser discípulo missionário implica proximidade e experiência vital. Assim Jesus declara: “vinde e vede” (Jo 1, 39), “ide e anunciai” (Mc 16, 15).

07. A perícope de Emaús é paradigmática, pois descreve como Jesus educou gradualmente seus discípulos na descoberta do Mistério de sua pessoa, paixão, morte e ressurreição. Como discípulos missionários somos convidados a percorrer novamente o caminho de Emaús junto com nosso povo, escutando seus clamores, iluminando sua realidade com a Palavra e partilhando o Pão que dá Vida.

08. Para nos aproximarmos mais da prática de Jesus Evangelizador e Formador de discípulos, a Igreja propõe hoje o retorno ao catecumenato inicial da Igreja primitiva, com adaptações para o mundo atual. O processo iniciático, sugerido pelo Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), é profundamente valioso e inspirador para desenvolver itinerários de Iniciação à Vida Cristã e catequese.

09. A metodologia da Iniciação à Vida Cristã implica um processo longo e gradual que evidencia a íntima união entre Palavra de Deus, catequese e liturgia:

a) é animada pela leitura assídua da Palavra de Deus;
b) supõe tempos a serem cumpridos (pré-catecumenato, catecumenato, iluminação-purificação e mistagogia) e etapas a serem alcançadas (admissão ao catecumenato, eleição-preparação próxima para os sacramentos e celebração sacramental);
c) dá importância aos escrutínios que acentuam a presença de Deus e validam o crescimento pessoal;
d) utiliza ritos e símbolos que acentuam a dimensão orante e celebrativa;
e) potencia a presença e participação da comunidade, com todos seus ministérios, na animação dos iniciandos.

10. Hoje, após Aparecida, só se pode entender o complexo processo de inspiração catecumenal, a partir de uma Igreja profundamente missionária que tem como tarefa primordial a formação inicial e permanente de seus discípulos-missionários.

AGIR

Então um disse ao outro:
“Não estava o nosso coração ardendo
quando ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as escrituras?”
Na mesma hora, eles se levantaram
e voltaram para Jerusalém... (Lc 24, 32-33).

11. Para colocar em prática essas convicções propomos:

a) Superar uma visão de cristandade que pressupõe a fé. Isso exige de nós intenso anúncio querigmático de Jesus Cristo, que leve ao encontro pessoal com Ele e à conversão;
b) Assumir a Iniciação à Vida Cristã como a modalidade básica para educar na fé nos diversos países da Igreja na América Latina e Caribe, tendo como destinatários tanto os adultos e jovens não batizados como os batizados não suficientemente evangelizados.
c) Dar à Palavra de Deus o lugar central como fonte vital dos processos de catequese e de celebração da comunidade.
d) Cultivar uma sólida identidade cristã a partir do dinamismo da Missão Continental, mediante processos de educação na fé baseados nos critérios da Iniciação à Vida Cristã para que assim nossas comunidades sejam missionárias.
e) Garantir para nossos catequistas uma adequada formação de inspiração catecumenal, elaborando itinerários adequados que correspondam à realidade humana e de fé que estão vivendo, e garantindo, nesse processo, o acompanhamento pessoal e a animação da comunidade.
f) Partindo da Pedagogia de Jesus, apresentar o Evangelho como Boa Nova significativa para o mundo de hoje pela atenção às suas experiências e expectativas de vida, usando com competência as novas tecnologias da comunicação.
g) Exortar as Comissões Episcopais que ainda não elaboraram o próprio diretório ou orientações nacionais para a Catequese, que iniciem esse processo.
h) Pedir à Secção de Catequese do CELAM que faça a atualização do documento La catequesis en América Latina: orientaciones comunes a la luz del Directorio General para la Catequesis , agora à luz de Aparecida e sua posterior divulgação.

12. Com Maria, presente durante nossa reunião, agradecemos a Deus a experiência de encontro e formação que partilhamos. Animamos às Conferências Episcopais, às Comissões Nacionais de Catequese de nossos países e à Secção de Catequese do CELAM a continuar dando passos afim de acompanhar adequadamente esses processos e assim poder continuar oferecendo o presente mais valioso que já recebemos: Jesus Cristo, esperança e vida de nossos povos (cf Aparecida 29).


Bogotá, aos vinte e um dias de outubro de dois mil e dez.


Dom ADOLFO EDUARDO JOSÉ BITTSCHI MAYER, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Sucre. Responsável da Secção de Bíblia y Catequese da Área de Evangelização da Conferência Episcopal da Bolívia.
Dom EUGÊNE LAMBERT ADRIAN RIXEN, Bispo de Goiás. Presidente Comissão Bíblica y Catequese do Brasil.
Dom SEBELIO PERALTA ALVAREZ, Bispo de Villarica. Presidente da Comissão Episcopal de Catequese do Paraguay.
Dom DIEGO RAFAEL PADRÓN SANCHEZ, Arcebispo de Cumaná. Presidente da Comissão Episcopal de Catequese da Venezuela
Dom ORLANDO ROMERO CABRERA, Bispo Emérito de Canelones. Presidente Departamento de Catequese da Conferência Episcopal do Uruguai.
Pe. OSVALDO CESAR NAPOLI, Secretario Executivo da Comissão Episcopal de Catequese y Pastoral Bíblica da Argentina
Lic. PEDRO DURAN OSINAGA, colaborador Pastoral da Área de Evangelização: Secção Bíblia e Catequese da Bolívia.
Irmá ZÉLIA MARIA BATISTA, cf. Assessora Nacional de Catequese. Conferência Nacional de Bispos do Brasil.
Pe. JOSE CARRARO B., sdb. Diretor da Comissão Nacional de Catequese do Chile
Pe. FRANCISCO EMILIO MEJIA MONTOYA, Diretor do Departamento de Catequese-Bíblia da Conferência Episcopal da Colômbia.
Sra. GLADYS CARMITA CORONADO NUÑEZ, Responsável – Coordenadora Nacional de Catequese do Equador.
Sr. Diácono IGNÁCIO MEDINA, Membro Assessor da Coordenação Nacional de Catequese da Conferência Episcopal do Paraguai.
Ir.. ELEANA SALAS CACERES, fma. Secretaria Executiva Comissão Episcopal de Animação Bíblica, Catequese y Pastoral Indígena do Peru.
Pe. ANDRÉ DOMINIEK BOONE VERVUST, sdb. Membro da Equipe Nacional de Catequese do Uruguai
Ir.. MARIA IRENE NESI, fma. Diretora doDepartamento de Catequese - SPEV. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Pe. JOSE LUIS QUIJANO, Reitor do Instituto Superior de Catequese da Argentina.
Pe. LUIZ ALVES DE LIMA, sdb. Observador e palestrista convidado.
Ir. ENRIQUE GARCIA AHUMADA, f.s.c. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Ir. BALBINO JUÁREZ, f.m.s. Membro da Equipe de Especialistas da Secção de Catequese-CELAM
Frei CARLOS RAIMUNDO ROCKENBACH, ofmcap. Secretário Executivo do Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM.

Tradução do Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CONGRESSO DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ – ARQUIDIOCESE NITERÓI – RJ

A Arquidiocese de Niterói realizou no dia 17 de outubro, o I Congresso de Iniciação à Vida Cristã, no Ginásio Esportivo Dom Bosco em Santa Rosa.

Participaram mais de mil catequistas de todos os níveis, Catecumenato e Pastoral do Batismo. O encontro teve como dinamizadores Pe. Antonio Lelo e Irmã Lúcia (Irmãs de Belém).

O Processo Catecumenal será implantado a partir de 2011 em todas as paróquias da Arquidiocese e conta com o apoio dos nossos Bispos, D. Alano Maria Pena e D. Roberto Ferreira Paz, e também, com boa adesão dos sacerdotes.


Graças sejam dadas a Deus por mais esta realização!

O PROCESSO CATECUMENAL NA ARQUIDIOCESE DE NITEROI


Após a participação na 3ª SEMANA BRASILEIRA DE CATEQUESE , iniciamos o repasse com Encontros nos três níveis: Batismo, Crisma e Catequese infantil. Idealizamos um Projeto de Implantação do Catecumenato na Arquidiocese, que foi aprovado na II Assembléia Arquidiocesana e entrou para o Plano de Pastoral.

O I CONGRESSO DE INICIAÇÃO Á VIDA CRISTÃ veio coroar todo o trabalho realizado durante este ano e traçar metas para 2011. Foi redigida no Congresso uma “CARTA AOS SACERDOTES”. Abaixo estão as metas:

• Estabelecer na paróquia período de formação para todos os níveis (Batismo, Catecumenato e Catequese Infantil, secretários, liturgia e introdutores de todas as pastorais) dentro da ótica do processo catecumenal.

• Formar a COMISSÃO DE INICIAÇÃO Á VIDA CRISTÃ composta por pessoas das antigas pastorais (Batismo, Crisma e Catequese Infantil)

• Utilizar o material disponibilizado pela Arquidiocese para a catequese infantil e Catecumenato.

• Utilizar a metodologia do Catecumenato em todos os seguimentos da catequese.

• Marcar a recepção do sacramento da Eucaristia para o Período Pascal e para os catecúmenos a partir de 16 anos ministrar os três sacramentos da Iniciação Cristã na Vigília Pascal.


Irmã Inês Maria
Assessora Arquidiocesana de Catequese
NITERÓI -RJ

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PEGADA ECOLÓGICA

Você sabe o que é "Pegada ecológica"??


É isso mesmo... É um grande PÉ!  A pegada ecológica é a marca que nossos pés deixam no planeta. Explico. Se formos dividir a extensão do planeta terra pelo número de habitantes que ela tem, aproximadamente 6 bilhões, teríamos um espaço territorial para cada um. Incluindo terra, água, mar, ar, florestas, enfim... Bom, cada um de nós teria direito a 1,8 hectares da terra... Mais ou menos dois campos de futebol para cada um. Você acha muito?? Não precisa desse espaço todo? Precisar você realmente não precisa, mas a realidade é que você usa muito mais...
Existe um site:
http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica 
que fala tudo sobre nossa pegada ecológica. Inclusive você pode fazer um teste para calcular o tamanho dela, ou seja, quantas vezes mais você está usando o espaço a que tem direito no planeta Terra.
A definiçaõ de "pegada ecológica" no site da WWF-Brasil (uma ONG brasileira dedicada à conservação da natureza com o objetivo de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade) é a seguinte: "A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam seus estilos de vida. Em outras palavras, trata-se de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” , em média, para se sustentar." Mais ou menos como o desenho do "pé" que coloquei acima.
No site você ainda encontra informações sobre:
É espantoso as informações que se tem no site sobre as pegadas ecológicas aí pelo mundo afora... Você sabia que o tamanho da "pegada" do brasileiro é em média 2,1 hectare? A do americano é de 9,4, na Europa 4,8, no Japão 4,4 hectares? Teoricamente, 1,8 hectare é a média de área disponível por pessoa, no planeta, de modo a garantir a sustentabilidade da vida na terra. Entretanto, desde de 1999, a média de consumo por pessoa no mundo é de 2,2 hectares, cerca de 25% a mais do que o planeta pode suportar. Estamos em estado de alerta total!
Porque estou falando tudo isso?? Quando conheci a "pegada ecológica" e li sobre o assunto, fiquei pensando na nossa responsabilidade como catequistas, também na conservação do meio em que vivemos, na preservação da natureza e no amor a esse paraíso que Deus nos deu... E vem a calhar também que a Campanha da fraternidade do ano que vem, volta ao assunto da Amazônia e da degradação do planeta.

O tema da Campanha da Fraternidade de 2011 é: "Fraternidade e a vida no planeta" e o lema, "A criação geme em dores de parto".



Isso não dá um assunto muito interessante para tratar com os jovens catequizandos do Crisma?? Ou mesmo com as crianças da Primeira Eucaristia. Basta assessar o site, colher as informações e montar um encontro legal. E tem assunto para muita coisa... Dá para cada um montar sua pegada ecológica, dá para fazer pesquisa na internet. Montar cartazes, fazer conscientização, fazer uma feira "ecológica" catequética, fazer entrevistas, enfim... dar asas á imaginação.

Vamos lá, Catequistas!! Mãos a obra!

Angela Rocha 

"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."
www.catequistaamadora.com.br
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